NOTA - locais de preparação

NOTA: Todos os procedimentos para conservação, higienização e ornamentação de cadáveres devem ser executados em salas apropriadas devidamente autorizadas e regulamentadas de acordo com os orgãos de Vigilância de seu estado de atuação.

Certifique-se, no momento de contratação de uma Empresa Funerária sobre o local aonde será realizados os procedimentos em seu ente.

Se possível acompanhe a remoção do corpo até este local para se averiguar as reais condições de instalação desta sala.

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Manipulação dos bioespécimes: a importância atual da fixação adequada na avaliação prognóstica do câncer de mama

Revista Onco

DESDE OS PRIMÓRDIOS DA MEDICINA, O RELATO E A DESCRIÇÃO DAS ENTIDADES ANATÔMICAS HOJE CONHECIDAS ERAM FEITOS EM ESPÉCIMES a fresco. O advento do formaldeído, descrito pelo químico russo Aleksandr Butlerov (1828-1886) e identificado definitivamente pelo químico alemão August Wilhelm von Hofmann, permitiu a preservação e o estudo perene de tecidos, órgãos, lesões e, principalmente, das células. Comparada a ou tros campos da medicina, a patologia é recente.
Passou a ser considerada uma área distinta com os estudos de Virchow, quando descreve as células como entidades funcionais (Cellularpathologie, 1858), logo depois da histologia. Essa última foi fundada oficialmente por John Hughes Bennett, de Edimburgo, que enquanto estudava fisiologia foi apresentado ao microscópio.
No começo do século 20, as colorações básicas como hematoxilina e eosina, a preservação de fragmentos em parafina e o correto encadeamento de reações químicas básicas se desenvolveram rapidamente.
O período da Segunda Guerra Mundial foi muito profícuo para a patologia, sobretudo para a patologia mamária. A descrição de várias entidades, como o carcinoma lobular, por exemplo, já ocorre nessa época.
Por mais de 100 anos, o formol cumpriu seu papel de preservar os tecidos morfologicamente.
Na década de 1980, uma nova abordagem se delineou em espécimes cirúrgicos: a imuno-histoquímica.
Mais do que a identificação de proteínas específicas em tecidos, auxiliando no diagnóstico diferencial de um número cada vez maior de entidades, passou a ter valor preditivo e prognóstico, quando a serviço de receptores hormonais em câncer de mama, por exemplo. Hoje a fixação adequada dos fragmentos passou a ser uma questão pré-analítica importante. A descrição, a associação com pior prognóstico e mais tardiamente a elaboração de terapias-alvo para outros marcadores tumorais, de mama, trato gastrointestinal e pulmão, por exemplo, agregam maior importância ao procedimento de fixação neste século.
O formaldeído O formaldeído, ou formol, como conhecemos, é uma molécula simples de dois átomos de hi drogênio, um de oxigênio e um de carbono. Liga-se a pontes de hidrogênio e progressivamente fixa as proteínas contidas nas células. O tecido é penetrado em uma velocidade média de 1,0 cm por hora, o que indica que um espécime mantido em ar am biente irá se decompor rapidamente. Em geral, o formol está disponível em estado absoluto e para utilizá-lo deve ser diluído a uma concentração de 10%. Idealmente a solução de formaldeído a 10% deve ser equilibrada quanto ao pH, tornando assim uma solução de formaldeído tamponado. Essa versão, com pH corrigido, é muito útil pois previne a interferência do formol no nível osmótico e o depósito de pigmentos fórmicos passíveis de ocorrer em soluções de pH abaixo de 6.
Formolização adequada As peças cirúrgicas e pequenas amostras devem ser mergulhadas em formol imediatamente após serem removidas do órgão de origem. A autólise inicia-se 30 minutos após a remoção do espécime e esse fenômeno comprometerá sua avaliação morfológica. Detalhes importantes, como estrutura nuclear, arquitetura, são progressivamente afetados pela autólise. O grau nuclear, por exemplo, se torna virtualmente impossível de ser ava liado em peças autolisadas. Espécimes de maior vo lume, como os provenientes de mastectomia, devem ser parcialmente seccionados em cortes paralelos com espessura entre 2 ou 3 cm, com o cuidado de não seccionar a peça completamente e mantendo a sua orientação anatômica, para que todo o tecido seja fixado em intervalo adequado.
Dessa forma, todo o tecido removido não sofrerá autólise ao decorrer do tempo. Preferencialmente, esse procedimento deve ser orientado pelo pato logista, para adequar sua prática ao exame macroscópico subsequente.
Efeito da formolização em exames subsidiários Enquanto a preservação inadequada compromete a avaliação histopatológica, a morfologia não é afetada por excesso de formolização. Exposição prolongada ao formol não altera a arquitetura do tecido. Peças antigas, mantidas anos em formol para uso didático, podem ser amostradas e subsequentemente microscopicamente avaliadas. Infelizmente, o mesmo não ocorre com a avaliação de proteínas ou de seus segmentos específicos pelas técnicas de imuno-histoquímica e hibri dização in situ.
Os testes de imuno-histoquímica e hibridização in situ foram primariamente desenvolvidos em amostras a fresco. Atualmente, a quase totalidade dos testes de cunho diagnóstico, prognóstico e preditivo está disponível para ser realizada em amostras fixadas em formaldeído ou parafinadas.
No entanto, a eficiência de alguns anticorpos na detecção de proteínas extranucleares pode ser comprometida tanto na vigência de preservação insuficiente como na fixação excessiva.
Os principais problemas na fase pré-analítica que comprometem a qualidade do resultado obtido são a qualidade da fixação, o tempo de fixação e a manipulação adequada da amostra.
O Colégio Americano de Patologistas e a Sociedade Americana de Oncologia Clínica desenvolveram recomendações e orientações para preparo e envio de material e amostras para exame anatomopatológico e imuno-histoquímico.
Esses cuidados são primordiais para otimizar a eficiência de avaliação de fatores preditivos, a exemplo dos receptores de estrógeno, cuja expressão já está afetada após duas horas sem fi xação, até o seu total comprometimento após oito horas de isquemia.
É importante ressaltar que a utilização de formol tamponado mini mizou muito o efeito e a fixação por tempo prolongado em estudo equivalente.
Recomendações da ASCO/CAP  Seccionar os espécimes cirúrgicos e colocá-los em formol em até uma hora após a exerese.
Amostras de menor volume como espécimes de biópsia com agulha grossa ou biópsias cirúrgicas requerem uma fixação imediata e de no mínimo 8 horas e no máximo de 48/72h.
 Idealmente, deve-se anotar no pedido do exame a hora em que o material foi colocado na solução e utilizar o formol tamponado ou com pH variando de 7.0 a 7.4.
Com o advento dos testes ISH (hibridização in situ) para o diagnóstico de amplificação do gene HER2, as questões práticas de mani pulação dos espécimes cirúrgicos foram estendidas para as condições desses testes também. Os resultados de testes FISH (hibridização in situ por fluorescência), CISH (hibridização in situ cromogênica) e SISH (hibridização in situ por prata) são afetados pelo tempo e pela qualidade da fi xação, do mesmo modo que o exame imuno-histoquímico tradicional. Nesses tipos de hi bridi zação o uso de etanol é especialmente danoso, sendo contraindicado, pois pode levar a resultados falso-po sitivos. A fixação em etanol é uma das dificuldades para a rea lização de testes de ISH em amostras de citologia, pois elas são frequentemente fixadas em soluções contendo etanol.
Concluindo, a adequada padronização da fase pré-analítica é um procedimento simples, rápido e sem custo, mas que pode interferir diretamente na escolha da melhor opção terapêutica para o paciente.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Análise de peças anatômicas com resina de poliester


Análise de peças anatômicas preservadas com resina de poliester para estudo em anatomia humana




RESUMO
OBJETIVO: avaliar o uso da resina de poliéster na preservação de peças anatômicas para estudo da anatomia humana.
MÉTODOS: foram utilizadas 150 peças anatômicas, sendo as mesmas não fixadas (frescas), fixadas em formol a 10% e moldes vasculares de órgãos injetados com acetato de vinil e a resina de poliéster. A solução utilizada foi composta de resina de poliéster com seu diluente monômero de estireno e catalisador (peroxol). Foram obtidos, após a inclusão nesta solução, modelos em resina transparente, que permitiam a plena observação das estruturas e conservação da peça utilizada.
RESULTADOS: na avaliação das peças, foi observado grau de extrema transparência, promovendo uma completa visualização das estruturas com a perfeita preservação da anatomia. A duração média para a completa finalização da inclusão foi 48 horas. Apenas 14 peças (9,3%) foram inutilizadas durante o preparo.
CONCLUSÃO: a resina de poliéster pode ser utilizada para a preservação de peças anatômicas para o ensino da anatomia humana, de maneira prática, estética e duradoura.
Descritores: Educação médica. Anatomia. Humanos. Resinas.

INTRODUÇÃO
O estudo da anatomia é norteado pela observação direta das peças e cortes anatômicos a fim de proporcionar um entendimento completo das estruturas morfológicas e sua relação espacial. Vivenciada por estudantes da área de saúde durante sua formação básica, a anatomia humana segmentar e sistêmica possui fundamental importância nos temas abordados subsequentemente.
Peças e cadáveres a fresco, apesar de oferecerem maior fidelidade na reprodução das estruturas in vivo, dispensarem custo adicional e não apresentarem perdas de material na fixação das peças, são de difícil obtenção e possuem durabilidade bastante limitada para o estudo, sendo inviável a constante reposição exigida por esse método. Portanto, a utilização destes corpos deve ser racionalizada, para que um maior número de alunos e pesquisadores possa desfrutar dos benefícios do estudo em um corpo humano ainda fresco1,2.
Para possibilitar seu estudo por tempo superior ao de autólise e sem a ação de micro-organismos, é necessário o uso de métodos de fixação e preservação3. Os fixadores mais comuns são o formaldeído, a glicerina, o álcool etílico e o fenol. A fixação de peças anatômicas com solução de formol a 10% é uma técnica barata, simples, de boa penetração nos tecidos, evita a proliferação de patógenos e não permite a deterioração do material. No entanto, produz peças que, com o passar do tempo, adquirem uma coloração mais escura do que a original, além de serem friáveis e de difícil utilização, pois aumentam o peso da estrutura ao encharcá-la, além de produzir vapores que provocam irritação das mucosas e conjuntivas oculares, apresentando toxicidade. A glicerinação proporciona uma melhor preservação e superior resultado morfológico, quando comparada ao uso de formol. Porém, essa técnica ainda apresenta friabilidade e perda de qualidade com o passar do tempo.
Outra técnica de conservação já conhecida por ser utilizada em museus demonstrativos sobre o corpo humano é a plastinação4,5. Este método, desenvolvido por von Hagens, em 1980, e introduzido no Brasil em meados da década de 90 pelo Professor Doutor Aldo Junqueira Rodrigues Júnior, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, consiste na extração de líquidos corporais através de métodos químicos usando acetona para substituí-los por resinas elásticas de silicone. Trata-se de técnica de qualidade sofisticada, entretanto, requer um alto grau de especialização e infraestrutura para sua elaboração, apresentando maior custo adicional.
Frente às citadas dificuldades, este estudo utilizou resina de poliéster (RP) de fabricação nacional, já utilizada em trabalhos anteriores do grupo6-9 responsável pela autoria do presente artigo, por apresentar aspecto transparente, fácil manuseio, ausência de toxidade e elaboração fácil. Outro objetivo prático da inclusão em resina de poliéster é a utilização deste material para estruturação em museus demonstrativos e no ensino nos diversos cursos na área de saúde, tendo em vista a dificuldade na obtenção e conservação de novas peças humanas10.
Deste modo, este trabalho objetivou avaliar e demonstrar uma nova técnica de inclusão de peças anatômicas cadavéricas preservadas em formol, a fresco, moldes em acetato de vinil e ossos, utilizando a RP como material de inclusão.

MÉTODOS
O presente estudo seguiu legislação existente no Brasil que autoriza a utilização de cadáver não reclamado para fins de pesquisa e ensino (Lei 8501, de 30/11/1992) e está em conformidade com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.
Trata-se de um estudo experimental que objetivou avaliar o uso da resina de poliéster (RP) em inclusão de peças anatômicas para o estudo da anatomia humana.
Para a realização deste estudo foram utilizadas 150 peças anatômicas oriundas do Museu Experimental de Anatomia do Departamento de Morfologia da Universidade Federal do Ceará. Foram estudadas peças não fixadas (frescas) (cinco unidades), fixadas em formol a 10% (90 unidades), ossos e moldes vasculares de órgãos injetados com acetato de vinil (dez unidades) e a resina de poliéster de peças para estudo sistemático e topográfico (45 unidades).
Foram incluídos no estudo peças anatômicas humanas, moldes, órgãos sólidos e cortes anatômicos sequenciais (tomográficos), bem como, ossos isolados. Algumas peças foram injetadas com a resina, colorindo com tinta acrílica comum suas estruturas vasculares e ligamentares. Os ossos foram pintados com tinta guache nas delimitações das origens e inserções musculares para melhor demonstração, de acordo com atlas de anatomia topográfica e regional11.
A desidratação parcial foi feita após a retirada do excesso de umidade das peças com compressas de algodão secas, sendo expostas ao ar ambiente por um período médio de seis horas. Este passo objetiva a completa aderência da resina na fase de inclusão e redução da formação de possíveis bolhas de ar durante o passo seguinte.
A resina utilizada foi composta de solução de RP (Resapol® T-208 - Reichhold do Brasil Ltda.) com seu diluente monômero de estireno e catalisador peróxido de hidrogênio, seguida da adição de acetona, que funciona como clareador.
Após a desidratação parcial, as peças foram colocadas em moldes de plástico comum ou de acrílico e de tamanhos apropriados. Acondicionadas, foram adicionadas, em sequência, as soluções 1, 2 e 3 até preencher por completo o recipiente. Seguindo, foram colocadas em local fresco e seco até o seu completo endurecimento (média de três dias) e secagem (média de 24 horas). O tempo de endurecimento e secagem variou de acordo com o tamanho do bloco obtido.
Após a fase de inclusão das peças, procedeu-se a escovação e o clareamento dos referidos blocos com uma lixadeira elétrica e posterior polimento das superfícies com tecido de algodão. Nessa sequência, todos os moldes foram protocolados e distribuídos para confecção e organização do museu anatômico demonstrativo. Posteriormente, todos foram utilizados para estudo da anatomia sistêmica e topográfica.
Foram utilizados, como forma de avaliação da estrutura, dados subjetivos de transparência, custo e praticidade de estudo dos blocos.

RESULTADOS
Na avaliação das peças utilizadas, foi observado um grau de extrema transparência (Figura 1), promovendo uma completa visualização das estruturas no bloco de resina. As características dos blocos de resina na preservação das peças se mantiveram em todos os tipos utilizados (moldes em acetato de vinil, peças a fresco, ossos e peças fixadas em formol, figuras 2 e 3).




A duração média para a completa finalização da inclusão foi 48 horas. Apenas 14 peças (9,3%) foram inutilizadas por apresentarem algum tipo de falha. Os principais problemas encontrados foram: a fissura da resina (2 - 1,3%) e a presença de bolhas (12 - 8%), causadas por redução do tempo de inclusão e ausência de desidratação parcial das peças, respectivamente.
Também não foram evidenciadas alterações das características estruturais, bem como, de suas cores previamente pintadas em tinta acrílica ou guache. Essas se mostraram resistentes e se mantiveram em bom estado de conservação, mesmo após cinco anos da inclusão das primeiras peças.

DISCUSSÃO
A preservação de peças anatômicas surgiu inicialmente para fins religiosos há mais de 5000 anos, com os egípcios, posteriormente, a finalidade científico-acadêmica predominou. André Vesalius, anatomista flamenco, foi um dos primeiros a utilizar a dissecção anatômica como método de ensino, o que lhe rendeu o título de Pai da Anatomia. A partir deste momento, objetivou-se a conservação de cadáveres para finalidades didáticas e acadêmicas.
Segundo Kleiss e Simonsberger12, as primeiras descrições das técnicas de conservação de cadáveres foram feitas por Ambroise Paré no seu Tratado de Cirurgia (1544), e por Petrus Florestius, que descreveu detalhadamente os métodos utilizados para embalsamamento de pontífices de Roma, embora os resultados da técnica descrita fossem controversos.
Visando a utilização de técnicas que conservassem e permitissem uma plena visualização e estudo macroscópico das estruturas anatômicas, vários autores relatam diferentes meios didáticos para a instrução da anatomia12,13, destacando-se Vander Merr (1950), Vergis (1954), Butts (1956), Silverman (1958), Allen (1960), Briggs et al. (1973), Mallas Casas (1977), Mota (1979), Gerlach (1979) e Croquer et al. (1982)6,7. Todos os estudos demonstraram o papel fundamental dos elementos visuais, tais como filmes, transparências, projeções e dispositivos. Para isso, diversas técnicas foram descritas para a conservação de peças com cortes mais especializados, mas que preservassem sua qualidade e visualização.
A partir do Século XVIII, as técnicas de preservação de corpos humanos apresentaram importante desenvolvimento com a utilização do álcool por Guilhermo Hunter como meio de fixação e conservação, além da descoberta da glicerina por Karl Wilhelm Sheele e sua utilização para a preservação de peças anatômicas por Carlos Giacomini. No Século XIX, com a aplicação do formol, por August Hoffman, como substância para conservação de cadáveres.
O objetivo das técnicas de preservação é manter as características morfológicas das peças semelhantes às encontradas no individuo vivo, como cor, consistência dos tecidos e flexibilidade. Deve-se considerar também o custo, a toxidade, o manuseio das peças após o preparo e a necessidade de manutenção quando se escolhe a melhor forma de conservação.
As técnicas para preparação de peças anatômicas mais comuns são o formaldeído e a glicerina. O formaldeído é o fixador e conservante mais utilizado por ser uma técnica mais barata, de efeito mais rápido e de fácil obtenção, no entanto, existem alguns fatores negativos. Um deles é o peso que a peça adquire após o preparo, pois tem que ficar imersa no formol e, ao ser retirada, encontra-se encharcada, conferindo assim um maior peso à peça, dificultando o manuseio e o transporte. Outros fatores contrários à utilização do formol são o fato de a peça adquirir uma coloração escura diferente da cor original e essa substância ser um potente irritante para o trato respiratório e olhos. No ano de 1995, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classificou o formaldeído como cancerígeno, após vários trabalhos publicados sobre sua capacidade carcinogênica.
A principal característica da glicerina é a sua ação antisséptica, resultado da capacidade de desidratação celular, atuando contra fungos e bactérias gram-negativas e gram-positivas, com exceção para formas esporuladas. A glicerinação vai proporcionar uma melhor preservação e superior resultado morfológico quando comparada ao uso de formol, por utilizar produtos menos agressivos às peças e por manter cor mais próxima do real. Outra vantagem da técnica é tornar as estruturas anatômicas mais leves, facilitando o manuseio das peças, pois não estarão encharcadas de líquido, além de não ser um irritante químico para as pessoas que as estão manipulando.
A plastinação4, desenvolvida por von Hagens, em 1980, consiste na substituição de fluidos teciduais de peças anatômicas por polímeros de silicone, resina de epóxi ou poliéster que, posteriormente, passarão por um processo de endurecimento pela luz, calor ou certos gases, proporcionando a conservação dos espécimes com alta durabilidade e resistência, além de manter estruturas e características originais das peças de forma inodora. Essa técnica sofisticada, de qualidade, é amplamente utilizada no estudo na Europa e nos Estados Unidos e já está sendo empregada em algumas universidades brasileiras7. No entanto, o método requer um alto grau de especialização e infraestrutura para sua elaboração, além de alto custo.
Somente em 1995, Muñoz descreveu o uso da resina de poliéster na conservação de um pequeno número de peças anatômicas fixadas em formol e moldes de injeção-corrosão, porém, sem posterior descrição desta técnica na literatura14.
A substância estudada é uma resina de poliéster insaturada, muito utilizada internacionalmente na fabricação de equipamentos de náutica, com características de alta viscosidade e cristalização. A RP também é aplicada em estudos científicos em anatomia6-9,15-17 por suas propriedades de penetração capilar e baixo índice de retração após a injeção e fixação (2%), permitindo assim uma representação fidedigna das estruturas.
Os resultados obtidos neste trabalho na preparação e aplicação da técnica de inclusão em RP constituem material de alta qualidade, permitindo visualização e manuseio prático dos alunos no ensino da anatomia. A escolha da RP foi realizada por suas propriedades: ausência de cor, rigidez, durabilidade, fácil manuseio e menor custo em relação a outras resinas.
A facilidade na reprodução técnica no que diz respeito à obtenção de blocos de RP, bem como, o bom estado de conservação das peças e sua durabilidade, constituem as principais qualidades em sua utilização em museus para o ensino da anatomia humana18. Ao comparar esta técnica aos demais modelos anatômicos artificiais, destaca-se a fiel representação das estruturas humanas vistas nestas peças.
Finalmente, a formação de museus de blocos de resina com peças anatômicas proporciona um fácil reconhecimento das estruturas. A referida técnica permite a utilização dos blocos de resina para o ensino da anatomia humana de maneira prática, estética, acessível e duradoura.
Os resultados obtidos neste trabalho na preparação e aplicação da técnica de inclusão em resina de poliéster evidenciam resultados estéticos e morfológicos melhores que os obtidos pelas técnicas tradicionais, permitindo visualização e manuseio prático dos blocos pelos alunos no ensino da anatomia.

AGRADECIMENTOS
Ao funcionário Edmilson de Lima, do Departamento de Morfologia da Universidade Federal do Ceará, pela valiosa contribuição na preparação das peças de resina.

REFERÊNCIAS
1. Feijó AGS. A função dos comitês de ética institucionais ao uso de animais na investigação científica e docência. Bioética. 2004;12(2):11-22. 
2. Rodrigues H. Técnicas anatômicas. 4ª ed. Vitória: Arte Visual; 2010.
3. Weiglein AH. Preservation and plastination. Clin Anat. 2002;15(6):445.
4. von Hagens G, Tiedemann K, Kriz W. The current potential of plastination. Anat Embryol. 1987;175(4):411-21.
5. Jones DG. Re-inventing anatomy: the impact of plastination on how we see the human body. Clin Anat. 2002;15(6):436-40. 
6. Silva Filho AR. Segmentação arterial do baço: estudo morfológico no homem e experimental no cão [dissertação]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Escola Paulista de Medicina; 1989.
7. Silva Filho AR. Vascularização do baço: estudo da independência e análise proporcional dos seus segmentos [tese]. São Paulo: Universidade de São Paulo, Escola Paulista de Medicina; 1991.
8. Oliveira IM, Silveira KP, Barroso TA, Oliveira SAJ, Teixeira ML, Silva Filho AR. Correlação da segmentação arterial esplênica com a anatomia de superfície. Rev Col Bras Cir. 2008;35(6):406-10.
9. Diógenes Filho FC, Oliveira IM, Chaves RW, Frota LC, Carvalho MCGS, Silva Filho AR. Análise da segmentação venosa hepática através de moldes de resina. Rev Col Bras Cir . 2003;30(2):122-7.
10. Jones DG, Whitaker MI. Anatomy's use of unclaimed bodies: reasons against continued dependence on an ethically dubious practice. Clin Anat. 2012;25(2):246-54.   
11. Sobotta. Atlas de Anatomia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 1993.
12. Kleiss E, Simonsberg P. La parafinización como metodo morfologico. Mérida: Universidade de los Andes; 1964.
13. Matamala Vargas F, Olave Riffo E, Henriquez Pino J, Chávez Inzunza R. Experiencia de siete años en el diseño y uso de material didáctico anatómico de bajo costo. An anat norm. 1988;6(6):208-13.
14. Múnõz J. Inclusión de especímenes humanos en resinas sintéticas para ser utilizado como material didáctico en la enseñanza de las Ciencias Morfológicas. Rev Soc Venez Ciencias Morfol. 1995;1(1):11-9.
15. Gusmão LCB. Bases anatômicas para o bloqueio anestésico do plexo braquial por via infraclavicular [tese]. São Paulo: Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina; 1992.
16. Mandarim-de-Lacerda CA, Dallalana EM. Estudo da terminação do duto torácico (Ductus thoracicus) em natimortos de termo. Rev Bras Pesquisas Med Biol. 1979;12(6):401-4.
17. Sampaio FJB. Sistematização pielocalicial: morfometria renal e moldagem das cavidades coletoras com resina de poliéster [dissertação]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Medicina; 1986.
18. Marreez YM, Willems LN, Wells MR The role of medical museums in contemporary medical education. Anat Sci Educ. 2010;3(5):249-53

Trabalho desenvolvido no Departamento de Morfologia da Universidade Federal do Ceará-CE-BR.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Anatomia

Em termos mais restritos e clássicos, a anatomia confunde-se com a morfologia (biologia) interna, isto é, com o estudo da organização interna dos seres vivos, o que implicava uma vertente predominantemente prática que se concretizava através de métodos precisos de corte e dissecação (ou dissecção) de seres vivos (cadáveres, pelo menos no ser humano), com o intuito de revelar a sua organização estrutural.
O mais antigo relato conhecido de uma dissecação pertence ao grego Teofrasto (? – 287 a. C.), discípulo de Aristóteles. Ele a chamou de anatomia (em grego, “anna temnein”), o termo que se generalizou, englobando todo o campo da biologia que estuda a forma e a estrutura dos seres vivos, existentes ou extintos. O nome mais indicado seria morfologia (que hoje indica o conjunto das leis da anatomia), pois “anna temnein” tem, literalmente, um sentido muito restrito: significa apenas “dissecar”.
Conforme seu campo de aplicação, a anatomia se divide em vegetal e animal (esta, incluindo o homem).
A anatomia animal, por sua vez, divide-se em dois ramos fundamentais: descritiva e topográfica. A primeira ocupa-se da descrição dos diversos aparelhos (ósseo, muscular, nervoso, etc...) e subdivide-se em macroscópica (estudo dos órgãos quanto a sua forma, seus caracteres morfológicos, seu relacionamento e sua constituição) e microscópica (estudo da estrutura íntima dos órgãos pela pesquisa microscópica dos tecidos e das células). A anatomia topográfica dedica-se ao estudo em conjunto de todos os sistemas contidos em cada região do corpo e das relações entre eles.
A anatomia humana se define como normal quando estuda o corpo humano em condições de saúde, e como patológica ao interessar-se pelo organismo afetado por anomalias ou processos mórbidos.
O desejo natural de conhecimento e as necessidades vitais levaram o homem, desde a pré-história, a interessar-se pela anatomia. A dissecação de animais (para sacrifícios) antecedeu a de seres humanos.
Alcméon, na Grécia, lutando contra o tabu que envolvia o estudo do corpo humano, realizou pesquisas anatômicas já no século VI a.C. (por isso muitos o consideram o “pai” da anatomia). Entre 600 e 350 a.C. , Empédocles, Anaxágoras, Esculápio e Aristóteles também se dedicaram a dissecações. Foi, porém, no século IV a.C, com a escola Alexandrina, que a anatomia prática começou a progredir. Na época, destacou-se Herófilo, que, observando cadáveres humanos, classificou os nervos como sensitivos e motores, reconhecendo no cérebro a sede da inteligência e o centro do sistema nervoso. Escreveu três livros “Sobre a Anatomia”, que desapareceram. Seu contemporâneo Erasístrato descobriu que as veias e artérias convergem tanto para o coração quanto para o fígado.
Galeno, nascido a 131 na Ásia Menor, onde provavelmente morreu em 201, aperfeiçoou seus estudos anatômicos em Alexandria. Durante toda a Idade Média, foi atribuída enorme autoridade a suas teoria, que incluíam errôneas transposições ao homem de observações feitas em animais. Esse fato, mais os preconceitos morais e religiosos que consideravam sacrílega a dissecação de cadáveres, retardaram o aparecimento de uma anatomia científica. Os grandes progressos da medicina árabe não incluíram a anatomia prática, também por questões religiosas. As numerosas informações do “Cânon de Medicina”, de Avicena, por exemplo, referem-se apenas à anatomia de animais.
No século IX, o estudo do corpo humano voltou a interessar os sábios, graças à escola de médica de Salerno, na Itália, e à obra de Constantino, o Africano, que traduziu do árabe para o latim numerosos textos médicos gregos. Logo depois, Guglielmo de Saliceto, Rolando de Parma e outros médicos medievais enfatizaram a afirmação de Galeno segundo a qual o conhecimento anatômico era importante para o exercício da cirurgia: “Pela ignorância da anatomia, pode-se ser tímido demais em operações seguras ou temerário e audaz em operações difíceis e incertas”.
O edito de Frederico II, obrigando a escola de Nápoles a introduzir em seu currículo o treinamento prático de anatomia (1240), foi decisivo para o desenvolvimento dessa ciência. Cerca de meio século mais tarde, Mondino de Liuzzi executava em Bolonha as primeiras dissecações didáticas de cadáveres, publicando em 1316 um manual sobre autópsia.
O clima geral do Renascimento favoreceu o progresso dos estudos anatômicos. A descoberta de textos gregos sobre o assunto, e a influência dos pensadores humanistas, levou a Igreja a ser mais condescendente com a dissecação de cadáveres. Artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Rafael mostraram grande interesse sobre a estrutura do corpo humano. Leonardo dissecou, talvez, meia dúzia de cadáveres. O maior anatomista da época foi o médico flamengo André Vesalius, cujo nome real era Andreas Vesaliusum dos maiores contestadores da obscurantista tradição de Galeno. Dissecou cadáveres durante anos, em Pádua, e descreveu detalhadamente suas descobertas. Seu “De Humani Corporis Fabrica”, publicado em Basileia em 1543, foi o primeiro texto anatômico baseado na observação direta do corpo humano e não no livro de Galeno. Este método de pesquisa lhe dava muita autoridade e, não obstante as duras polêmicas que precisou enfrentar, seus ensinamentos suscitaram a atenção de médicos, artistas e estudiosos. Entretanto, provavelmente as técnicas de dissecação e preservação das pecas anatômicas da época não permitiam um processo mais detalhado, incorrendo Vesalius em alguns erros, talvez pela necessidade de dissecções mais rápidas. Entre seus discípulos, continuadores de sua obra, estão Gabriele Fallopio, célebre por seus estudos sobre órgãos genitais (piu-piu), tímpanos e músculos dos olhos, e Fabrizio d’Acquapendente, que fez construir o Teatro Anatômico, em Pádua (onde lecionou cinquenta anos). A D’Acquapendente se deve, ainda, a exata descrição das válvulas das veias.
A partir de então, o desenvolvimento da anatomia acelerou-se. Berengario da Carpi estudou o apêndice e o timo, e Bartolomeu Eustáquio os canais auditivos. A nova anatomia do Renascimento exigiu a revisão da ciência. O inglês William Harvey, educado em Pádua, combinou a tradição anatômica italiana com a ciência experimental que nascia na Inglaterra. Seu livro a respeito, publicado em 1628, trata de anatomia e fisiologia. Ao lado de problemas de dissecação e descrição de órgãos isolados, estuda a mecânica da circulação do sangue, comparando o corpo humano a uma máquina hidráulica. O aperfeiçoamento do microscópio (por Leeuwenhoek) ajudou Marcello Malpighi a provar a teoria de Harvey, sobre a circulação do sangue, e também a descobrir a estrutura mais íntima de muitos órgãos. Introduzia-se, assim, o estudo microscópico da anatomia. Gabriele Aselli punha em evidência os vasos linfáticos; Bernardino Genga falava, então, em “anatomia cirúrgica”.
Nos séculos XVIII e XIX, o estudo cada vês pormenorizado das técnicas operatórias levou à subdivisão da anatomia, dando-se muita importância à anatomia topográfica. O estudo anatômico-clínico do cadáver, como meio mais seguro de estudar as alterações provocadas pela doença, foi introduzido por Giovan Battista Morgani. Surgia a anatomia patológica, que permitiu grandes descobertas no campo da patologia celular, por Rudolf Virchow, e dos agentes responsáveis por doenças infecciosas, por Pasteur e Koch.
Recentemente, a anatomia tornou-se submicroscópica. A fisiologia, a bioquímica, a microscopia eletrônica e positrônica, as técnicas de difração com raios X, aplicadas ao estudo das células, estão descrevendo suas estruturas íntimas em nível molecular.
Hoje em dia há a possibilidade de estudar anatomia mesmo em pessoas vivas, através de técnicas de imagem como a radiografia, a endoscopia, a angiografia, a tomografia axial computadorizada, a tomografia por emissão de positrões, a imagem de ressonância magnética nuclear, a ecografia, a termografia e outras.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O enterro mais humilhante que alguém pode receber

enterro de bruços
Enterrar os mortos com o rosto voltado para baixo antigamente significava qualquer coisa menos “descanse em paz”, de acordo com uma nova pesquisa, que afirma que a prática era proposital e muito comum. Acreditava-se que até então que enterros do tipo eram excepcionais e acidentais.
O primeiro estudo global sobre a prática sugere que o enterro deste tipo era um costume amplamente difundido, que tinha como intenção desrespeitar ou humilhar os mortos. Caroline Arcini, autora do estudo, detectou uma linha comum entre os enterros que ela estudou: “As sociedades aprovavam este tratamento aparentemente negativo dos mortos”, diz. De acordo com Arcini, os estranhos enterros parecem significar que os atos dos mortos não eram aceitáveis, e que envergonhar os mortos era “provavelmente um comportamento enraizado da humanidade”.
Status social
Arcini pesquisou bibliografias já existentes para fazer o primeiro catálogo de enterros de bruços pelo mundo inteiro. A pesquisadora encontrou registros de mais de 600 corpos em 215 covas, desde o Peru até a Coreia do Sul. Datando de 26 mil anos atrás até a Primeira Guerra Mundial, esses enterros incluem homens, mulheres e crianças, mas sua maioria são homens.
Os enterros de bruços eram feitos em todos os tipos de covas, desde covas para uma pessoa até as coletivas. Nos lugares onde vários enterros do tipo eram feitos, os mortos eram sepultados em covas rasas próximas ao fim do cemitério, e geralmente sem caixão.
De acordo com Arcini, o fenômeno tem várias explicações possíveis. Algumas pessoas tinham os pés e mãos amarrados, o que sugere que eram criminosos ou prisioneiros de guerra. Outros enterros sugerem que a prática era ligada ao status social, como era o caso de 80 corpos encontrados em um cemitério mexicano que datam de 1150 até 850 anos antes de Cristo. Dos corpos encontrados lá, seis estavam sentados em suas covas, enquanto 74 estavam enterrados horizontalmente, de bruços. “Pode significar que as pessoas sentadas eram sacerdotes, e os outros tinham uma posição social menor”, afirma Arcini.
Conflito religioso
A arqueologista afirma que conflitos culturais e religiosos são outros fatores em potencial para causar os enterros. A maior frequência dos enterros na Suécia, por exemplo, data da época dos Vikings, quando o cristianismo chegou na região.
Os Vikings pagãos podem não ter aceitado aqueles que se converteram ao cristianismo e enterraram seus corpos de bruços para mostrar a sua aversão à mudança, de acordo com Arcini. Ela também lembra que freiras que saíam da linha e mulheres condenadas como bruxas eram também enterradas de bruços.[National Geographic]

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Saiba qual forma de enterro é mais ecológica: tradicional, cremação, liquefação ou congelamento

 enterro tradicional e a cremação são as duas formas que estamos acostumados a usar para lidar com o corpo humano após a morte, porém, novas formas visam causar o menor impacto possível no ambiente. Uma das novas opções é transformar a matéria em líquido, a outra, é secar o corpo e remover os poluentes.
A técnica de hidrólise alcalina, desenvolvida pela empresa Resomation do Reino Unido, dissolve o corpo por meio de aquecimento em uma câmara com água e hidróxido de potássio. Já outra empresa britânica, a Cryomation, congela o corpo a - 196º C em nitrogênio líquido, depois drena o líquido a vácuo e remove partes poluentes, como obturações de mercúrio.
Máquina que liquefaz o corpo da Resomation
As duas tecnologias podem ser o futuro dos enterros por diminuírem a área necessária para depositar o corpo e reduzirem as emissões de gases do efeito estufa. Para descobrir se os novos processos anunciados pelas empresas são propaganda ecológica enganosa ou se realmente têm menos impactos que os métodos tradicionais, membros da Organização Holandesa de Pesquisa Científica (TNO) calcularam e compararam a pegada ecológica dos quatro tipos de enterro: tradicional, cremação, liquefação e congelamento.
Os resultados mostraram, que a transformação em líquido é a forma de enterro com menos impactos ambientais. Os pesquisadores viram ainda que, quando os metais presentes no corpo foram retirados nesse processo, tornou-se ambientalmente neutro.
segunda técnica menos poluente é o congelamento. O enterro tradicional é o processo mais agressivoao ambiente, cerca de 8 vezes mais que o congelamento. As causas são as grandes porções de solo usadas para os túmulos e as emissões de gases causadores do efeito estufa na produção do material dos jazigos e a manutenção do cemitério.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A Morte ao serviço da Vida

Publicitar o enquadramento legal da utilização de cadáveres para fins de ensino (Decreto-Lei nº 274/99 de 22 de Julho de 1999) e sensibilizar a opinião pública para o candente assunto da doação cadavérica. Importância da disciplina de Anatomia num curso de Medicina  Para além de nela se aprender a constituição do corpo humano e muita da terminologia empregue no dia-a-dia do médico, também se aprende a observar, capacidade indispensável a um médico competente não fosse a observação a base do diagnóstico. No dizer de Fernel “… a Anatomia está para a Função como a Geografia para a História”. Importância da dissecção cadavérica no ensino da Anatomia Diz-se, e com razão, que só se aprende verdadeiramente Anatomia dissecando. O acto de observar, a descoberta, o adestramento manual e a comparação do normal com o anormal conferem a esta técnica de ensino potencialidades únicas não suplantadas por qualquer outro método, por mais perfeito que seja. Com efeito, estes são impessoais e carecem de algo fundamental a quem aprende medicina: REALISMO E HUMANIDADE. Por isso, continua a ser o método de autoaprendizagem por excelência e o seguido nas Universidades mais prestigiadas, em que os curricula da disciplina de Anatomia são baseados na prática sistemática da dissecção.

Doação cadavérica: único meio de ultrapassar a escassez referida Com a publicação do Decreto-Lei nº274/99 torna-se possível doar “com força de lei” o corpo aos Institutos de Anatomia para efeitos de ensino médico. Trata-se um acto do maior filantropismo já que, ao fazê-lo, os doadores propiciam aos futuros médicos a possibilidade de através do seu corpo aprenderem a melhor tratar os doentes e, quem sabe, criarem as condições para que os médicos cedo se tornem mais humanizados. Doação cadavérica em geral É prática comum em muitos países e até nos que têm, como a Espanha, um arreigado conceito do culto dos mortos. Tal acontece também em Portugal. É um assunto melindroso e por isso é necessário um forte empenhamento de todos os que possam interferir na sua divulgação. Só assim a importância da dissecção não passará de meras palavras e se fará sentir junto dos destinatários e únicos interessados: os doentes.  Melindre do assunto e importância do mesmo Estamos cientes que não é um tema fácil de abordar. Porém, se a importância da dissecção na formação médica for divulgada por alunos que dissecaram e por médicos em fase de especialização, que com ela muito lucrariam, o seu impacto junto de potenciais doadores poderá ser o desejado. Através do altruísmo e da generosidade de uma doação pode-se contribuir para que os médicos possam vir a ser melhores do que hoje são.

Proveniência do Material Cadavérico para Fins de Ensino Pré e  Pós-Graduado ao Longo dos Tempos.  Importância da Doação do Corpo M.M. Paula-Barbosa, Professor de Anatomia da Faculdade de Medicina do Porto.  Publicado no Papel do Médico, n°14, 2000 1. Nota Introdutória Com a publicação do Decreto-Lei n°274/99 de 22 de Julho passou a ter enquadramento legal a doação do corpo para fins de ensino e de investigação científica. É agora possível tentar modificar a situação em que se encontra o ensino anatómico nas nossas Faculdades, demasiado centrado, na sua parte prática, em atlas e outras muletas iconográficas. Vislumbra-se o fim das actividades de dissecção efectuadas pelos alunos o que terá reflexos muito negativos no desenvolvimento de capacidades tão elementares como importantes, e.g., a observação e a descrição. Por outro lado, a nível de pós-graduação, nomeadamente cirúrgica, continuar-se-á a aprender no doente muito do que poderia e deveria ter sido feito no Teatro Anatómico. 2. Proveniência dos Cadáveres Destinados à Dissecção Variou ao longo dos tempos o modo como se obtinham os cadáveres para estudos anatómicos. Porém, foi sempre uma tarefa árdua, muitas vezes considerada até como verdadeiro sacrilégio. Como diz Delmas (1967) num brilhante ensaio sobre o assunto, "le corps que, vivant, on pouvait blesser, auquel on pouvait retirer la vie, doit ensuite demeurer intact, la mort le protege e le rendsacré". É insofismável que o culto dos mortos remonta à pré-história e mantém-se hoje tão vivo como na antiguidade clássica onde se considerava o repouso do cadáver em sepultura condigna como condição de acesso do defunto ao reino dos deuses. Leis rigorosas definiam o modo de agir e o rigor com que eram punidas as transgressões. Apesar dos notáveis trabalhos de Hipócrates de Cos, cerca de 400 a.C., só na dinastia dos Ptolomeus, 300 a.C., em pleno apogeu da Escola de Alexandria se fizeram as primeiras dissecções. Por essa altura foram feitas as primeiras descrições anatómicas e funcionais bem fundamentadas. Foram estes estudos de dissecção que possibilitaram um razoável conhecimento da forma e até da função do corpo humano. Distinguiram-se Herófilo e Erasistrato que, muito justamente, se passaram a considerar os pais da Anatomia e da Fisiologia, respectivamente. Com o advir do cristianismo há um marcado retrocesso no acesso ao material cadavérico uma vez que a Igreja exigia o respeito do cadáver, o respeito do que foi o templo da alma no dizer de Santo Agostinho. E ainda em 1300 Bonifácio VIII publica a bula "de Sepulturis" onde é fortemente condenada a prática da dissecção. Aliás, mesmo Galeno, ao contrário do que se poderia pensar, pouco dissecou e o Corão impede liminarmente a dissecção. É só no dealbar do século XIV que esta prática é retomada! Foi Henri de Mondeville que, em 1315, efectuou a primeira dissecção oficial num corpo de um condenado, em Montpellier. A prática generalizou-se, nomeadamente após as tomadas de posição dos Papas Sisto IV (1404-1424) e Clemente VIl (1478-1534), muito favoráveis a estes estudos anatómicos. É ainda em condenados que Vesálio efectua as investigações que lhe permitiram publicar, em 1543, o "De humani corporis fabrica" que justamente se pode considerar o primeiro grande tratado de Anatomia. Seria falha grave não referir o papel dos teólogos de Salamanca que, em 1561, inquiridos pelo todo poderosos Carlos V quanto à posição a assumir pelos cristãos face à dissecção, afirmaram "que era útil e necessária à Medicina e, por isso, devia ser permitida."

Foi de extrema importância esta tomada de posição dado ter sido a partir de então que a dissecção passou a ser vista como prática benéfica na ajuda a prestar aos vivos. Neste domínio é justo salientar que fomos dos primeiros a recorrer a este método de ensino. D. João III deu ordem real ao Corregedor da Comarca e ao Provedor do Hospital de Coimbra, em 16 de Outubro de 1546, para prover as necessidades do ensino anatómico nessa Universidade, como muito bem refere o Professor Abel Tavares (1962) em artigo que se aconselha a leitura. Enfim, é o passar da época do uso dos corpos dos condenados ao dos não-reclamados e que se manteve até aos nossos dias. No século XVII e XVIII recorreu-se à compra de cadáveres, nomeadamente em França e em Inglaterra, prática que se compreende mal porque nesse tempo abundavam os corpos dos indigentes. O comércio de cadáveres desencadeou o sinistro procedimento de William Burke e William Hare que para satisfazerem as necessidades anatómicas do notável Professor Robert Knox de Edimburgo estrangularam 60 velhos e doentes entre Dezembro de 1827 e Outubro de 1828. Face a este macabro acontecimento e à indignação geral que se seguiu foi promulgado o "Warbuston Anatomy Act" de 1 de Agosto de 1832 que determinava, e determina ainda, só poderem ser dissecados os corpos de abandonados ou de quem houvesse doado o corpo em vida. Em Portugal, até ao fim do século XIX, não há registos do número de cadáveres de não reclamados em que se praticava a dissecção. Pelo que se infere dos Arquivos do Instituto de Anatomia não havia falta de material. Pelo contrário... Mesmo durante a primeira metade do século XX eram em grande número os cadáveres para dissecção (Abel Tavares, 1978). Com efeito, no primeiro decénio do século a Escola Médico-Cirúrgica contou com uma média de 130 cadáveres por ano, média que até aumentou, e muito substancialmente, nos anos lectivos de 1916-17 e 1918-19 onde se ultrapassou largamente os 200. Em 1923-1924 havia um cadáver para cada 1,4 alunos. Em Lisboa, o panorama era semelhante: a Faculdade recebeu 325 cadáveres para 300 alunos. Mas, como era lógico esperar, este número passou progressivamente a ser, alvo de um declínio. Em 1959 o número de cadáveres adultos era de 23 e em 1977 de 20. É inegável que tal facto se fica a dever à melhoria do nível de vida da população e à promoção dos sistemas de segurança social e de saúde visando a construção de sociedades mais justas. Em abono da verdade são também de referir, como descreve o Doutor Abel Tavares (1978) as "diligências eficazes efectuadas por organizações piedosas que custeiam funerais dos indigentes internados nos Serviços Hospitalares, muitas vezes coadjuvadas por armadores desinteressados". Num artigo publicado no semanário A Ordem, 27/X/62, lê-se que o dedicado capelão do Hospital Geral de Santo António informa o público da gratuidade dos responsos religiosos para os pobres, indigentes e porcionistas até ao escalão C (400$OO) e avisa que têm ao seu dispor um armador que se compromete perante o mesmo Hospital a tratar desse serviço em condições que muito os pode favorecer, condições essas afixadas junto à Casa Mortuária. Aliás, urge reconhecer que o recurso aos corpos dos indigentes para se dissecar é uma prática chocante e a abandonar. Mantêm-se vivas, após a morte, as desigualdades sociais e económicas. No dizer de Abel Tavares (1978) se admitimos que todos os homens são senhores dos mesmos direitos e sujeitos aos mesmos deveres, se aceitamos que todo o Homem só pelo facto de o ser tem direito a um mínimo de força económica para satisfação das suas necessidades básicas... então é difícil conciliar estes postulados com as necessidades do ensino e com o cuidado de se não tratarem de modo discriminatório os despojos humanos segundo condições de fortuna, situação social ou económica, raça ou quaisquer outras que porventura ocorram e resultem na sua transferência para os Institutos de Anatomia. Só há, na sociedade em que vivemos, um modo de dar solução a esta premente necessidade: o da doação consciente e filantrópica dos corpos pelos que sensibilizados para os problemas queiram melhorar as condições do ensino.

3.  Doação Cadavérica É prática comum nos locais onde o ensino médico é feito com profundidade e realismo. Rotinizada nos países anglo-saxónicos e do norte da Europa, mesmo no sul da Europa encontra eco quando devidamente divulgada. Serve de exemplo a nossa vizinha Espanha que tarde acordou para o problema mas que desde a publicação da Acta de Barcelona, em 1996, tem já numerosas Escolas Médicas com Cursos de Anatomia baseados na dissecção, tão grande foi a adesão do público ao apelo feito. O autor testemunhou-o recentemente na Universidade Autónoma de Madrid e na Universidade de Santiago de Compostela. Tal adesão deixa antever que em Portugal a doação cadavérica, se bem fomentada, terá idêntica aceitação porque idênticos são os arreigados sentimentos de família e do culto dos mortos. Para isso é preciso o empenhamento de todos e muito em particular dos médicos cuja maioria já não dissecou como deveria, quer quando era aluno quer no decurso das suas especializações. É um tema quase tabu mas os colegas médicos dele não se podem alhear e, sempre que possível, devem fazer passar a mensagem no exercício da sua profissão e nos círculos sociais que frequentam, junto de quem tenha uma formação filantrópica capaz de aceitar a abordagem de tal assunto. Toma o autor a liberdade de lembrar alguns pontos que podem ser úteis para o efeito: a) a dissecção anatómica de material humano é indispensável e insubstituível para o ensino médico pré e pós-graduado; b) tal prática tem profundos reflexos na qualidade dos actos médicos e cirúrgicos e portanto na promoção da saúde; c) as condições positivas de progresso social tem feito diminuir, de modo drástico, as disponibilidades dos Serviços de Anatomia em material cadavérico para dissecção; d) as condições socialmente discriminatórias em que até hoje se tem conseguido obter material humano para a dissecção são francamente obsoletas e vergonhosas; e) não há qualquer impedimento de ordem moral, religiosa ou legal para que se processe entre nós um sistema de doação de corpos aos Departamentos de Anatomia; f) a entrega do cadáver é feita a seguir às cerimónias funerárias e às homenagens que se queiram prestar; g) para a doação ser executada é necessário preencher uma simples declaração cujo modelo se encontra nos Institutos de Anatomia e dar dela conhecimento a quem avise o Instituto quando do falecimento; e) bem pensando no destino comum dos corpos humanos onde cessaram as actividades próprias da vida, não se encontra maior dignidade na destruição rápida pelas chamas, ou lenta pelos micróbios da putrefação, do que o seu aproveitamento para ensino médico, metódico e respeitador (Abel Tavares, 1978). BIBLIOGRAFIA 1. A. Delmas - Le don du corps et des organes. Solution contemporaine au problème du matériel anatomique. Comptes Rendus de l' Association des Anatomistes, 137: 7-70 (1967). 2. A. Sampaio-Tavares – Considerações sobre o ensino prático da anatomia. O Médico, 26:541-548 (1963). 3. A. Sampaio Tavares - Doação de corpos para o ensino anatómico. O Médico, 87: 119-121 (1978.

fonte: Faculdade de Medicina
Universidade do Porto


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Morte e Decomposição

Morte humana e decomposição

A fim de compreender como as fazendas de corpos funcionam, é interessante saber alguns dados básicos sobre a morte humana e a decomposição. Embora soe bastante macabro, é perfeitamente normal que o corpo passe por diversas mudanças radicais quando a pessoa morre.
Para começar, quando o coração pára de bater, as células do corpo e os tecidos param de receber oxigênio. As células cerebrais são as primeiras a morrer - normalmente em três a sete minutos (fonte: Macnair). Ossos e células da pele, no entanto, sobrevivem por diversos dias. O sangue começa a ser drenado dos vasos sanguíneos para as partes inferiores do corpo, criando assim uma aparência pálida em alguns lugares e uma aparência mais escura em outros.



Conforme o corpo se decompõe, os tecidos soltam uma substância esverdeada que desperta o apetite das moscas. O corpo em putrefação pode se tornar o habitat de cerca de 300 larvas sortudas.
fotofrankyat © iStockphoto.com
Conforme o corpo se decompõe, os tecidos soltam uma substância esverdeada que desperta o apetite das moscas. O corpo em putrefação pode se tornar o habitat de cerca de 300 larvas.



Três horas após a morte, começa o rigor mortis, que é o endurecimento dos músculos. Após 12 horas, o corpo esfria e dentro de 24 horas (dependendo da gordura corporal e das temperaturas externas) perde todo o calor interno em um processo chamado algor mortis. Depois de 36 horas, o tecido corporal começa a perder sua rigidez e, dentro de 72 horas, a rigidez cadavérica diminui.
Conforme as células morrem, as bactérias dentro do corpo começam a desintegrá-lo. Enzimas no pâncreas fazem com que o órgão se dissolva sozinho. O corpo logo assume uma aparência horrível e começa a cheirar mal. Tecidos em decomposição liberam uma substância esverdeada e gases como metano e sulfeto de hidrogênio. Os pulmões expelem um fluído pela boca e pelo nariz.
Insetos e animais certamente percebem tais sinais. O corpo humano oferece alimento e é um ótimo lugar para depositarem seus ovos. Uma mosca pode se alimentar bem com um cadáver e depois liberar até 300 ovos sobre ele, gerando cria em um dia.



Os gusanos - larvas que nascem destes ovos - são extremamente eficientes e carnívoros. Começando pela parte externa do corpo onde nascem as larvas usam ganchos na boca para sugar os fluídos que escorrem do cadáver. Depois de um dia, as larvas entram no segundo estágio de sua vida, cavando para dentro do cadáver.
Movendo-se em grupo, as larvas se alimentam de carne em putrefação e soltam enzimas que ajudam a tornar o corpo em uma substância pegajosa. O mecanismo de respiração se localiza na extremidade oposta da sua boca, permitindo que coma e respire simultaneamente sem interrupção de tempo. Uma larva em sua fase inicial apresenta 2 milímetros de comprimento, mas quando atinge o terceiro estágio e deixa o corpo como prepupa, pode chegar a 20 milímetros - 10 vezes seu tamanho inicial. Larvas podem consumir mais de 60% do corpo humano em menos de sete dias (fonte: Australian Museum).
O ambiente no qual o corpo está também afeta seu índice de decomposição. Por exemplo, corpos na água se decompõem duas vezes mais rápido do que aqueles enterrados no solo. Esse processo é mais lento embaixo da terra, especialmente se o corpo estiver em terreno argiloso ou protegido por outra substância sólida que impeça o ar de chegar, uma vez que a maioria das bactérias necessita de oxigênio para sobreviver.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Aparelho que liquefaz cadáveres será usado comercialmente nos EUA


Aparelho que liquefaz cadáveres será usado comercialmente nos EUA



Formatos alternativos

Um aparelho que transforma cadáveres em líquido começará a ser operado comercialmente nas próximas semanas na Flórida, Estados Unidos.
Criado pela companhia Resomation Ltd, com sede na cidade escocesa de Glasgow, o aparelho está sendo comercializado como uma alternativa ecológica para a cremação.
A máquina, batizada de Resomator, foi instalada na funerária Anderson-McQueen, na cidade de St. Petersburg, na Flórida. Segundo a funerária, o aparelho deve começar a ser usado nas próximas semanas.
A tecnologia teve de receber aprovação de legisladores na Flórida. Até agora, sete Estados americanos aprovaram o uso o método.
Há expectativas de que outras unidades entrem em funcionamento em breve em outras cidades nos Estados Unidos e também no Canadá e Europa.
Consciência ecológica
O fabricante diz que o método - que, em linhas gerais, dissolve o cadáver em água quente alcalinizada - produz menos gases associados ao efeito estufa do que a cremação, usa um sétimo da energia e permite a retirada de metais poluentes (como aqueles contidos nas obturações dentárias), evitando que eles venham a contaminar o meio ambiente.

Máquina que liquefaz cadáveres (BBC)
Máquina só foi aprovada para uso em sete Estados americanos

Obturações dentárias queimadas em crematórios seriam responsáveis, na Grã-Bretanha, por 16% das emissões de mercúrio do país. Por conta disso, as empresas do setor estão instalando sistemas de filtragem para tentar alcançar metas de emissão.
"(O método) Resomation foi desenvolvido em resposta à crescente preocupação do público com o meio ambiente", disse o fundador da empresa, Sandy Sullivan, à BBC. "Ele oferece aquela terceira opção, que permite às pessoas expressar suas preocupações de forma positiva e, eu acho, pessoal".
O método envolve a imersão do corpo em uma solução de água e hidróxido de potássio. A solução é pressurizada e aquecida a 180ºC durante no máximo três horas.
Todos os tecidos do cadáver são dissolvidos e o líquido é despejado no sistema de esgotos. Sullivan, formado em bioquímica, disse que testes provaram que o líquido resultante é estéril e não contém DNA. Segundo ele, não há riscos para o meio ambiente.
Após a retirada do líquido, os ossos são colocados em uma outra máquina - usada em crematórios convencionais para esmagar fragmentos de osso e transformá-los em cinzas após a cremação.
Nessa fase do processo, mercúrio e outros metais são recuperados.
Promession
Outro método que também se propõe a oferecer uma alternativa ecológica para a disposição de cadáveres é o chamado Promession, criado pela bióloga sueca Susanne Wiigh-Masak.
Nele, o corpo é congelado a -18ºC, depois imerso em nitrogênio líquido a -196ºC e chacoalhado até que se despedace.
Quaisquer metais presentes no cadáver, como obturações dentárias ou próteses, são extraídos e reciclados. Restos orgânicos são jogados na terra, dando continuidade ao ciclo da vida.
O método Promession já está disponível na Grã-Bretanha.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

cuidados com o corpo em decomposição

Temas de IML: cuidados com o corpo em decomposição

Cuidados com corpo em decomposição

Como acontece a decomposição do corpo humano

Apenas algumas horas após a morte, o corpo começa a exalar odores fétidos. No primeiro mês o corpo
em decomposição produz aproximadamente 24 litros de gases.

Segundo os tanatólogos (estudiosos da morte), os gases resultantes da putrefação dos cadáveres são:
- o gás sulfídrico,
- os mercaptanos,
- o dióxido de carbono,
- o metano,
- o amoníaco

Os dois primeiros são os responsáveis pelos maus odores.
A decomposição ou putrefação (apodrecimento) de um corpo compreende várias fases.

Decomposição
Bactérias, vermes e até substâncias produzidas por nós mesmos dão início ao fim. O cadáver vai ficando
escuro e inchado, a pele e os órgãos se desfazem e o cérebro vira um caldo. Depois de algum tempo, 
não sobra quase nada. A decomposição acontece em duas frentes.

A primeira: o próprio corpo se decompõe. "Quando alguém morre, a oxigenação pára de acontecer e o
organismo se desequilibra. Minerais como o sódio e o potássio, importantes para o metabolismo, deixam
de ser produzidos. Com isso, as células se desestabilizam e passam a digerir o próprio corpo", diz o 
fisiologista e professor de medicina legal Marco Aurélio Guimarães, da Universidade de São Paulo (USP).
Ao mesmo tempo, bactérias famintas também entram no banquete. As primeiras a avançarem na carne 
são as da flora intestinal e da mucosa respiratória, que já vivem no organismo. Para continuarem vivas, 
essas bactérias invadem os tecidos e os devoram.
Depois disso, as bactérias do ambiente deixam o cadáver irreconhecível. O suculento resto fica para
insetos.

Neste contexto Vem algumas dicas que usamos no IML pra enfrentar o odor forte e os vermes e insetos 
que infestam o cadáver.
• Quem primeiramente examina o corpo são os peritos e colhem resquícios e dados investigativos.

• Depois disso no IML é que se termina os exames com a necropsia. Neste ponto temos que retirar e 
guardar as vestes.
• Em seguida vamos lavar o cadáver com água abundante retirando o vermes e insetos e ao mesmo 
tempo observando lesões e perfurações de tiros ou faca.

• Em seguida com autorização do legista, pegue coloque meia tampa de óleo de pinho concentrado num
balde grande de água e vá lavando mais e retirando os vermes e insetos da área que será manipulada.
O Cheiro do óleo de pinho vai odorizar todo o ambiente e ameniza muito o odor fétido do cadáver. 
O cheiro que fica é bem suportável e pode-se trabalhar melhor.

fonte: http://anatomistaenecropsista.blogspot.com.br/2012/04/temas-de-iml-cuidados-com-o-corpo-em.html

CALCULO DE INTERVALO POSMORTEN (IPM)

A estimativa de IPM pelo método entomológico visa estabelecer o tempo, mínimo e máximo, entre a morte e o encontro do corpo. O limite máximo de tempo é estabelecido pela coleta dos espécimes e a análise do seu padrão de sucessão nos corpos, desde que sejam correlacionados às condições ambientais do local de exposição e todos os fatores que podem atrasar a chegada dos insetos e a colonização. O limite mínimo de tempo é estabelecido, por exemplo, pela idade dos espécimes coletados nos cadáveres, portanto o espécime mais velho corresponde ao menor intervalo entre a colonização e a descoberta do corpo.     

ESTIMATIVA DO LIMITE DE TEMPO MÁXIMO DE IPM
A estimativa de limite de tempo máximo de IPM é aplicada a cadáveres em adiantado estado de decomposição, baseada na composição da comunidade de artrópodes relacionados ao padrão de sucessão esperado (GOFF & FLYN, 1991). Estudos do processo de decomposição cadavérica, relacionados ao padrão com que as espécies entomológicas se sucedem nos corpos, têm sido conduzidos por todo o mundo, desde o célebre trabalho de MÉGNIN, 1894. Contudo, esses padrões de sucessão não podem ser aplicados em estudos de IPM no Brasil visto que, o nosso clima, além de favorecer o surgimento de espécies tropicais, diferentes daquelas típicas de ambiente temperado onde a maior parte dos estudos é conduzida,  acelera o processo de decomposição cadavérica.
O estudo de decomposição de MÉGNIN (op. cit.) durou cerca de três anos, enquanto que no Brasil, dependendo das condições, um cadáver exposto pode alcançar a fase de esqueletização em menos de 10% desse tempo. Recentemente, alguns estudos têm sido conduzidos no Rio de Janeiro e São Paulo para estabelecer um banco de dados (SALVIANO et. al., 1996; OLIVEIRA-COSTA, 2000; CARVALHO et. al., 2000; OLIVEIRA-COSTA et. al., 2001).
Um formato comum à maioria dos estudos de sucessão de artrópodes no processo de decomposição em carcaças animais ou humanas foi a tentativa de subdividir todo o processo de decomposição dentro de estágios integrados, cada um com características  e reunião de artrópodes próprias. Desta forma, o processo de composição é dividido em fases de acordo com as características físicas, químicas e morfológicas da carcaça e, a cada fase, é associado um grupo diferente de insetos.

  SCHOENLY & REID (1987) quantificaram como estatisticamente incerta a sucessão baseada nas fases de decomposição, visto que, até então não havia sido feita nenhuma análise estatística que comprovasse que as fases de decomposição apresentam diferenças significativas quanto à fauna encontrada. Em 11 trabalhos de análise do padrão de sucessão foi testada se a similaridade entre dias consecutivos, dentro de um mesmo estágio, foi maior que a registrada entre estágios diferentes. Destes, apenas 5 estudos revelaram agrupamentos reconhecíveis representando discreta correlação, contudo nenhum destes suportou completamente o ponto de vista baseado na sucessão por estágios de decomposição. Assim, esses autores afirmaram que a divisão em estágios pode ter valor descritivo em estudos de decomposição, mas Peritos Criminais e Médicos Legistas, bem como entomólogos e antropólogos forense devem ser alertados pela inadequação de seu uso para  investigações do padrão de sucessão.
Baseado na conclusão desses autores, eu desenvolvi um método de levantamento do padrão de sucessão denominado “método das unidades de tempo (U.T.s)”. Neste método,  que não leva em consideração as fases da decomposição, o intervalo de tempo é dividido em unidades de amostras de tempo-específico (U.T.s) correspondentes a estimativa de IPM realizada através dos métodos usuais de cronologia, especialmente, o relatório policial de investigação. O método é descrito em detalhes no meu livro (OLIVEIRA-COSTA, 2003) 

ESTIMATIVA DO LIMITE DE TEMPO MÍNIMO DE IPM
A estimativa de limite de tempo mínimo de IPM é aplicada a cadáveres em estado inicial de decomposição. Este método é feito pela interpolação dos dados da evolução do desenvolvimento de espécies criadas em temperatura conhecida com o mais velho estágio larvar coletado no cadáver e as condições ambientais que eles estariam supostamente expostos. As larvas mostram o mínimo de tempo em que o corpo foi exposto, em condições apropriadas, para atividade de insetos, já que, raramente, insetos necrófagos ovipõem em uma pessoa viva (TANTAWI & GREENBERG, 1993).
Os insetos imaturos encontrados, no local de morte violenta, devem ser cuidadosamente coletados e criados em laboratório até a emergência dos adultos para que a identificação das espécies possa ser feita com maior segurança. Os fatores climáticos que podem influenciar no desenvolvimento dos insetos devem ser mensurados e registrados. A temperatura, além de influenciar o processo de putrefação dos corpos, interfere diretamente com a atividade dos insetos e sua velocidade de desenvolvimento. Isto é explicado pelo fato de que os insetos são animais de sangue frio necessitando de fontes de calor externas, só sendo ativos em uma certa extensão de temperatura que ocorre dentro dos limites do limiar superior e inferior, requerendo uma soma de calor acumulado para completar o seu desenvolvimento (EDWARDSet. al., 1987).
É possível calcular o  IPM através do comprimento total da larva, porém deve ser considerado o encurtamento sofrido pelo imaturo ao se aproximar a pupação, que se não for considerado pode induzir a erro. Outros fatores que influenciam o comprimento são as condições em que essas larvas foram criadas (condições climáticas, recursos alimentares, competição, etc). Por esta razão, um método melhor é aquele que utiliza conceitos de desenvolvimento expressos em unidades que se denominam graus-dia. Estes conceitos revelam qual o valor térmico requerido pelo inseto para completar seu desenvolvimento, a medida desse calor acumulado é conhecida como tempo fisiológico. Os insetos, como foi citado acima, possuem uma temperatura ótima de desenvolvimento (entre os limiares).  O GHA/GDA não é mais do que a temperatura acumulada entre esses dois pontos de parada, isto é, a temperatura adequada para seu desenvolvimento em uma base horária. Acredita-se que o GHA/GDA requerido para alcançar um outro estágio do ciclo de vida seja, geralmente, constante para a maioria dos dípteros,  sem levar em consideração que este tenha sido obtido em temperatura constante ou variável.



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CLINICA TANATUS Cuidados Pós Morte

HISTÓRIA DO IML DO DISTRITO FEDERAL

Em 1955, com a aprovação do Regulamento Geral do Departamento Federal de Segu­rança Pública (DFSP), a Divisão de Policia Técnica — DPT foi organizada da seguinte forma:

• Delegacia Especial de Polícia;
• Instituto de Criminalística;
• Instituto Médico-Legal;
• Instituto Félix Pacheco;
• Serviço Fotográfico;
• Escola de Policia;
• Seção de Administração.

O Instituto de Medicina Legal - IML, funcionava no Rio de Janeiro com o nome de Instituto Médico-Legal. A ele competia a prática de perícias médico-judiciárias do DFSP e da Justiça, bem como a realização de investigações científi­cas relativas à medicina legal. Sua estrutura compreendia:

• Seção de Clínica Médico-Legal;
• Seção de Necropsias;
• Seção de Perícias de Laboratório;
• Seção de Administração.

À Seção de Clínica Médico-Legal cabia a realização dos exames que se referissem às especialidades dos médicos legistas (clínicos,estomato-oftalmo-otorrinolaringologistas e neuropsiquiatras), como também às atividades de perícia médico-legal em locais suspeitos de crime e a orientação para as provas fotográficas necessárias às Seções Técnicas.

À Seção de Necropsias cabia a realização das perícias de necropsia; dos exames externos de cadáveres; das colheitas, em todas as necropsias, de material para os exames na Seção de Perícias Laboratoriais e da administração das salas de necropsias.

Seção de Perícias de Laboratório cabia a realização das perícias que se referissem à histopatologia, bacteriologia, sorologia, hematologia, bioquímica e pesquisas de manchas;

Perícias toxicológicas;

Perícias radiológicas (até mesmo nos cadáveres); preparação e conservação de peças anatômicas em natureza e em cera ou desenhos para o “Museu de Medicina Legal”.

A Seção de Administração cuidava de tudo o que se referisse a pessoal,material, orçamento e relações administrativas. Em janeiro de 1956, o IML sofreu algumas alterações em sua estrutura, passando a ter a seguinte organização:

• Seção de Clínica Médico-Legal;
• Seção de Necropsias;
• Seção de Anatomia Patológica e Histologia;
• Seção de Radiologia;
• Seção de Toxicologia;
• Seção de Administração;
• Zeladoria.

2 - A MEDICINA LEGAL EM BRASÍLIA:

Em 1957, foram efetuados em Brasília os primeiros registros de atividades médico-legais, onde um laudo de necropsia estava reduzido a meras informações de idade, causa da morte, data e local do óbito, como se vê abaixo:

Registro 1.Vítima: Benedito Xavier da Silva — idade 45 anos, data do óbito: 20 de abril de 1957. Local: Acampamento do Guará. Causa Mortis: colapso cardíaco. Sepultado em: Formosa, GO.
Os procedimentos legais quanto ao óbito eram efetuados em Planaltina ou em Luziânia, onde os cadáveres eram sepultados.
Até 1957, os mortos encontrados além do córrego Vicente Pires (Núcleo Bandeirante) eram levados para Luziânia (GO) e os do lado de cá (rumo ao Plano Piloto) eram levados para Planaltina uma vez que ainda não havia polícia judiciária no que seria o DF.
O IML começou a funcionar em Brasília em nível informal e muito precariamente. Em meados de 1957, findavam-se as obras do “Hospital Craveiro Lopes”, no Núcleo Bandeirante.
Segundo o relato abaixo, naquela época ocorreu o primeiro caso de Traumatologia Forense, quando um motorista, ao ver o caminhão desgovernar-se, saltou e teve a perna esmagada, e, logo depois, amputada naquele hospital (que nem mesmo havia sido inaugurado) “por uma equipe médica improvisada, mas de alta qualidade técnica”.
O primeiro caso que chamo de Traumatologia Forense foi o de um português.
Ele despencou de uma ladeira que tinha na cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante.
(...). Ali, o caminhão sem freios tombou. Ao saltar, uma das rodas passou sobre a sua perna. (....) A perna dele estava tão ruim que nem sentia mais pulso nos dedos. (...). Não havia sido inaugurado o hospital e nem havia condições cirúrgicas. Se mandasse para Goiânia, era longe e morreria (...) Não havia anestesista. Ensinei um pediatra noções de anestesia e expliquei como deveria ir fazendo. Observando as pupilas, acabei amputando a perna do rapaz, o que me causou uma grande insatisfação. Foi uma coisa de campanha. Era como se estivéssemos numa guerra civil. Esse eu considero o primeiro caso de medicina legaL Não havia IML como tal. Eu fiz o papel de médico legista. Nessa época o médico legista tinha que ser nomeado por um juiz ou um delegado. Eu estava agindo como cirurgião, salvando uma vida, mas praticamente qualquer coisa que eu fizesse era um laudo médico-legal, e tinha valor (...) Ao lado do Hospital, que era de madeira, foi construída uma sala também de madeira que constituiu-se, de fato, o primeiro IML do Distrito Federal.
Os laudos eram solicitados verbalmente pela Polícia, na época, denominada GEB. (...) Começaram a aparecer aventureiros se passando por médico. Um destes que se dizia endocrinologista chegou a tratar do Juscelino (Presidente JK).
Depois descobriu-se que ele era laboratorista (...) Houve casos de se chamar um clínico que não tinha conhecimento de medicina legal e colocava para fazer uma necropsia de baleado, e fazia uma salada entre orifícios de entrada e saída, confundindo o número de projetis.
Em 18 de junho de 1959, o IML foi criado oficialmente em Brasília. Era subordinado à Divisão de Polícia Técnica do Departamento Federal de Segurança Pública — DFSP.
Já em abril de 1960, o laudo de necropsia obteve discreto aperfeiçoamento, incorporando dados de identificação, como: nome dos pais, assinatura do médico e local de nascimento.
O Dr. Ubiratan Ouvinha Peres foi o primeiro Diretor do IML. As condições de trabalho eram tão precárias (inexistência de auxiliares; falta de água, sabão, e energia elétrica), que o próprio Diretor se recusou a fazer uma necropsia naquelas condições. Advertido pelo Delegado de Plantão, demitiu-se do cargo. Por falta de uma legislação específica, o Legista era designado a título precário, por exemplo: Designo, a título precário, o Dr. Solon de Mello e Silva, Chefe do Gabinete Médico Legal, em substituição ao Dr Alberto P. Cardoso, a partir desta data, a fim de prestar serviços a este Departamento como médico legista, realizando perícias médicas, exames cadavéricos e outros serviços, mediante o pagamento da importância de Cr$ 15.000,00 (...). Designo, a título precário, o Perito do Gabinete Médico-Legal, Dr. Célio Menicucci, mediante o pagamento mensal da importância de Cr$ 10.000,00.(...) Os primeiros legistas nomeados foram Armando José de Carvalho, Antônio Bouex, Ubiratan Ouvinha Peres, lsaac Barreto Ribeiro, Solon de Mello e Silva, Hélcio Luiz Miziara e Manuel Cregor.(10) Em 1960, ocorreu um grave soterramento na “Construtora Pederneiras, com sete mortos e, por falta de mesa de necropsia, foram necropsiados pelo Dr. Isaac Barreto Ribeiro ali mesmo no chão do IML durante a madrugada”. Naquela época ainda não existiam modelos próprios de laudos, os quais eram transcritos em livro próprio, e, depois, eram datilografados. Abaixo, uma transcrição do termo de abertura do Livro de Registro de Óbitos:

IAPI — O presente livro, que contém duzentas folhas, tipograficamente numeradas.., e rubricadas.., servirá para o registro de óbitos ocorridos nesta capital e constatados pelo Gabinete Médico-Legal do Departamento Federal de Segurança Pública. Arquelau Augusto Gonzaga, Diretor do Sv. De PM/DFSP.
Em 1961, já havia modelos de laudos mais modernos, com as seguintes características: modelo próprio (impresso) contendo os quesitos a serem respondidos e tendo ao cabeçalho a nomenclatura Ministério da Justiça e Negócios Interiores e Departamento Federal de Segurança Pública; os legistas eram nomeados pelo Delegado, que também assinava o laudo. Em novembro de 1961, o Chefe de Polícia extinguiu a Divisão de Polícia Técnica e criou a Divisão de Polícia Científica, integrando no DFSP a Superintendência da Polícia Metropolitana, composta dos seguintes Órgãos: Superintendência, Setor Urbano, Setor Rural, Divisão de Polícia Científica, que abrangia o Instituto de Criminalística - IC, o Instituto de Identificação — II, e o Instituto Médico-Legal — IML.
Em 13 de março de 1962, foi extinta a Divisão de Polícia Científica e criada a Superintendência de Polícia Técnico-Científica.
Em 18 de abril de 1962, aconteceu a inauguração da nova sede do IML, instalada no Setor Policial Sul, com uma sala de necropsia, uma câmara frigorífica com 6 gavetões, recepção, sala de repouso do médico de plantão e sala do Diretor. Era então Superintendente da Polícia Técnica e Científica o Dr. Antônio Carlos Villanova. O Chefe de Polícia do DFSP era o Tenente-Coronel Carlos Cairoli. Naquela ocasião, Villanova fez o seguinte discurso:
“...Na missão que recebemos, o trabalho a executar, é ainda dos mais árduos, pois estamos ainda apenas no começo, como Brasília, que ainda não completou seus dois anos de idade e, para assegurar à Capital da República a primazia nacional e mesmo panamericana no terreno da polícia técnica, não basta o formidável equipamento de que estaremos dotados até o fim do corrente ano.
A partir de 1963, os laudos de exame começaram a apresentar um modelo próximo do atual: no cabeçalho consta a nomenclatura Instituto Médico-Legal do Departamento Federal de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Negócios Interiores; os Legistas passam a ser nomeados pelo Diretor do IML; exige-se assinatura de dois Legistas; desaparece a assinatura do Delegado.
Em setembro de 1963, já constava solicitação de exames de Verificação de Idade e de Conjunção Carnal. Em novembro de 1964, o DFSP passou por uma reorganização, e foi criada a Divisão de Polícia Técnica, subordinada à Polícia do Distrito Federal — PDF.
Em junho de 1965, foi aprovado o Regulamento Geral do Departamento Federal de Segurança Pública. A Divisão de Polícia Técnica ficou composta de:
• Secretaria;
• Instituto de Medicina Legal;
•Instituto de Criminalística;
• Instituto de Identificação;
• Serviço Fotográfico;
• Setor Escolar.

O IML realizava perícias de natureza médico-legal requisitadas pelas autoridades policiais, judiciárias, administrativas ou órgãos do Ministério Público; e ainda desenvolvia pesquisas científicas relacionadas com a medicina legal.
Era composto de:
Perícia no Vivo;
Perícia no Morto;
Perícia de Laboratório;
e Seção Administrativa.

A Seção de Perícia no Vivo, chefiada por um Médico-Legista, cabia realizar perícias em lesões corporais, exames complementares, de conjunção carnal, de estupro, de atentado ao pudor, de verificação de idade, de aborto e puerpério, de embriaguez, de sanidade física e mental e de infortunística do trabalho. Além disso, realizava também os exames de aptidão física para habilitação de motoristas profissionais ou amadores.

A Seção de Perícia no Morto tinha a atribuição de estabelecer a causa determinante do óbito, em seu duplo aspecto: clínico e jurídico. Podia também realizar embalsamamento. A Perícia de Laboratório compreendia: Seção de Toxicologia, Setor de Anatomia Patológica e Microscópica, Seção de Raios X e Setor de Fotografias.

Em março de 1967, foi criada a Secretaria de Segurança Pública do DF, em cuja estrutura foi inserido o Departamento de Polícia Técnica.
Em agosto desse mesmo ano, foi estabelecida a estrutura e competência básica dos órgãos que lhe eram subordinados, compreendendo:
• Divisão de Criminalística;
• Divisão de Identificação;
• Instituto de Medicina-Legal;
• Divisão Escolar.

Ainda em 1967, foi realizado o primeiro concurso público para Médico-Legista, com 10 vagas, sendo que 8 dos aprovados assumiram imediatamente e 2, um ano depois. Tal concurso, um marco na história da medicina legal, “por ser o primeiro; por ampliar o quadro e pela qualidade profissional dos novos legistas”.

Os 10 candidatos aprovados no 1º concurso público para Médico-Legista foram:

Edmundo Souza, Hermes Rodrigues de Alcântara,
Jofran Frejat, Lúcio Afonso Campello, Márcio Baun di Domenico, Wilson Campos de Miranda, José Maria Rodrigues de Moraes, Euler Costa Vidigal, Ozerides Pedro Graziani e José Felipe dos Santos.

Em 30 de setembro de 1968, o Prefeito do Distrito Federal, Wadjô da Costa Gomide, aprovou o Regimento da Secretaria de Segurança Pública, O Departamento de Polícia Técnica foi constituído de Seção de Expediente e Arquivo, Divisão de Criminalística, Divisão de Identificação, Instituto de Medicina Legal, e Central de Operações. O Instituto de Medicina Legal ficou assim organizado:
• Perícias no Vivo;
• Perícias no Morto;
• Perícias de Laboratório.

O IML “sempre primou por ser um órgão independente. Seus laudos eram confeccionados sem parcialidade e sem interferência de terceiros”.
“Em 1970 a época era dura. Período do Governo Médici. Era uma época em que todo mundo tinha medo. De vez em quando chegavam lá problemas de tudo quanto é ordem: presos políticos, elementos torturados com ponta de cigarro. E tudo isso era narrado no laudo. Era preciso ter muita coragem para tomar tais decisões...”
Em outubro de 1972, durante o Governo de Hélio Prates da Silveira, foi alterado o Regimento da Secretaria de Segurança Pública. O Departamento de Polícia Técnica passou a ser denominado Coordenação de Polícia Técnica, constituída pelo Instituto de Criminalística, Instituto de Identificação e Instituto de Medicina Legal, este com as seguintes seções: Expediente e Arquivo, Perícias no Vivo, Perícias no Morto e Laboratório. Foi incluída como função da Seção de Perícia no Vivo a verificação de paternidade.
Em 1975, no Governo Elmo Serejo, foi aprovado novo Regimento da Secretaria de Segurança Pública. O IML passou a ter a seguinte estrutura:

• Divisão de Perícias Médico-Legais:
Seção de Perícias no Vivo;
Seção de Perícias no Morto;
Seção de Laboratório.

• Divisão de Administração:
Seção de Material e Transporte;
Seção de Conservação;
Seção de Comunicações.

Ao Instituto de Medicina Legal, sob novo Regimento, cabia dirigir, coordenar e controlar a execução das competências das Divisões de Perícias Médico-Legais e de Administração; elaborar e propor normas sobre perícias médico-legais, exames complementares e programação anual de trabalho dos órgãos subordinados.
Em 16 de dezembro de 1978, o Congresso Nacional homenageou o Professor Leonídio Ribeiro, ao dar o seu nome ao Instituto de Medicina Legal, que passou a denominar-se Instituto de Medicina Legal Leonídio Ribeiro — IMLLR. Tratava-se do emérito Professor do IML do Rio de Janeiro, que veio duas vezes daquele Estado lecionar para os médicos do IML de Brasília.
Em julho de 1984, foram criadas na Divisão de Perícias Médico-Legais a Seção de Toxicologia e Análises Clínicas e a Seção de Histologia.
À Seção de Toxicologia e Análises Clínicas coube a realização de exames periciais de tóxicos em geral, em líquidos orgânicos, em vísceras (para determinação de envenenamento e pesquisas de drogas de ação psicotrópica), em alimentos e outras substâncias, visando determinar todas as formas de intoxicações, tais como: agudas, crônicas, acidentais, alimentares, iatrogênicas, profissionais, ambientais, endêmicas, sociais, genéticas, suicidas, ácidas, etc. Efetuava ainda exames toxicológicos em fluidos orgânicos (para determinação e isolamento de drogas de ação psicotrópica); exames imunológicos, bacterioscópicos, bacteriológicos, hematológicos, bioquímicos; além de realizar a identificação de pelos humanos e pesquisa de espermatozóides em esfregaços vaginais e em peças de vestuários.
À Seção de Histologia coube efetuar exames em fragmentos de órgãos retirados de cadáveres durante a necropsia; examinar lâminas ao microscópio (elaborando-se o laudo correspondente); comparar os achados histológicos com os achados microscópicos (propiciando a elaboração do laudo final); fazer microfotografias quando necessário; orientar os legistas nos casos de morte natural e preparar as peles para macrofotografia; fazer estatísticas dos achados anatomopatológicos, divulgando-os aos Órgãos competentes.
Em julho de 1993, foi alterado o nome da carreira de Médico-Legista para Perito Médico-Legista.
Em 1995, o Instituto de Medicina Legal funcionava com a seguinte estrutura:

• Direção;
• Divisão de Perícias Médicas:
• Seção de Perícia no Vivo:
• Perícias internas;
• Perícias externas;
• Seção de Perícias no morto:
• Laboratório de Antropologia Forense;
• Raios-X;
• Seção de Psicopatologia Legal;
• Sistema Integrado de Verificação de Óbito;
• Laboratório;
• Núcleo de Estudos e Pesquisa;
• Serviço de Apoio
• Administrativo:
• Protocolo;
• Datilografia de Laudos;
• Arquivo;
• Transporte.

A partir de 2001, o IML iniciou o processo de informatização, sendo a digitação feita pela Seção de Digitação de Laudos. Em 2002, a informatização aprimorou-se, quando os próprios peritos médico-legistas passaram a digitar seus laudos, os quais, através do sistema Millenium, que integra a Intranet da Polícia Civil do Distrito Federal, passaram a ficar disponíveis on-line para as delegacias após sua homologação.

3- DIRETORES DO IML

• Ubiratan Ouvinha Peres (*)
• Armando José de Carvalho (12/10/61 a 13/12/61)
• José João Comini (14/12/61 a 12/11/62)
• João Ferreira da Silva (13/11/62 a 23/12/63)
• José João Comini (24/12/63 a 4/11/66)
• José Felipe dos Santos (5/11/66 a 21/5/68)
• Lúcio Afonso Campelo da Silva (22/5/68 a 27/8/68)
• Edmundo Souza (28/7/68 a 2/3/70)
• Jofran Frejat (9/3/70 a Dez/1970)
• Donato Rispoli Borges (Dez/1970 a Jan/1971)
• Sávio Pereira Lima (21/1/71 a 24/9/71)
• Jofran Frejat (14/11/73 a 29/3/79)
• José Maria Rodrigues de Moraes (24/4/79 a 16/4/85)
• Milton Rodrigues da Paixão (17/4/85 a 31/1/89)
• Márcio Baum Di Domenico (1/2/89 a 7/12/90)
• Abelardo de Oliveira Brito (17/1/91 a 7/3/94)
• Paulo de Tarso Mendes Diniz ( 8/3/94 a 13/3/95)
• José Eduardo da Silva Reis (14/3/95 a 10/2/99)
• Ricardo Cortes de Oliveira (11/2/99 a 11/5/99)
• Simone Correa Rosa ( 02/06/99 a 27/09/99)
• Paulo de Tarso Mendes Diniz ( 28/9/99 a 29/8/2001)
• Cristiane Alves Costa (30/8/2001 a 25/5/2004)
• José Flávio de Souza Bezerra (26/05/2004 a 03/02/2009)
• Malthus Fonseca dos Santos (atual)

(*) Não encontrado registro oficial, apenas citação no depoimento do Dr. Isaac Barreto Ribeiro.

Citações bibliográficas :

(1) Decreto n º 37.008, 8/3/1955. DOU, 9/3/55.
(2) O Museu de Medicina Legal constituía-se de um acervo de peças anatômicas de interesse científico.
(3) Decreto n º 38.710, 28/1/56 — DOU.
(4) Livro de Registro do IML, Arquivo público da Novacap.
(5) 0 Livro de Registro de óbitos ( 2/4/57 a 21/4/59 ). consta que no mês de fevereiro de 1958 ocorreram 11 óbitos, todos sepultados em Luziânia (GO).
(6) Aidano José Faria (depoimento: novembro/1995).
(7) Hospital Craveiro Lopes recebeu este nome por homenagem de Juscelino Kubitschek a um embaixador português que visitava o canteiro de obras de Brasília.
(8) A equipe médica era composta por: Dr. Isaac Barreto Ribeiro (cirurgião); Dr. Edson Porto (anestesista); e Dr. Cláudio Costa (laboratorista).
(9) Dr. lsaac Barreto Ribeiro (Depoimento, 19/11/94). (10) Isaac Barreto Ribeiro (novembro/1994). Decreto nº 46.237. 18/6/59. Livro de Laudos do IML. Boletim Interno n 0 21, 11/8/1960 - PolIcia Metropolitana.
(11) Portaria n º 224, 21/10/61 — DFSP. Livro do IML, Arquivo Público da NOVACAP.
(12) Portaria n º 28, 1º/11/61 — DFSP. Boletim Interno nº 225, de 1º/11/1961 — DFSP. O Dr. José João Cominj é nomeado Diretor do IML em 3/12/61. Isaac Barreto Ribeiro (Depoimento, novembro/1994).
(13) Portaria nº 18, 12/3/62 — DFSP.
(14) Portaria nº 224, 21/10/19661 — DFSP. Boletim Interno nº 76, 18/4/62 — DPSP.
(15) Lei n º 4.483. 16/11/64 — DFSP.
(16) Decreto n º 56.510, 28/6/1965 — DOU.
(17) Decreto n º 56.511, 28/6/65 — DOU.
(18) Decreto n º 315, 13/3/67 — DOU.
(19) Decreto n º 645, 21/8/67 — DODF.
(20) Decreto n º 825, 30/9/1968 — DODF
(21) Jofran Frejat, ex-Diretor do IML (Depoimento, 21/11/94).
(22) Decreto n º 2.868, 25/3/75 — DODF. Aimé Alcebíades Lamaison.
(23) Lei n º 6.506, 16/12/78 — DOU. Lúcio Afonso Campelo da Silva (Depoimento, 21/11/94).
(24) Decreto 8.082. 17/7/84 — (DODF. Foram criadas também no IML a Divisão de Administração e as Seções de Material e Transporte, Comunicações, Conservação e Laboratório).
(25) Lei nº 8.674, 6/7/93.

BIBLIOGRAFIA :

HISTÓRIA DA POLÍCIA CIVIL DE BRASÍLIA

- ASPECTOS ESTRUTURAIS (1957 a 1995 ) ; Academia de Polícia Civil do DF,

Brasília - DF, 1998.

FONTE PESQUISA:

http://www.pcdf.df.gov.br/pgUnidadesPoliciais/pgInstitutoMedicinaLegal

RISCOS EM SALAS DE TANATOPRAXIA

O risco de Tuberculose em profissionais de necropsia e tanatopraxia

Autor: Sergio Ricardo Honorio

Biossegurança na area de necropsia e pós-necropsia

A proteção da saúde do trabalhador fundamentava-se basicamente na Lei Federal

6514 de 22/12/1977 (que alterou o capítulo V, título II da Consolidação das Leis do

Trabalho aprovada pelo Decreto Lei 54522 de 1/5/1943). Mais recentemente, tem sido

motivo de preocupação e discussão nas várias esferas governamentais, encontrando

amparo em legislações específicas: a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080 de 19/9/1990)

cita textualmente a saúde do trabalhador no âmbito do Sistema Unificado de Saúde

(SUS) em seu art. 6º, parágrafo 3º.

A doença proveniente de contaminação acidental do empregado, no exercício

de sua atividade, é prevista em lei. Ex.: se um funcionário de hospital, responsável

pela triagem de pacientes, entre eles portadores de doenças infecto-contagiosas,

eventualmente contrair tuberculose, a hipótese estará coberta pelo seguro infortunístico,

ou seja, presume-se que a tuberculose tenha sido adquirida no hospital ou serviço de

saúde e o profissional terá direito aos benefícios previstos em lei.

Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, é a bactéria que provoca a maioria dos casos de tuberculose. Foi descrita pela primeira vez em 24 de março de 1882 por Robert Koch.

Ela é uma micobactéria BAAR (bactéria álcool ácido resistente), parasita intracelular, aeróbia obrigatória, que se divide a cada 16-20 horas. Este é um tempo relativamente longo comparado a outras bactérias que normalmente tem suas divisões contadas em minutos Ela é um pequeno bacilo, fino e encurvado, imóvel, em forma de bastão que pode resistir a desinfetantes fracos e ao ácido gástrico e pode sobreviver em estado latente por semanas e apenas consegue se desenvolver quando se hospeda num organismo.

Como surge esta via de transmissão. Ocorre pelo ar, com aerossóis de particulas liquidas ou solidas em suspensão aérea. Estas suspensões podem conter microorganismos da tuberculose e outros mais. Estes poderão ser inalados no tranalho forense ou nos cuidados pós-necropsia como embalsamamento.

Estudos recentes apontam que durante o acompanhamento de uma necrópsia o risco de infecção não deve ser subestimado. Na sala de necropsia existem restos biológicos como sangue e fraguimentos de vísceras que ficam impregnados em cantos da sala e de materiais usados.

De fato, há relatos tanto da presença do

M. tuberculosis, ainda viável, em vários pontos

da sala de necropsia após 24 horas do

(para revisão vide Burton JL).

Existem episódios de infecção após

a exposição, por 10 minutos, a um cadáver.

Mesmo cadáveres embalsamados podem

apresentar o M. tuberculosis viável por até

60 horas após o embalsamento.

O embalsamador é mais em risco da sala de embalsamamento para a criação de aerossóis no ambiente, porque a bactéria que causa a tuberculose é aeróbio no ar. As partículas criadas facilmente por restos humanos. A simples expulsão de ar ou ventilação pode criar

partículas poderoso aeróbio suficiente para impulsionar a TB ao ar

ambiente. Por embalsamamento elchapoteo criado quando o

esvazia drenam para o dreno é a principal causa de bactérias

aeróbias no vestiário.

Segundo o New England Journal ofMedicine relata que um agente funerário embalsamado contraiu tuberculose com um caso de HIV / TB positiva apenas com a respiração aeróbia. Possivelmente sem uso devido de EPIs(equipamentos de proteção individual).

A probabilidade de transmissão da tuberculose depende de vários

fatores:

o nível de contaminação da fonte,

a intensidade da exposição a essa fonte e do ambiente em que ocorreu a exposição.

Um germe resistente da tuberculose.

A bactéria da tuberculose tem sido isolado em vários lugares em um anfiteatro de 24 depois da necrópsia.

A prevenção esta no uso de EPIs, higienização dos materiais, limpeza constante da sala de necropsia e ou tanatopraxia.

http://www.artigonal.com/medicina-artigos/o-risco-de-tuberculose-em-profissionais-de-necropsia-e-tanatopraxia-2200178.html

Perfil do Autor

Sou ex tecnico de necropsia. Após 15 anos de experiencia na area, atualmente dou aulas conceituais de necropsia. Tambem escrevo artigos em varios sites.

O órgão vomeronasal e a atração sexual

Estudos têm demonstrado que a maior parte das espécies de vertebrados tem um órgão situado na cavidade nasal denominado órgão vomeronasal (OVN). A finalidade do OVN parece ser exclusivamente a de detectar sinais químicos – os ferormônios - envolvidos no comportamento sexual e de marcação de território. Os ferormônios distinguem-se dos hormônios, porque estes são liberados internamente e exercem influência sobre o metabolismo do indivíduo, enquanto que os ferormônios são liberados externamente, com atividade sobre indivíduos da mesma espécie.

Quanto à estrutura química dos ferormônios sexuais, verifica-se a existência de composição muito diversificada, variando a sua natureza com as diferentes espécies. Já foram identificados sob as formas de derivados de ácidos graxos ou terpenos, álcoois, acetatos, hidrocarbonetos (freqüentemente insaturados, com uma ou duas ligações duplas), substâncias aromáticas com grupos funcionais diversos, etc. A maioria deles é constituída por moléculas simples e de peso molecular relativamente baixo.

O OVN humano consiste de duas pequenas bolsas de 2 mm de profundidade, cerca de 1 cm a partir das narinas, abrindo-se em pequenas cavidades ocas com pequenos orifícios em seus centros, de cerca de 0,1 mm de distância. Só para comparação: o OVN do elefante tem 20-25 cm de comprimento!

Imagem: www.cf.ac.uk/biosi/staff/jacob/ teaching/sensory/pherom.html, traduzida

Qual é o segredo da atração? Filósofos, biólogos, sexólogos, antropologistas e outros têm debatido bastante esta questão. Dependendo do ponto de vista, existem muitas respostas, mas nenhuma é única. Uma das mais antigas atrações é provocada pelo cheiro. Tanto os humanos quanto os animais exalam quantidades sutis de ferormônio, detectável (inconscientemente por humanos) pelo sexo oposto, o qual desencadeia uma resposta específica em um parceiro potencial. Dessa forma, para alguns, o amor não começa quando os olhares se encontram, mas sim um pouco mais embaixo, no nariz. "Há circuitos que vão do olfato até o cérebro e levam uma mensagem muito clara: sexo". Nos homens e mulheres, este odor é liberado através das glândulas apócrinas, localizadas nas axilas, ao redor dos mamilos e na virilha. (estes odores não são desagradáveis como o suor). As secreções apócrinas começam na puberdade com o desenvolvimento sexual e são diferentes entre os dois sexos.

Quando o anatomista Dr. David Berliner estava pesquisando a composição da pele humana, observou que, quando deixava abertos frascos contendo extratos de pele, os sentimentos dele e das pessoas à sua volta pareciam mudar - tornavam-se mais cálidos e amistosos. Esses sentimentos diminuíam se os frascos eram tampados. Essas descobertas levaram-no a investigar o potencial que as diferentes substâncias têm para estimular o órgão do "sexto sentido", o OVN, e a pesquisar o uso de ferormônios como perfumes, de modo a dar à natureza uma "mãozinha" no campo dos romances.

Durante o último encontro anual da Sociedade Britânica de Psicologia, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Northumbria, em Newcastle-upon-Tyne, anunciou o resultado de um estudo sobre a influência dos ferormônios na capacidade de atração sexual. O estudo baseou-se na projeção de fotografias de homens para diferentes grupos de mulheres, que avaliavam cada um segundo seu sex-appeal. A classificação "atraente" era mais freqüente quando os cientistas borrifavam o ambiente com ferormônios. Segundo Nick Neave, chefe da pesquisa, os mais beneficiados pelo efeito afrodisíaco do suor foram os homens de aparência mais comum.

Amor ao "primeiro cheiro"

Um tradicional exemplo do estreito vínculo entre olfato e desejo é a síndrome de Kalman, um quadro genético de alteração hormonal que prejudica a puberdade e que está acompanhado por uma ausência congênita do olfato. Com a ajuda de tratamento, esses pacientes chegam a ter níveis normais de hormônios, mas não recuperam o olfato e isso têm efeitos diretos em sua vida afetiva. "No consultório atendo pacientes com problemas de olfato, todos com dificuldades no plano sexual. Uma paciente me disse que desde que perdera o olfato não tinha vontade de tre relações sexuais com o marido", conta o médico García Medina.

Alternativa para problemas sexuais?

O laboratório canadense Pheromone Sciences Corp. isolou e caracterizou os diversos ferormônios extraídos do suor. Uma primeira pesquisa revelou que o composto pode estimular a libido em homens e mulheres. Os pesquisadores esperam que, em um futuro não muito distante, esse derivado de ferormônios possa servir como tratamento efetivo e seguro para determinadas disfunções sexuais. Inclusive como complemento de remédios como o Viagra.

"Alguns derivados dos ferormônios já são usados para casos de frigidez feminina e ajudam na primeira etapa da sexualidade, que é o desejo", afirma García Medina. "Isso pode ter um grande potencial em outros tipos de disfunções sexuais, mas ao mesmo tempo, reacende questões éticas: É lícito interferir dessa forma no comportamento de uma pessoa?"

SISTEMA CIRCULATÓRIO

EFEITOS DA TANATOPRAXIA

Tanatopraxia

Origem: Wikipédia.

A técnica de Tanatopraxia é um método utilizado mundialmente, desta forma o procedimento utilizado no Brasil é semelhante ao que se utiliza na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo.

As formas de estabilizar ou retardar a decomposição de matéria orgânica existente hoje são distintas e cada uma tem características especificas, onde os resultados são igualmente diferenciados.

O avaliador deve primeiramente ler a ata em sua integra, para entender o processo ao qual o corpo foi submetido, se Formolização, Embalsamamento, Tanatopraxia em corpo por morte de Causas Clinicas ou Corpo submetido à Necropsia, processo de mumificação.

Em todos os métodos deve ser observado se o liquido percorreu todo o corpo e foi até as extremidades. A concentração máxima obtida do Formoldeido – Folmol na forma liquida é de 39%, desta forma se diluído novamente durante o processo este percentual diminuirá.

O local utilizado para qualquer uma das técnicas abaixo descritas é laboratório de Tanatopraxia, com aspecto similar a sala de necropsia, contendo paredes, teto e piso revestidos com material impermeável e de fácil limpeza, instalações hidrosanitárias, ou seja, entrada e saída de água e tratamento de esgoto, mesa em inox ou fibra, bomba injetora e se tratando de Tanatopraxia bomba Aspiradora, material de acesso e sutura semelhante aos utilizados em cirurgia, pinças, tesouras, agulhas, cânulas entre outros similares.
Local para coleta e guarda dos dejetos como roupas, bandagens, sobra de fios, algodão, agulhas, laminas de bisturis, pequenos pedaços de tecidos e demais materiais infectos oriundos do procedimento e do laboratório de tanatopraxia.

Formolização: Método rudimentar, onde através da artéria femoral, junto ao triângulo de Scarpa, faz-se incisão de aproximadamente 10 cm, introduzindo através de gravidade cerca de 500 ml de formoldeido diluído em 50% de água por quilo corpóreo do cadáver neste processo o corpo fica com rigidez acentuada, coloração que varia do palha ao cinza nos locais mais próximos a área de injeção, é comum que haja dilatação abdominal uma vez que se introduz quantidade de líquidos no corpo. Tempo médio: 2 horas.

Embalsamamento: Processo utilizado para conservação mais prolongada, exigido em caso de translado Internacional, se utilizado formoldeido a aparência é muito próxima da Formolização, contudo a técnica é abertura da caixa craniana para retirada da massa encefálica, abertura da cavidade toraco-abdominal, com retirada desde a língua até o escroto, devendo ser dado destino aos órgãos e víceras, injeção por partes membros superiores braquial, inferiores femoral, face carótidas, ou injeção através do arco aortico e aorta abdominal; Nota: Por exigência a maioria dos paises não aceita concentração de formol superior a 5%, devendo conter amostra do liquido utilizado em frasco com 50 ml para analise, que deve ficar junto à urna. Tempo médio: 6 horas

Tanatopraxia: Método moderno e eficaz de conservação utiliza-se líquidos conservantes com concentrarão máxima do formol em 8%, injetado através de maquinas apropriadas, com regulagem de pressão e vazão, através de artérias junto ao triangulo de escarpa ou carótida, podendo ser feito multiponto conforme a necessidade de cada caso, em média se utiliza 8000 ml de liquido por corpo, ocorrendo a drenagem do sangue durante o processo de injeção. O cadáver fica com aparência saudável, coloração epidérmica rosada, sem marcas de “livores mortis”, ou seja, roxos nas extremidades e posterior abdominal, tecido epidérmico ganha espécie de celulite, há ganho de massa muscular, ficando pernas e braços mais grossos e flexíveis, boca e olhos fechados, posição do corpo normalmente reto. Abdome normal para negativo, devido à aspiração toraco-abdominal que retira sangue e gases, após este processo que utiliza a abertura de orifício ao lado do processo xifóide (umbigo) ainda há a introdução de cerca de 500 ml de liquido conservante neste local. Tempo médio: 2 horas

Tanatopraxia em corpos submetidos à necropsia Em corpos submetidos à necropsia é necessária a abertura craniana e coraco-abdominal, efetuar-se a evisceração, lavagem e embalagem das víceras e massa encefálica, a injeção Dar-se-a principalmente pelo arco aortico e aorta abdominal, podendo dependendo do caso ser multipontos. Não há aspiração toraco-abdominal nestes casos, não é possível fazer a injeção através do triangulo de escarpa devido a rompimentos que é o sistema circulatório, víceras e órgãos sofrem no exame necroscópico. Tanto o processo de Tanatopraxia quanto o de Formolização devem apresentar estas características na injeção, diferindo apenas aspectos de apresentação final na aparência do corpo. Deve ser notado sutura com espaçamento máximo de 0,5 cm entre pontos, a sutura do DML deve ser toda refeita, boca e olhos fechados, urna limpa e seca assim como o corpo. Tempo médio: 3 horas

Mumificação: Aceito apenas em casos onde o corpo esteja com sistema circulatório rompido pela degeneração, com mais de cinco dias de óbito ao tempo, este processo consiste em aberturas das cavidades cranianas, torácica e abdominal e posterior fechamento, evisceração e embalagem das víceras e órgãos e massa encefálica e recolocação destas no abdome, injeção epidérmica de aproximadamente 5 litros de produto conservante, em no mínimo 60 pontos distintos, com concentração do conservante superior a 10% e inferior a 15%. Em caso de Mumificação deverá o agente de fiscalização acompanhar o processo, de injeção multiponto epidérmico, mesmo que através de vídeo. Após este processo enrola-se o corpo em bandagem embebida em liquido conservante, podendo após este passar filme para garantir que o liquido não se perderá ou venha a sair da urna. Tempo médio: 5 horas

Tanatopraxia é o procedimento de preparação do cadáver para o velório, assim o corpo não sofrerá, pelo tempo solicitado pelos familiares, as decomposições naturais.

Alguns tipos de Instrumentos

Alguns tipos de Instrumentos

Laboratório de Tanatopraxia

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Morte

" Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. "
Confúcio

TANATÓRIO

O Tanatório Prof. Dr. Oisenyl J. Tâmega e Prof. Dr. Progresso J. Garcia Continuando neste cativante tema, que é a Tanatopraxia, gostaríamos de salientar a rápida aceitação desta técnica pelos diretores e agentes funerários, além da própria população. Atualmente a população solicita que o corpo de seu ente querido seja preparado pela técnica de nome difícil. As empresas funerárias que não apresentam este serviço de higienização do corpo após a morte, pararam no tempo, estão sendo superadas e não têm contribuído com o processo diferencial e evolutivo do Setor Funerário. Podemos hoje, mesmo em fase de consolidação da prática da Tanatopraxia, definir esta técnica como o silêncio da morte que traduz e reflete a vida. Tanatório: Não deve ser um ambiente escondido ou um cubículo da funerária, mas sim um local estrategicamente bem situado na empresa. Apesar de reservado e freqüentado apenas pelos técnicos habilitados à prática da tanatopraxia, o tanatório merece ser o local de destaque da empresa funerária, devendo estar sempre limpo e higienizado. O acesso ao tanatório deve ser fácil pra os veículos e funcionários da empresa, porém proibido para pessoas estranhas. Nunca pode ser permitido que um amigo ou um familiar do falecido esteja presente durante os procedimentos. O tanatório deve ser uma sala milimetricamente construída, com projeto de arquitetura próprio para cada funerária, levando em consideração muitos detalhes como: o tamanho da cidade; a previsão de crescimento do serviço; o fluxo de veículos, de macas e de agentes, o espaço disponível para construção e/ou reforma; a altura e o revestimento do laboratório; a ventilação, exaustão, iluminação, distribuição de tomadas e pontos de água; as alturas das bancadas e armários; o banheiro anexo contendo chuveiro de emergência; sistema de esgoto destinado à fossa séptica própria, além de outros detalhes e cuidados que garantem a colocação correta dos equipamentos e que venham a facilitar a preparação do corpo e a limpeza do laboratório. A necessidade de fartura de água corrente no tanatório é fundamental. Recomendamos que este deva possuir reservatório independente das outras instalações da funerária. O esgoto deve ser lançado, de preferência, em fossa séptica de decantação em carvão ativado. Os resíduos contaminados utilizados na preparação como aventais, luvas, gazes, frascos e roupas eventuais, devem ser descartados em lixo especial e se possível, incinerados. O tanatório ideal deve ser compoto de vários ambientes: Um laboratório de preparação e higienização; O tanatório propriamente dito; Uma sala acoplada para vestir e enfeitar o corpo na urna, após a tanatopraxia; Um vestiário exclusivo para o tanatopraxista e um banheiro equipado com chuveiro especial. O piso do tanatório deve ser frio, de cor clara, antiderrapante e de fácil limpeza; As paredes devem ser revestidas com azulejos brancos bem rejuntados e, no teto deve ser aplicado massa corrida e tinta látex branca. As pias, balcões e prateleiras, se possível, devem ser em aço inoxidável ou granito. Isso é um importante cuidado que facilita a assepsia do laboratório. A mesa ideal para a prática da tanatopraxia deve ser em aço inoxidável, assim como os suportes que mantém o corpo suspenso do fundo da mesa, os quais devem ser removíveis para também facilitar a limpeza. O fundo da mesa deve ser discretamente inclinado e ter fluxo contínuo de água no decorrer da preparação de um corpo. A tubulação hidráulica da mesa deve estar embutida na mesma, com registros de segurança e mangueira com esguicho para lavagem do corpo. Não recomendamos que se faça mesa de alvenaria pois é de difícil limpeza, aumentado o risco de contaminação. O tanatório deve ser bem arejado, com sistema de renovação de ar e, se possível, conter um aparelho de ar condicionado. A iluminação precisa ser intensa, semelhante à luz natural, procurando ser direcionada principalmente para a mesa de tanatopraxia. Após estes rápidos comentários, pode-se notar que esse laboratório tem muitas das características de uma sala de cirurgia e que todos os detalhes devem ser ovservdos para esta atividade possa ser desempenhada corretamente pelo tanatopraxista. Outros aspectos serão aborados em outros tópicos. Obs. Não pertencemos a nenhuma seita ou partido. Estamos falando sempre a mesma linguagem e transferindo informações cientificamente comprovadas para a correta prática da tanatopraxia. É um árduo trabalho, mas continuaremos aglutinados em torno do mesmo ideal que é a valorização do Setor Funerário.
Dentre os diversos aspectos relacionados ao estudo da tanatologia forense,destacam-se pela sua importância,
aqueles relativos ao destino dado ao cadáver, que muitas vezes não são devidamente apreciados pelos profissionais da área médica. Como conseqüência é
muito freqüente que nestas situações surjam dúvidas e questionamentos diversos acerca do modo mais correto de se proceder, devido ao desconhecimento das normas e dispositivos legais que disciplinam a matéria.
Habitualmente em nosso país, constatada a morte de uma pessoa e atendidas as formalidades e prazos legais, procede-se a inumação do corpo.
No entanto, há ocasiões em que faz-se necessária a adoção de medidas que retardem a instalação e a progressão dos processos putrefativos, a fim de que seja possível o translado do cadáver ou protelação do sepultamento.
Em alguns estados, observa-se, de longa data, que tem cabido aos Institutos Médicos Legais a função de proceder de forma exclusiva a tarefa de formolizar e embalsamar cadáveres, como se tal atribuição integrasse os procedimentos periciais a que estes órgãos estão destinados.
Desta forma tem-se observado em nosso meio, que vem se utilizando de método de tanato-conservação, visando
estritamente o cumprimento dos dispositivos legais existentes, prestando este à comunidade, atendendo não apenas os casos de corpos periciados no Instituto, mas também de pessoas falecidas sob assistência médica,
em hospitais ou residências, e que tendo que transladados para sepultamento em localidades distantes, em outros estados ou até mesmo no exterior, necessitam ser levados Clinicas Particulares para a realização da formolização do corpo.
Tal procedimento, devido ao grande número
de atividades habitualmente realizadas nestas empresas, implica necessariamente em demora na disposição do cadáver aos familiares, causando-lhes sofrimento adicional, que desta forma se vêm privados de parte do período destinado ao velório e às homenagens que
pretendem render ao seu ente querido.
Destaca-se ainda, outro pormenor de grande importância, que é o fato, de que têm surgido recentemente, técnicas mais modernas e sofisticadas, que se destinam não apenas à conservação do cadáver, mas também a sua
reconstituição estética e cosmetológica que normalmente não estão disponíveis em algumas empresas que realizam estes procedimentos.

Constituição Federal
art. 200. Ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:
I - Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde, e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - Executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;

Código Penal Brasileiro

Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária: pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou
multa.

Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à
violência.

art. 210. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

art. 211. Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

art. 212. Vilipendiar cadáver e suas cinzas: Pena - detenção de 1 (um) a (três) anos, e multa.

art. 267. Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos: Pena - reclusão de 10 (dez) a 15 (quinze) anos.

§ 1º Se do fato resulta a morte, a pena é aplicada em dobro.

§ 2º No caso de culpa, a pena é de detenção, de 1 (um) a 2 (dois)anos , ou , se resulta morte, de 2 (dois) a 4 ( quatro) anos.

art. 268. Infringir determinação do poder público, destinada a

impedir a introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena - detenção, de 1

(um) mês a 1 (um) ano, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

Código de Processo Penal

art. 158. Quando a infração deixar vestígios será indispensável a realização do exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Código Civil Brasileiro

art. 10. A existência da pessoa natural termina com a morte.
Presume-se esta, quanto aos ausentes, nos termos dos artigos 481 e 482.

Lei das Contravenções

art. 67. Inumar ou exumar cadáver, com infração das disposições

Código Nacional de Saúde

art. 13. Em caso de óbito suspeito de ter sido causado por doença transmissível, a autoridade sanitária competente promoverá o exame cadavérico, podendo realizar a viscerotomia, a necropsia e tomar outras medidas que se fizerem necessárias à elucidação do
diagnóstico.

art. 16. Quando necessário, a autoridade sanitária requisitará auxílio da autoridade policial para execução integral das medidas referentes à profilaxia das doenças transmissíveis.

art 69. Só poderão transitar em território nacional os veículos terrestres, marítimos, fluviais e aéreos que obedeçam às exigências sanitárias.

Normas Técnicas Especiais para a Defesa Sanitária do País (Dec. 57.632/66)

art. 4º. Somente poderão transitar no território nacional os veículos terrestres, marítimos, fluviais, lacustres e aéreos que se encontrarem em satisfatórias condições sanitárias e não transportarem pessoas doentes ou suspeitas de doença transmissível, salvo os que se destinam a esta finalidade.

Lei dos Registros Públicos

art. 77. Nenhum enterramento será feito sem certidão do oficial de registro do lugar do falecimento, extraída após a lavratura do acento do óbito, em vista do atestado médico,se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte.

Lei 9434 de 4 de fevereiro de 1997 - Lei de Transplantes de orgãos.

art. 8. Após a retirada de partes do corpo, o cadáver será condignamente recomposto e entregue aos parentes do morto ou seus responsáveis legais para sepultamento.

Decreto nº 2.268 de 30 de junho de 1997

art. 21. Efetuada a retirada, o cadáver, será condignamente recomposto, de modo a recuperar, tanto possível, sua aparência anterior, com cobertura das regiões com ausência de pele e enchimento, com material adequado, das cavidades resultantes da ablação.

Decreto-Lei nº 363, de 3 de setembro de 1945

art. 3º. O Serviço de Verificação de Óbitos determinará a causa mortis e expedirá os respectivos atestados de óbitos:
a) dos indivíduos falecidos sem assistência médica;
dos indivíduos falecidos com assistência médica, sempre que for necessário apurar a exatidão do diagnóstico.

Instrução da Aviação Civil

(IAC) nº 2211-0790, que trata do transporte de cadáveres por via aérea, de 31 de julho de 1990

1.1 O transporte de cadáveres a bordo de aeronaves comerciais só poderá ser efetuado se observado o disposto nesta NOSER.

1.2 Os cadáveres embalsamados serão equiparados à carga comum, podendo ser transportados em viagens comuns de passageiros, tanto nacionais como internacionais.

1.3. O transporte de cadáveres em aeronaves comerciais com passageiros se fará, obrigatoriamente, nos porões.

1.4. Os cadáveres que apenas tenham sofrido preparo para
conservação só poderão ser transportados em aeronave de carga ou especialmente fretados e em território nacional.

1.5 Os cadáveres que se destinam a outros países só poderão ser

transportados se estiverem embalsamados, com a documentação de exportação em ordem.

II Transporte Doméstico

2.1. O transporte de cadáveres correrá por inteira responsabilidade do proprietário ou explorador da aeronave, que deverá portar os seguintes documentos:

3. Laudo médico de embalsamamento ou conservação, expedida por hospital autorizado.

2.2. O laudo médico de embalsamamento deverá ser exigido quando o transporte previsto ocorrer após 48 horas da ocorrência do óbito e este tiver sido
provocado por doença contagiosa, doença suscetível de quarentena, de contaminação, com potencial de infecção constatado ou causas desconhecidas.

Norma Técnica sobre Lixo Hospitalar (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

“Em todo o hospital deverão ser previstos espaços e equipamentos necessários à coleta higiênica e eliminação dos lixos de natureza séptica e

asséptica. O lixo de natureza séptica, no qual se incluem fragmentos de tecidos e outras unidades do Centro Cirúrgico e do Centro Obstétrico, deverá sempre ser tratado por incineração”.

Portaria nº 053 de 1º de março de 1979, do Ministério do
Interior

....Todos os resíduos sólidos portadores de agentes patogênicos, inclusive os de estabelecimentos hospitalares e congêneres .... deverão ser,adequadamente, acondicionados econduzidos em
transporte especial, nas condições estabelecidas pelo órgão estadual de controle da poluição e preservação ambiental e, em seguida, obrigatoriamente incinerados”.
Todas autoridades policiais competentes que, ao expedirem a autorização para a execução do embalsamamento ou da simples formolização do cadáver,
requisitem o exame de necropsia a ser procedido em ambos os casos;

Para melhor entendimento da questão, abordaremos inicialmente alguns conceitos fundamentais que serão discutidos e comentados visando fundamentar as opiniões expressadas neste trabalho, objetivando
esclarecer as principais dúvidas que freqüentemente se apresentam, nas diversas circunstâncias, que ocorrem quando da tomada de decisões a respeito do destino a ser dado aos cadáveres.
O cadáver constitui-se em uma espécie de projeção ultra-existencial da pessoa.

O Congelamento é meio habitualmente utilizado na conservação temporária de cadáveres em hospitais e necrotérios com o objetivo de retardar a decomposição cadavérica até a conclusão dos trabalhos periciais, exames complementares, a identificação e a entrega do corpo aos familiares para sepultamento, ou o envio à faculdades de medicina, dos não reclamados, de acordo
com as normas legais vigentes.
O chamado método criobiológico, desenvolvido nos Estados Unidos da América é processo de custo
bastante elevado que tem por objeto impedir a autólise. Após várias etapas o corpo é finalmente mantido em
temperatura de -195ºC.

Formolizar - significa preparar ou desinfetar com formol. Segundo Hermes Rodrigues de Alcântara em “Perícias Médico-Judiciais”, a formolização seria um
tipo de embalsamamento incompleto em que não se praticaria a evisceração.

Já o embalsamamento, que vem de em o bálsamo, consiste no principal processo de conservação dos corpos; prevenção da decomposição natural dos cadáveres lograda antigamente por meio de bálsamos e resinas e atualmente por injeção intra-arterial de substâncias altamente
anti-sépticas.

Segundo o Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa, Caldas Aulete embalsamar significa perfumar, impregnar de aromas; introduzir em um cadáver substâncias balsâmicas ou quaisquer outros preparados para o livrar da podridão.

O embalsamamento é conhecido desde a mais remota antigüidade tendo encontrado o mais elevado grau de refinamento no antigo Egito, em razão principalmente da crença na imortalidade e ressurreição física.

Outras culturas do mundo antigo também a praticavam, destacando-se os índios Paracas do Peru, os Guanchos das Ilhas Canárias, os Jívaros do Equador e Peru e também no Tibete. Os babilônios, sumerianos e
gregos raramente o praticavam e os romanos apenas eventualmente para preservação temporária. Os judeus não o praticavam. Com o advento do cristianismo, tais práticas, assim como a cremação foram abandonadas, por serem consideradas como costume pagão e por implicar na mutilação do corpo. Consta, no entanto, que Carlos Magno teve seu corpo embalsamado. Na Renascença Leonardo da Vinci, que conforme registros dissecou pelo menos 50 cadáveres para estudo teria desenvolvido método de injeção venosa para a preservação antecipando desta forma os modernos métodos de tanatocon-servação.

Posteriormente teria cabido a Willian Hunter, anatomista escocês, (1718-83) a realização do primeiro embalsamamento, mediante técnica moderna de introdução de substâncias conservantes por via arterial e cavitária. Mas foi somente durante a Guerra Civil Americana que o método de embalsamamento endoarterial
passou a ter aceitação popular tendo sido utilizado largamente para propiciar o
regresso d os corpos de soldados mortos naquele conflito às regiões de origem. Atualmente tais técnicas, que se encontram bastante aprimoradas, são utilizadas comumente em diversos países das Américas e
na Europa.

Várias são as finalidades que conduzem à realização das modernas práticas de embalsamamento ou tanatopraxia, quais sejam:

1. Sanitárias
As substâncias químicas utilizadas no processo são excelentes desinfetantes. Após a morte o sistema imune é incapaz de combater bactérias ou outros microorganismos, portanto o embalsamamento atuaria como meio eficaz na contenção de disseminação de doenças contagiosas. Tal afirmação é no entanto discutível visto
que em alguns países existem restrições na aplicação destas técnicas em casos de doenças contagiosas.

2. Preservação.
As diversas substâncias empregadas atuam retardando a
progressão da putrefação cadavérica, permitindo desta forma translado do cadáver, o velório pela família, a visitação pública, e as honras fúnebres.

3. Restauração do corpo.
Permite restabelecer no cadáver uma fisionomia que assegure aos seus familiares vivificarem o seu luto de forma menos traumática. Atualmente, já é possível ao técnico embalsamador retirar cadavér os traços de sofrimento e dor resultantes do processo da morte, se existentes, conferindo-lhe um semblante que muito se assemelha ao que tinha nos bons momentos da vida.

4. Respeito ao morto.
A decomposição é temporariamente suspensa, permitindo que o corpo se mantenha com aparência respeitável até a hora do sepultamento.

Atualmente, existem diversas técnicas de embalsamamento
endoarterial, no qual são injetadas no corpo várias substâncias conservantes, anti-sépticas, fungicidas e corantes, propiciando assim um retardamento na progressão dos fenômenos putrefativos.

Várias são as fórmulas empregadas para este fim, sendo as mais citadas pelos tratadistas as seguintes:

Líquido de Kaiserling (formol a 40% 1.600 ml; acetato de potássio 240 g; nitrato de potássio 80 g; água 8.000 ml); a utilizada no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro (formol a 40% 3.000 ml; álcool absoluto 2.000 ml; glicerina 1.000 ml; ácido fênico 100 ml; tintura de cromo 2 ml; mercúrio cromo q.s. para corar), e ainda as de Pais Leme, Laskowski, Lastrowsky, Tanner de Abreu e inúmeras outras.

Existe, ainda, o chamado “método espanhol”, que se baseia na liberação de gases a partir de substâncias colocadas em uma espécie de colchão, sobre o qual o cadáver é colocado sendo o caixão fechado, só podendo ser reaberto após um prazo que varia de 20 a 70 dias, quando segundo os tratadistas consultados constatam-se excelentes resultados na sua conservação. Este método dispensa a abertura do corpo e a evisceração, tendo no entanto a desvantagem de só se concluir após prazos que em geral ultrapassam o desejado pelos familiares.

Instituto Français de Tanatopraxie, segundo contido em Médicine Légale, Dérobert; preconiza método conservador, ou seja a utilização de um líquido fixador injetado na artéria carótida ou femoral, ao mesmo tempo que se retira através de uma veia satélite o sangue do cadáver, e de um líquido a ser injetado nas cavidades. O

fluído fixador chamado Thanatyl A (arterial) é composto de borato de sódio 3,9 g; glicerina 8,3ml; metanol 7,0 ml; solução original de formaldeido 55,0 ml; solução amarante (amarantino) 12,0 ml; água destilada 100,0
ml, emprega-se este líquido na diluição de 10%. O fluído de cavidade Thanatyl (cavidade) é composto de metanol 49 ml; propilenoglicol 2,5 ml; solução oficial de formaldeido 49 ml, sendo empregada pura. Na prática se perfunde 10l da solução A por via arterial, mediante o emprego de uma bomba manual ou elétrica drenando-se concomitantemente o sangue do cadáver pelo acesso venoso, dando-se por encerrada a infusão quando cessa de sair sangue e começa a sair a solução injetada. O tratamento das cavidades compreende uma aspiração, com a ajuda de um trocarte, dos líquidos contidos nas mesmas, mediante punções em vários locais. A seguir injeta-se nas cavidades torácicas e abdominal, aproximadamente dois litros da solução , para um corpo de 70 kg. Em casos de cadáveres autopsiados, as vísceras são lavadas em água e depois banhadas na solução C, a seguir injeta-se a solução 2, através
das seis artérias principais. Findo o procedimento seguemse os cuidados cosmetológicos.

Precauções de ordem sanitária.
Alguns tratadistas recomendam que o ato de embalsamamento seja precedido de aprovação da autoridade sanitária, porém a maioria considera tal
medida desnecessária. No entanto, a autoridade sanitária deverá sempre ser comunicada em casos de morte por doença cuja notificação seja compulsória, em doenças quarentenárias, ou sujeitas à vigilância, estadual, nacional ou internacional, e ainda em epidemias. Da mesma forma, como já acima referido, as substâncias utilizadas no processo deverão ser aquelas
aprovadas para uso no território nacional, pelas autoridades sanitárias do país.
A legislação espanhola proíbe o embalsamamento em casos de morte provocada por doenças infectocontagiosas tais como cólera, peste, febre amarela, tifo exantemático, meningite febre, tifóide, septicemia, tuberculose, gangrena gasosa, carbúnculo, tétano e raiva (Ordens do Ministério do Governo de 02/12/45 e de 17/03/52).
Providências de ordem técnica.
Necessário finalmente discutir se o embalsamamento deve obrigatoriamente ser realizado por médico ou por profissional técnico especialmente treinado para este fim. A maioria dos tratadistas brasileiros considera que o embalsamamento é um ato médico, portanto a ser
realizado por médico legalmente habilitado. Em parecer aprovado pelo Conselho Federal de Medicina, em sessão
plenária de 20 de maio de 1988, concluiu que
“... embora não exista legislação específica, mas apenas genérica, as finalidades e formalidades dos procedimentos em exame (formolização e embalsamamento) demonstram claramente que é um ato
médico. Consequentemente, outros profissionais somente podem atuar como auxiliares do médico responsável pelo embalsamamento ou formolização, mas sempre sob a supervisão e direção do mesmo médico. A Legislação espanhola acima citada também limita a realização de
tais procedimentos a médicos no exercício legal da profissão. Consideramos portanto que os Wstabelecimentos particulares que se proponham
a realizar embalsamamentos disponham de médicos responsáveis além de técnicos de nível médio, devidamente treinados para esta finalidade. No
entanto, somos de opinião que métodos de tanatopraxia que não impliquem em abertura de cavidades, com retirada de vísceras, ou que sejam aplicados após a
realização da autópsia completa, possam ser praticados por técnicos de nível médio ou superior com formação específica em tanatopraxia, seguindo orientação médica.
As instalações destinadas à realização de embalsamamentos e outras técnicas referidas neste parecer, deverão ter sua planta física e equipamentos
devidamente aprovados pela Vigilância Sanitária do Município e pelo Instituto Médico Legal.

Precauções de ordem legal.

Dentre as providências de ordem legal a serem tomadas em casos de embalsamamentos, formolizações ou tanatopraxias está a de que todo o procedimento somente será realizado após autorização expressa e por escrito dos familiares ou do representante legal do falecido.

Entendem alguns tratadistas ser necessário o assentimento da autoridade policial, devidamente instruída com o atestado de óbito.

Tratando-se de morte violenta ou suspeita, ou com antecedente patológico desconhecido, com ou sem assistência médica, deverá sempre ser realizada a autópsia. Esse exame, também é recomendado sempre
que o método de embalsamamento empregado compreender a retirada de vísceras do cadáver, pois, nestes casos, ocorreria a destruição de parte das provas necessárias a um ulterior diagnóstico de causa mortis a ser feito mediante eventual exumação
Nos casos de embalsamamento intra-arterial, que não incluam a abertura de cavidades e evisceração, esse procedimento é dispensável, pois, ao contrário, haveria preservação por tempo maior que o habitual da integridade do corpo. Saliente-se ainda que, em todo procedimento de tanatoconservação, uma ata deverá ser elaborada registrando-se todas as etapas do processo, incluindo-se aí a relação de todas as substâncias e fórmulas utilizadas e aplicadas no cadáver, não sendo
admissível, a nosso ver, a utilização de fórmulas secretas e não licenciadas pela vigilância sanitária do
Estado ou Município. Em casos de translado do corpo será necessária a expedição de uma guia de transporte pelo Instituto Médico Legal. Sempre que o cadáver for enviado para o estrangeiro, no ato do fechamento do caixão deverão estar presentes representantes da Polícia e Receita Federal.

Quem pode realizar a tanato-conservação?
O Estado, quando houver interesse público.
b) Empresas particulares contratadas pelos familiares do morto, sob supervisão do I.M.L. É necessário estabelecer, nesse campo da tanatopraxia, a distinção entre o que é obrigação do Estado, através de seus órgãos (Instituto Médico Legal) e o que deve ficar com a
iniciativa privada. O Instituto Médico Legal é um órgão técnico da Secretaria de Segurança Pública, inserido na estrutura da Polícia Cívil, que é a polícia judiciária, encarregada da investigação criminal e do inquérito
policial. Portanto, o I.M.L. tem como atribuição fundamental a realização de perícias médico-legais da esfera criminal. O embalsamamento não se constitui de
maneira alguma em ato pericial, não havendo necessidade de que seja realizado por médico legista, nem tampouco nas dependências do I.M.L. Em parecer formulado e aprovado pelo plenário do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará o Professor Clóvis Meira, Catedrático de Medicina Legal da Universidade Federal do Pará afirma “Dentre as atribuições do médico-legista, como já vimos, não se encontra como privativa a de fazer embalsamamentos, mesmo porque não se trata de ato pericial”.

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( Muito bom artigo )

ORIGEM DO TEXTO:

href="http://medicina.fm.usp.br/gdc/docs/iof_39_04_metodos.pdf">