NOTA - locais de preparação

NOTA: Todos os procedimentos para conservação, higienização e ornamentação de cadáveres devem ser executados em salas apropriadas devidamente autorizadas e regulamentadas de acordo com os orgãos de Vigilância de seu estado de atuação.

Certifique-se, no momento de contratação de uma Empresa Funerária sobre o local aonde será realizados os procedimentos em seu ente.

Se possível acompanhe a remoção do corpo até este local para se averiguar as reais condições de instalação desta sala.

Dúvidas, reclamações ou elogios estamos 24 horas a disposição:
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JUDAISMO EM RELAÇÃO A MORTE

PRIMEIRAS PROVIDÊNCIAS:
Logo após a morte, uma série de assuntos práticos e religiosos entram em efeito. Os principais são:
a) Respeito pela dignidade e santidade do corpo.
b) O rápido retorno do corpo à terra.
c) Ajudar e fortalecer a alma em sua contínua jornada espiritual.

Quando ocorre a morte, a família enlutada enfrenta uma época muito difícil; mas também é difícil para o falecido. Segundo as tradições espirituais do Judaísmo articuladas no Talmud e Cabalá, a alma não deixa completamente este mundo até mesmo após o enterro. O período entre a morte e o enterro é bastante confuso para a alma, pois esta se encontra num estado de transição, desconectada do passado quanto do futuro.
A presença de outros que, através de seu respeito e preces, demonstram que se importam, é bastante confortadora para a alma, pois as almas dos vivos fornecem uma estrutura de referência para a alma recém-partida. Fazer as coisas de forma confortadora para o falecido é portanto confortar aqueles que se importam com ele ou ela.
Seguem-se orientações práticas sobre cuidados com os falecidos do livro
“Os últimos Momentos” – Por Rabino Shamai Ende
Após o falecimento1. Pelo judaísmo, o falecimento se dá após a total parada cardíaca e cerebral. Mesmo após isto, não se deve tocar no falecido até aproximadamente 15 minutos após a morte para garantir que realmente faleceu. Quando não há médicos ou peritos no local, deve-se colocar uma pluma próxima das narinas, e esperar até esta ficar algum tempo sem se mover, fixando desta forma seu falecimento.

2. Logo após o falecimento deve-se cobrir a face do morto com um pano ou lençol, para não olhar na sua face, pois isto prejudica tanto aquele que olha como o próprio morto.. Existem alguns motivos para isto: 1) Quem olha a face de um morto terá dificuldades para estudar; 2) Isto prejudica a visão;

3) Consiste numa vergonha para o falecido.

3. Em seguida, deve-se retirar todas suas roupas e cobri-lo com um lençol. Com cuidado carrega-se o corpo até o chão, tomando o cuidado para não descobri-lo, colocando-o no chão sobre um lençol, deitado de costas, com os braços e pernas esticados ao longo do corpo, olhos e bocas fechados, (caso não for possível fechar sua boca, deve-se amarrá-la com uma fita) e a cabeça ligeiramente levantada sobre um apoio. Não se deve colocar travesseiros ou cobertores, para não esquentar o corpo. Deve-se posicioná-lo de forma tal que seus pés ficam voltados para a porta. Muitos costumam deixá-lo em posição diagonal, com os pés direcionados para a porta. Ao descê-lo ao chão deve-se pedir-lhe perdão pelo desrespeito, citando seu nome e nome de seu pai. Como também existe uma prece especial que é recitada neste momento e alguns capítulos de Salmos (23 e 91, há quem recite também o 51).

4. Deve-se colocar próxima a sua cabeça velas acesas, de preferência 5 velas. Cobrem-se todos os espelhos e fotos humanas do local. As mulheres que não foram ao micvê após o período menstrual, devem evitar tocar no corpo. Como também os homens que manuseiam o corpo costumam ir ao micvê.

5. [O texto dentro destes colchetes pertence à: Chevra Kadisha: É costume cobrir os espelhos e demais superfícies polidas (como quadros, fotos de pessoas envidraçados e televisão) na casa do enlutado, pois é proibido rezar na frente de espelhos. Alem disso, segundo a cabala, a alma do falecido visita a casa durantes estes dias e faz aparecer a sua forma através do espelho.]

6. É costume judaico entornar toda a água que se encontra em qualquer utensílio da casa onde ocorreu o falecimento. Também entorna-se a água dos utensílios da vizinhança, ou seja, das duas casas próximas à do falecido, tanto as casas da direita, da esquerda, e no caso de prédios, se for apenas um apartamento por andar, dos dois andares superiores e inferiores. Esta água não deve ser bebida, mas pode ser usada para lavar. Água fervida, congelada, gaseificada ou que contém alguma mistura não entram neste costume.

7. A Chevra Kadisha local deve ser contatada imediatamente para as devidas providências, iniciando sem demora os preparativos necessários para o enterro [cuidados do corpo, sua lavagem- Tahará- e preparação para o enterro, aquisição do devido caixão, documentação, e procedimentos legais, velório e o próprio enterro. Existem situações em que deve-se chamar a Chevra kadisha com urgência para evitar, por exemplo, que o corpo seja levado contra a vontade ao IML.]

8. [O corpo não deve ficar sozinho em hipótese nenhuma, de dia ou de noite, e ninguém deve comer, beber ou fumar no recinto em que ele se encontrar. Se o corpo estiver em uma geladeira, basta ficar próxima dela. Em hospitais, deve-se ficar atento aos diferentes procedimentos e exigir o devido respeito com relação ao corpo e às crenças e práticas religiosas do falecido.]

2. Falecimento no Shabat

Caso o falecimento ocorreu no Shabat, não se deve tocar no corpo desnecessariamente, porém costuma-se assim mesmo, despi-lo e coloca-lo no chão conforme dito acima, porém não se fecha-lhe os olhos nem se estica seus membros. Se for possível deve-se colocá-lo no chão ainda com roupa e somente depois despi-lo, ou colocar sobre ele algum objeto que possa ser manuseado no Shabat, ou até mesmo um pão ou qualquer comida. Não se fecha sua boca, porém pode-se amarrar uma fita (com um laço mas não com um nó) para a boca não abrir mais do que está. Não há necessidade de jogar fora a água da casa ou da vizinhança quando o falecimento ocorreu no shabat. Não se deve contatar a Chevra Kadisha nem transportar o corpo no dia de Shabat.
3. Falecimento no Yom Tov
1. Quando ocorre o falecimento no primeiro dia de Yom Tov, deve-se tomar todas as providências possíveis para o enterro somente por intermédio de um não judeu. Porem a lavagem do corpo e a Tahará, pode ser feita através de um judeu, se este não profanará o Yom Tov para tanto. Pela lei, o transporte do corpo, o enterro e todas as preparações poderiam ser feitos através de um não judeu, sendo que nenhum judeu pode profanar o Yom Tov para tanto. Já no segundo dia de Yom Tov as leis são um pouco diferente. Tudo que pode ser feito através de um não judeu, como cavar a cova, preparar o caixão e as mortalhas, cobrir com terra, deve ser feito através de um não judeu. No entanto, se não dá para fazer por um não judeu, pode ser feito por um judeu, todo trabalho extremamente necessário. Porem é proibido ir ao cemitério de carro para acompanhar o enterro, como exceção dos que são necessários para o enterro (membros da Chevra Kadisha, coveiros, etc.)

2. No entanto, para evitar Chilul (profanação do) Yom Tov, como também para não faltar na honra do falecido (já que muitas poucas pessoas chegariam ao cemitério sem profanar o Yom Tov), não costumamos atualmente realizar enterros no Yom Tov. Somente num caso que tem se certeza que não haverá chilul Yom Tov, e quando o corpo está em estado de putrefação avançado, permite-se fazê-lo no segundo dia de Yom Tov conforme as leis acima.
Honra ao morto
1. O corpo judaico tem em si uma santidade especial devendo ser tratado com respeito.

2. É proibido comer ou beber qualquer alimento no ambiente onde se encontra um morto, salvo se houver entre a pessoa e o morto um anteparo de pelo menos 80cm de altura. Como também não se recita no local nenhuma berachá. Em caso de grande necessidade, pode se comer no local, contanto que se vire de costas para o morto e se afaste pelo menos 2m do morto antes de recitar uma bênção.

3. É proibido fumar ou cheirar rapé perante o morto.

4. Não se deve estudar Torá, colocar Tefilin ou Talit perante o morto, salvo se afastar do mesmo 2m. Porem pode recitar Tehilim e trechos sagrados na hora da lavagem, já que isto é feito em honra ao mesmo. Como também, pode se falar trechos da Torá e do Talmud nos discursos fúnebres (hespedim), já que isto é feito em honra do falecido.
A guarda do corpo (Shmirá)
1. A partir do momento do falecimento, até o enterro, é proibido deixar o corpo desacompanhado. Mesmo que até o enterro irá demorar vários dias, e mesmo que não há nenhuma suspeita que algo de mal possa ocorrer com o corpo, este deve estar sempre acompanhado por um Shomer (responsável pela guarda), (Consta no Maavar Yabok (1, 24) que o motivo disto é que ao encontrar um corpo desacompanhado, os espíritos de impureza se apoderam dele e o impurificam, já que estes foram criados sem corpo, e desejam se apossar de um, principalmente quando este tiver a santidade judaica) tanto durante o dia como durante a noite.

2. Este shomer deve constantemente recitar Salmos e outras preces próximo do falecido, sendo proibido conversar perto do morto assuntos que não diz respeito ao enterro e suas preparações. Como também, é proibido cumprimentar alguém, ou responder a um cumprimento perante o morto e comer ou fumar no local. Este shomer está isento de recitar o Shemá e de rezar e de qualquer outra obrigação da Torá (como colocar Tefilin por ex.) enquanto está ocupado com a guarda do corpo (logicamente que é proibido transgredir qualquer proibição). Porem se duas pessoas estão fazendo a shemirá, devem se intercalar sendo que enquanto um fica cuidando o outro sai para recitar o Shemá, rezar e colocar o Tefilin. Quando o período de guarda é longo, ou quando se passa uma noite, aconselha-se a designar dois shomrim para que enquanto um cuida o outro possa descansar e dar uma saída se for necessário, evitando que o falecido fique desacompanhado sequer um minuto.
Mesmo se o corpo pernoita numa câmara fria, deve-se ter um shomer próximo.
Se o morto se encontra em um local que pode ser desprezado ou destruído, por ex. próximo de um incêndio ou num local onde existem ratos, ou em praça pública, deve-se retira-lo de lá, levando-o para um local seguro e protegido.
Mesmo durante o Shabat há necessidade desta shmirá, caso o falecimento tenha ocorrido no shabat, ou se passou um Shabat antes do enterro. No entanto é proibido manusear [O corpo é considerado no shabat muktsê, ou seja, algo proibido por nossos sábios de manusear no shabat. Só é permitido manusear no shabat, pessoas, alimentos e utensílios de uso permitido. As leis de Muktsê são muito extensas, não sendo aqui o local para descrevê-las] ou transportar o corpo no Shabat mesmo se for necessário por causa dos cohanim que se encontram no local, devendo estes saírem do local.
No caso que os parentes desejam transportá-lo para outro local por alguma necessidade, devem fazê-lo por intermédio de um não judeu. Porém, se o morto se encontra em um local de desprezo ou não seguro, ou se desejam colocá-lo na câmara fria para que não cheire mal, e não há condição de fazê-lo por intermédio de um não judeu, pode ser transportado por um judeu por intermédio de suas roupas, que não são muktsê, ou colocando sobre sua cama algum objeto ou comida não muktsê. Mas mesmo neste caso, não pode transportá-lo passando por uma rua, ou qualquer praça pública que não se pode carregar nela no shabat pela Torá, somente por intermédio de um não judeu se for necessário. Como também no Shabat é permitido colocar gelo sobre o corpo e até mesmo pedir a um não judeu comprar ou trazer gelo para este fim.
Durante todo o tempo do velamento do corpo, desde o falecimento até a lavagem, o corpo e a cabeça devem estar totalmente cobertos. As pessoas que se encontram no local estão totalmente proibidas de conversar, cumprimentar, comer, fumar ou fazer qualquer estudo ou mitsvá perante o corpo, a não ser recitar Tehilim e preces em prol do falecido. Quem não tem certeza que se portará no recinto da forma devida, não deverá permanecer no local.


VELÓRIO:
Até o sepultamento, deve-se dar aos enlutados plena vazão a sua aflição e dor, e não se deve oferecer condolências.
A exibição do morto num caixão aberto é considerada pela tradição como uma desonra e um desrespeito ao falecido; embora a intenção desta prática seja honrosa, ela é rejeitada pelos valores judaico. Por isso, tão logo é constatado o óbito, o corpo é coberto com um lençol. No recinto em que se encontrar o corpo ou o caixão, deve-se acender velas no castiçal e mantê-las acesas até a saída do féretro. As pessoas devem recitar Salmos (o costume é falar principalmente os Salmos 33, 16, 17, 72, 91, 104, 130 e estrofes alfabéticas do 119 que compõe o nome judaico do falecido) em intenção à alma do falecido, mencionar as virtudes e as boas obras dele e manter no ambiente um clima de circunspecção e sobriedade. O corpo não deve ser deixado sozinho, nem à noite, e é proibido comer, beber, ou fumar no recinto em que este se encontrar.
No tocante ao envoi de flores, este é um procedimento não contumaz no judaísmo; flores ou coroas de flores que porventura sejam enviadas em honra do falecido (principalmente por nnao judeus), devem ser aceitas mas não colocadas sobre o caixão ou levadas ao cemiterio, e sim solocadas numa sala próxima ao velório.
A maior honra (cavod) que os amigos e parentes podem manifestar nesta ocasião, além de suas presenças, é o ato de fazer donativos às entidades de beneficencia em nome do falecido e pelo repouso de sua alma, pois a caridade proporciona conforto espiritual à alma perante D’us.
Acompanhar um cortejo fúnebre (Levaiá) e levar um morto à sua última morada é um dever tão sagrado que permite, ate mesmo, em alguns casos, interromper o estudo da torá. O carro que transporta o feeretro para o cemitério deve ir à frente; nele devem ir também correligionários para evitar que o corpo fique sozinho.


Quem Está Enlutado?
A Lei Judaica considera formalmente o enlutado como sendo aquele que perdeu qualquer um dos sete parentes próximos relacionados em Vayicrá (21:1-3): pai, mãe, esposa (ou marido), filho, filha, (casados ou solteiros), irmão e irmã (ou meio-irmão e meia-irmã). A Torá originalmente enumerou estes relacionamentos com respeito à impureza ritual do cohen ou sacerdote. O sacerdote que normalmente não tinha contato com os mortos tinha, no entanto, permissão de impurificar-se para enterrar estes parentes. A Tradição Oral considerava que esses relacionamentos se aplicam também às leis do luto.

1 – Pais adotados. Não há exigência de enlutar-se por pais, irmãos ou irmãs adotivos, ou filhos adotivos. Mas embora não haja obrigação legal de luto, há o "luto em simpatia", ou seja, abstenção de festejos e atividades semelhantes a fim de demonstrar tristeza.

2 – Menores de idade não têm obrigação de observar as leis de luto. Assim, um menino até os treze anos e uma menina até os doze não precisa "sentar" shivá, nem seguir os outros costumes. No entanto, suas roupas devem ser rasgadas, e deveriam ser encorajados a restringir de alguma forma suas atividades diárias. Este procedimento deve ser seguido especialmente no caso de crianças mais amadurecidas, embora ainda sejam menores.

Noiva e Noivo

1 – Durante os primeiros sete dias completos após o casamento, noiva e noivo ainda não estão obrigados a observarem as leis do luto, mesmo por um dos pais, porém eles comparecem ao serviço de funeral. No entanto, logo após estes sete dias, eles devem começar a observância de shivá e sheloshim. A lei distingue entre um caso no qual a morte ocorreu antes do início de Shevá Berachot (sete dias de festejos), e um caso onde a morte ocorreu no meio dessa semana. No primeiro caso, a noiva ou noivo começam o período completo de shivá e sheloshim imediatamente depois que termina a semana de comemorações. Neste caso, ele ou ela se juntam ao restante da família que está observando shivá e termina a observância de shivá junto com eles. Uma viúva e um viúvo têm um período formal de comemorações de três dias, em vez de sete, após o casamento.

2 – Se um feriado, que normalmente anula o período inteiro de shivá, ocorrer durante a semana de festejos que é co-extensiva com shivá, os noivos devem mesmo assim, cumprir shivá depois do feriado. Assim, se o casamento foi na noite do sábado e a morte do parente ocorreu no domingo, o feriado que cai naquela semana anula o período de shivá apenas para aqueles que observaram o período de luto. Porém os noivos, como não foram obrigados, e não cumpriram formalmente o luto, devem observar a shivá completa após a conclusão do feriado.

3 – Os noivos não rasgam a roupa até depois de Sheva Berachot. No entanto, eles recitam a bênção”Dayan haEmet” ("O Verdadeiro Juiz") com os outros enlutados no serviço de funeral, pois esta é uma expressão de dor imediata e espontânea, e não pode ser retardada de propósito.

4 – Durante sheva berachot eles, tecnicamente, não são considerados enlutados. Pela lei, eles não precisam ser visitados e consolados como se faz com outros que observam shivá.

5 – Os noivos não precisam acompanhar um pai falecido ao cemitério, mas mesmo assim, devem seguir o carro funerário da casa ou da funerária durante vários quarteirões, de modo a prestar homenagem ao pai.

6 – O noivo é obrigado a colocar tefilin mesmo no dia após a morte, o que não é obrigatório para os outros enlutados, pois ele é considerado como estando em período de festas e não de luto.

7 – No caso da morte de um pai da noiva ou do noivo antes da cerimônia do casamento, ou mesmo após a cerimônia, mas antes da consumação do casamento, deve-se consultar uma autoridade competente.

Todos esses casos acima citados se aplicam aos noivos durante seu período formal de sete dias, sheva berachot, quando reservaram esses dias exclusivamente um para o outro. Se, no entanto, eles retornaram ao trabalho ou escola antes da morte, mas durante Sheva Berachot, estão obrigados a ficar de luto da maneira usual.

Parceiro Divorciado
Um parceiro divorciado não precisa observar qualquer lei de luto, e não precisa comparecer ao funeral. Se um dos parceiros pensou em divórcio, mas não tomou ação legal, está obrigado a se enlutar. Se ambos concordaram em princípio com o divórcio, e definitivamente estão determinados a ir em frente com isso, embora nenhuma ação legal tenha tido início, não há exigência de luto.

Convertidos ao Judaísmo

Não há obrigação para o convertido ao Judaísmo de se enlutar por seus pais não-judeus da maneira prescrita pela Lei Judaica. Embora se espere que o convertido demonstre respeito pelos seus pais naturais, ele é, mesmo assim, considerado afastado deles religiosamente. A dor que o convertido expressa embora não tecnicamente exigida pela Lei Judaica, deveria possuir um caráter marcantemente judaico. Portanto:

1 – O convertido pode recitar cadish se assim o desejar. É preferível, no entanto, como o falecido não era judeu, que ele recite um Salmo, ou estude uma porção da Torá em honra do falecido, como é costume em yahrtzeits. A decisão de adotar um modo ou outro cabe ao enlutado.

2 – Da mesma forma, os procedimentos de shivá não devem, de preferência, serem observados como no luto completo por um pai judeu. A observância total pode indicar aos amigos, não intimamente ligados com a família, que o pai era judeu. Isso pode causar o surgimento de dificuldades. Por exemplo, poderia encorajar o casamento do convertido com um cohen que não suspeita disso, e estaria induzindo a uma união que não é permitida.
O judeu convertido não deve sentir que suas emoções de dor devam ser restringidas por causa da diferença religiosa. É apenas a observância religiosa que está em causa. De fato, aqueles enlutados que são convertidos deveriam receber uma atenção especial durante esse período.

Quais Parentes São Pranteados?
Uma vida com duração superior a 30 dias estabelece o ser humano como uma pessoa viável. Se uma criança morre antes desse tempo, é considerada como não tendo vivido de todo, e nenhuma prática de luto é observada, embora a criança tenha sido normal, mas morreu acidentalmente.

Qualquer ser humano que tenha vivido além desse período mínimo deve ser pranteado. Existem, no entanto, várias exceções.

Apóstatas
Um desertor da fé, que censura abertamente o Judaísmo, e adota outra religião sem compulsão, não pode ser enterrado num cemitério judaico nem se deve adotar o luto por ele. Para todos os efeitos e propósitos, sua deserção é aceita como separação verdadeira da fé e da comunidade, e portanto, não é honrado pela comunidade. Permitir o enterro ou qualquer outra observância religiosa para um apóstata deixaria a porta aberta encorajando a deserção de outros. Saber que todos os privilégios e honras do povo judeu não serão conferidos ao apóstata serve como um freio àqueles que consideram enveredar por esse caminho.

Pecadores arrogantes
Aqueles que publicamente, propositadamente e com arrogância, desonram os caminhos de Israel, sua fé e práticas, suas leis e tradições, mas não desertam formalmente do Judaísmo abraçando outra fé, têm garantidos os direitos de taharat (purificação) e o uso de mortalhas. Também são enterrados, embora numa parte obscura do cemitério judaico. No entanto, não há luto, como rasgar a roupa, aninut ou shivá. A comunidade judaica deve perdoar até certo ponto; além disso deve salvaguardar sua própria existência. Confere tal tratamento ao pecador falecido na esperança de impedir que outros sigam o seu exemplo.

Pecadores não intencionais
Aqueles que violam as leis e tradições de Israel por necessidade social, ou como resultado da ignorância sobre os detalhes da lei, não são considerados na categoria de pecadores arrogantes. Estas pessoas devem receber a medida completa de dignidade conferida a todos os judeus falecidos. Devem ser pranteados na maneira prescrita para todos os outros que morreram.

Mortos Cremados
Aqueles que escolhem não ser enterrados da maneira judaica não se deve guardar luto por eles. Suas cinzas não devem ser enterradas num cemitério judaico.

Criminosos executados
Aqueles que são executados pelo governo por razões que, sob a Lei Judaica, teriam trazido sobre eles uma sentença capital (tais como assassinos), não devem ser pranteados. Se o crime não teria merecido pena capital sob a Lei Judaica, o criminoso deve ser pranteado e lhe são conferidos todos os direitos de um funeral completo. Este é um problema incomum, e os detalhes de cada caso individual exigem consulta a uma autoridade rabínica.

Suicidas
Aquele que foi obviamente um suicida intencional não recebe eulogia nem luto, porém certas leis devem ser observadas. Existem, no entanto, numerosas qualificações sobre quem é legalmente considerado suicida intencional.

Filhos de casamentos mistos

O filho de uma mãe judia é considerado judeu, mesmo que o pai seja gentio. Portanto, esta pessoa deve ser pranteada como sendo um completo judeu e, por sua vez, está obrigado a ficar de luto por outros parentes. Compreensivelmente, exige-se dele que fique de luto pelo pai gentio apenas se o pai se converteu antes da concepção do filho.

Filhos nascidos fora do casamento
Se a mãe é judia, o filho é considerado judeu no que diz respeito a todas as leis do luto, como foi declarado acima.

Instruções para dispensar o luto

No caso de um pedido explícito feito pelo falecido de não ser pranteado pela observância de shivá, é questionável se a vontade do falecido deve ser cumprida. Depende muito do motivo do pedido. Se a intenção foi aliviar o fardo dos sobreviventes, permitir-lhes que fossem trabalhar, ou poupar à família dos inconvenientes da observância, então podemos desconsiderar o pedido e insistir em prestar homenagens ao falecido.
Se, no entanto, o motivo do pedido foi a violação intencional da tradição, devemos julgar se foi ou não feito por ignorância dos valores judaicos e seu verdadeiro significado. Se o motivo para o pedido foi baseado em ignorância, devemos certamente observar as leis de luto. Se foi uma negação voluntária dos valores judaicos, porém, a tradição judaica mandará obedecer à sua vontade, e não o honrará através da shivá.


SAÍDA DO CEMITÉRIO

1. Costuma-se após acompanhar um féretro, não voltar pelo mesmo caminho que veio, se for possível. Pelo menos deve-se evitar encontrar-se com as mulheres que estiveram também acompanhando, pois isto não é bom para ambos. Após o enterro, arranca-se um pouco de grama (exceto em Yom Tov e Chol Hamoed) e jogá-la por cima do ombro direito para trás pronunciando a seguinte frase: "Veyatsisu me'ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu" Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”. Isto é feito para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida na época da ressurreição dos mortos (Techiyas Hametim )

2. Antes de voltar para casa, deve-se lavar as mãos três vezes intercaladas tomando o cuidado de não passar a caneca de mão em mão. Como também, costuma-se não enxugar as mãos. Se esteve próximo do morto, ou se foi ao cemitério, não deve entrar em casa antes de lavar as mãos da forma acima

3. Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim – ablução das mãos. Não se costuma passar a caneca de netilat para outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para baixo, indicando que toda vida chegará ao fim. As mãos não devem ser enxugadas em sinal de que a memória do falecido ainda permanece conosco.

4. Após lavar as mãos recita-se o versículo (Yeshaiahu XXV): “Bilá hamavet lanetsach, umachá Ado-nai Elo-him dim’á meal col panim vecherpat amo yassir meal col haarets ki ado-nai diber” – “Abolirá a morte para sempre, e D’us apagará as lágrimas de todas as faces, e a vergonha de Seu povo tirará de toda a terra, pois assim disse D’us”.

5. Costuma-se sentar sete vezes em locais diferentes e recitar o Salmo 91 a cada vez. Isto é válido até mesmo para uma pessoa que não foi ao cemitério, mas apenas acompanhou o féretro.



Taharah – Preparação do Corpo
"Assim como veio, ele deve ir"                                   Cohêlet
Assim como um recém-nascido é imediatamente lavado e entra neste mundo limpo e puro, também aquele que parte deste mundo deve ser limpo e purificado através de um ritual religioso chamado taharah (purificação).

Leis referentes à Tahará

A tahará é realizada pela Chevra Kadisha (Sociedade Sagrada, i.e., Sociedade Funerária), composta por judeus instruídos na área dos deveres tradicionais, e que podem mostrar o devido respeito aos falecidos. Além da limpeza física e da preparação do corpo para o enterro, eles também recitam as preces exigidas pedindo perdão a D'us por qualquer pecado que o morto possa ter cometido, e rezando para que o Todo Misericordioso o guarde e lhe conceda a paz eterna.

Fazer parte da Chevra Kadisha sempre foi considerada uma grande honra comunitária concedida apenas àqueles que são realmente piedosos. Não-judeus, sob nenhuma circunstância, podem realizar estas tarefas sagradas de preparar o corpo, pois o ritual de tahará de maneira alguma é meramente um ritual higiênico. É um ato religioso judaico.

Em preparação para o enterro, o corpo é completamente limpo e envolto numa mortalha simples branca de linho comum. Os Sábios decretaram que tanto a roupa como o caixão devem ser simples, para que um pobre não receba menos honra na morte que uma pessoa rica. O corpo é envolto num talit com seus tsitsit, franjas, rasgadas para torna-los inválidos.

O corpo não é embalsamado, e os órgãos e fluidos não devem ser removidos. O corpo não deve ser cremado. Deve ser sepultado na terra. Os caixões não são obrigatórios, mas se forem usados, devem ter buracos para que o corpo possa entrar em contato com o solo. [Este texto, dentro dos colchetes, é de autoria da Chevra kadisha: É proibido embalsamar o corpo, pois o sangue do morto faz parte dele e deve ser enterrado com ele. Quando se faz necessário transportar o corpo para outra localidade, a Chevra kadisha aplica as técnicas de conservação de cadáveres permitidas pela tradição judaica e de acordo com a legislação brasileira.

Dentes de ouro, dentadura, lentes de contato e próteses devem ser retirados do corpo e não serem enterrados com ele.

É permitido deixar os enlutados verem o falecido antes de fechar-se o caixão, mas deve-se persuadi-los a não fazê-lo. Tocá-lo ou beija-lo é proibido.]

O corpo nunca é exibido em funerais; cerimônias com o caixão aberto são proibidas pela Lei Judaica. É aconselhável que membros da família imediata se ausentem durante a purificação, pois embora sua presença pudesse constituir um símbolo de respeito, é considerado muito doloroso para assistirem. O rabino pode agendar essa purificação através da Chevra Kadisha. A tarahá é a maneira milenar judaica de mostrar respeito pelos mortos. Isso não é meramente um "antigo costume" ou uma "bela tradição", mas uma exigência absoluta da Lei Judaica.

Vestir o Corpo

A tradição judaica reconhece a democracia da morte. Portanto, exige que todos os judeus sejam enterrados com o mesmo tipo de roupa. Ricos ou pobres, todos são iguais perante D'us, e o que determina sua recompensa não é aquilo que vestem, mas aquilo que são.

Há 1900 anos, Rabi Gamaliel instituiu essa prática para que os pobres não se envergonhassem e os ricos não rivalizassem entre si ao exibir roupas dispendiosas ao serem enterrados.

As roupas a serem vestidas devem ser apropriadas para alguém que em breve estará em julgamento perante D'us Todo Poderoso, o Mestre do Universo e Criador do homem. Portanto, devem ser simples, feitas à mão, perfeitamente limpas e brancas. Estas mortalhas simbolizam pureza, simplicidade e dignidade. Mortalhas não têm bolsos. Portanto, não podem levar riquezas materiais. Nem um pertence do homem, exceto sua alma, tem importância.

A Chevra Kadisha tem um suprimento dessas mortalhas. Se decorrer algum tempo antes de serem obtidas, o funeral deve ser retardado, pois são consideradas muito importantes. As mortalhas devem ser feitas de musselina, linho ou algodão. A regra é que não se deve gastar muito mais que o preço do linho, mas usar um tecido menos dispendioso.

O falecido deve ser envolto em seu talit – não importa se é ou não dispendioso, novo ou velho. Uma das franjas deve ser cortada. Quem não era observante ou acostumado a colocar talit pode, se desejado, ser enterrado num talit comprado especificamente para esse fim. A família do falecido deve decidir nesse caso.

O texto abaixo é de autoria do Rabino Shamai Ende, retirado de seu livro “Os Últimos Momentos”
A lavagem e a Tahará (purificação) do corpo

1. É costume judaico lavar a cabeça e o corpo do falecido com água morna. Esta lavagem deve ser feita somente por judeus, e normalmente é feita pelos membros da Chevra Kadisha. Parentes como pai, irmão, cunhado, sogro, e especialmente os filhos não devem participar desta lavagem.

2. Esta lavagem deve ser feita a portas fechadas, e ninguém além dos responsáveis pela mesma não pode estar presente.

3. Esta de preferência deve ser feita o mais próximo do enterro, sendo que não se deve ter uma interrupção entre a lavagem e o enterrro de mais de 3 horas, salvo se não houver outra opção.

4. Após a lavagem, joga-se sobre o corpo uma quantia de 9 Kabin (pouco mais de 12 litros) de água para purificá-lo, se enxuga completamente o corpo, veste-se mortalhas de linho especialmente preparadas, e no caso de homens, veste-se o Talit por cima das mortalhas (se for possível, deve se usar o Talit que usava em vida para rezar), envolvendo-o finalmente com um lençol antes de colocá-lo no caixão.

5. Existem aqueles que costumam, após envolver totalmente o corpo, chamar os filhos para amarrar o cinto.

6. Como existem muitas leis e costumes relacionados com a lavagem, purificação e vestimenta, e muitas preces a serem recitadas, como também existem casos especiais em que esta lavagem não é feita ou feita de forma diferente, sendo que por estes e outros motivos esta deve ser feita apenas pelos membros da Chevra Kadisha e aqueles que tem conhecimento e experiência.

Keriá – Rasgar as Roupas 1. Aquele que perdeu um parente próximo tem a obrigação de fazer a Keriá (rasgar sua roupa). Esta consiste em uma obrigação de ordem rabínica muito rigorosa. O prazo da keriá a princípio é desde o falecimento até cobrir o corpo com terra. No entanto, entre os Sefaradim, muitos costumam fazer a keriá somente ao voltar para casa após o enterro. O costume entre os ashkenazim, é fazer a keriá antes de levar o corpo de casa, ou do último local antes de ser levado para o enterro. Antes de fazer a keriá deve recitar a berachá: “Baruch Atá A-do-nai E-lo-hênu Melech haolam Dayan haemet” – “Bendito és Tu, Ó Senhor nosso D’us, Rei do Universo, o juiz verdadeiro”.

2. Em Shabat e Yom Tov é proibido fazer a keriá. Em chol hamoed, só pode fazer a keriá o(a) Filho(a) do(a) falecido(a). Os demais enlutados fazem a keriá após o último dia de Yom Tov. No entanto, a brachá de “dayan emet” deve ser recitada por todos na hora da saída do enterro, mesmo aqueles que não irão fazer a keriá.

3. O enlutado que não fez a keriá antes do enterro, deve fazê-la durante os sete dias de Shivá. No entanto, após o terceiro dia de luto, não se recita a berachá acima completa, recitando apenas sem o nome de D’us da seguinte forma: “Baruch Dayan Haemet”. Caso tenha passado o período da shivá e não foi feita a keriá, no caso que ele poderia ter feito, esta não é mais feita. Isto trata-se apenas de outros parentes que não seja o pai ou a mãe. Sobre os pais, o enlutado que não fez a keriá durante a shivá, tem a obrigação de fazê-lo na primeira oportunidade, sem limite de prazo.

4. A keriá deve ser feita de pé, sem se apoiar em nada, salvo em caso de doença. Caso a keriá foi feita sentado, esta deve ser repetida. O próprio enlutado deve rasgar suas roupas se possível. O costume é que alguém inicia com um corte com faca ou tesoura e o enlutado termina rasgando com as próprias mãos, sem o uso de utensílios. Porém sobre outros parentes, fora o pai ou mãe, pode se quiser fazer a keriá com um utensílio. O corte deve ser feito na vertical e não na horizontal, acompanhando o comprimento da roupa, a partir da borda, de forma a separar o corte em dois.

5. Sobre o pai ou mãe, a keriá deve ser feita no lado esquerdo superior da roupa, sendo que devem ser cortadas todas as roupas até revelar o coração (paletó, camisa, malha, etc.), porém não há necessidade de cortar o sobretudo e a camiseta de baixo (usada para proteger do suor) nem o talit catan (tsitsit). Sobre os demais parentes, deve se cortar do lado direito superior, bastando apenas a roupa superior. O tamanho do corte é de no mínimo 8 cm, sendo que em demais parentes, fora pai e mãe, não se deve acrescentar muito à esta medida. A keriá deve ser feita no lado da frente da roupa, caso esta foi feita no lado de trás ou inferior, não foi válida devendo ser repetida no local certo.

6. Se dois parentes faleceram ao mesmo tempo, ou a notícia do falecimento de dois parentes chegou ao mesmo tempo, basta um único corte para os dois. Isto é válido mesmo para quem perdeu ambos os pais ao mesmo tempo. No entanto, se um dos parentes for o pai ou a mãe, e o outro se tratar dos demais enumerados acima, deve ser feito um corte separada para o pai ou mãe (no lado esquerdo), e outro para os demais parentes (no lado direito).

7. O enlutado deve vestir a roupa rasgada de preferência até o final da Shivá. No caso de muita necessidade pode trocar a roupa durante a Shivá, porém se o luto for pelo pai ou mãe, esta roupa trocada deve ser também rasgada conforme as leis acima.

8. Durante o Shabat, deve se trocar de roupa, não podendo usar as roupas rasgadas, porém estas devem ser trocadas não muito antes da entrada do Shabat, e logo após o Shabat, o enlutado deverá vestir novamente as roupas rasgadas.

9. Logo após levantar da shivá, estas roupas podem ser trocadas.

10. A roupa que foi rasgada pode ser costurada somente após trinta dias do luto. Porém no caso do falecimento de pai e mãe, as roupas rasgadas jamais podem ser costuradas. No entanto, a roupa pode ser costurada de forma irregular após a shivá, no caso de outros parentes, ou após trinta dias, pelo pai ou mãe, no entanto deve-se evitar fazê-lo.

A Keriá em crianças

11. Uma criança, ou seja, meninos abaixo de 13 anos e meninas abaixo de 12 anos, não tem a obrigação de rasgar as roupas em sinal de luto. Porém existem idéias que se eles já têm idade de entender o luto, devem fazer a Keriá se estiverem presentes na hora do enterro ou do hesped, discurso fúnebre. Caso a criança não tem idade de entender o luto, rasga-se a roupa dele só um pouco para despertar a dor do luto nos demais parentes.


O CAIXÃO - "Pois tu és pó, e ao pó retornarás" (Bereshit 3:19), é o princípio guia sobre a escolha de caixões. A prática em Israel e em muitas partes da Europa tem sido enterrar numa cama de juncos entrelaçados, sem qualquer caixão, cumprindo, literalmente, a prescrição bíblica de devolver o corpo ao seio da terra. O caixão era usado antigamente para propósitos de honra, como no enterro de um sacerdote, ou para evitar uma visão chocante, como no caso de alguém que morreu gravemente queimado ou desfigurado, ou ainda para evitar risco sanitário, como no caso de alguém que morreu de uma doença contagiosa.

Nesse país, no entanto, os mortos são sempre enterrados em caixões. A compra do caixão não deve ser determinada pelo custo, e não se deve preocupar em excesso com a opinião dos visitantes.

Seguem-se alguns critérios básicos:

1 – O caixão deve ser feito completamente de madeira. A Torá nos diz que Adam e Eva se esconderam entre as árvores no Jardim do Éden quando ouviram o Divino julgamento por cometerem o primeiro pecado. Disse Rabi Levi: "Aquele foi um sinal para seus descendentes que, quando eles morrerem e se prepararem para receber sua recompensa, devem ser colocados em caixões feitos de madeira."

Outro motivo para o uso de um caixão de madeira é para que o corpo e a mortalha não se decomponham muito tempo antes que o caixão. O corpo, o tecido e a madeira têm prazos de deterioração semelhantes. Um caixão de metal retardaria o processo "Ao pó retornarás."

2 – Caixões com alças de metal, teoricamente, podem ser usados. Isso satisfaz os dois motivos previamente mencionados para o uso de caixões de madeira. Existe um costume antigo, porém, que é aceito pela maioria dos judeus, exigindo que apenas alças de madeira sejam usadas. Nas capelas funerárias estes caixões com pegadores de madeira são chamados "Ortodoxos".

3 – Interior do caixão. Com freqüência, os caixões ortodoxos são adquiridos com o interior forrado, com colchão e travesseiro, preparatório para exibir o falecido – um procedimento totalmente questionável na verdadeira crença e prática ortodoxa. Interiores forrados não são considerados adequados. Assim como o embalsamamento, o uso de ternos e a exibição, eles violam os princípios básicos do funeral judaico. O interior não acrescenta "conforto", muito menos dignidade e respeito. É apenas um acessório artificial, projetado para "exibição", e exibir o corpo certamente não é aceito religiosamente.

4 – Tipo de madeira. Na verdade não faz diferença que estilo ou qualidade de madeira foi selecionada para o caixão. Seja mogno ou pinho, polido ou simples, não é importante. Muitos insistem em fazer buracos no fundo do caixão para cumprir a exigência "ao pó retornarás". Isso é apropriado e deve ser encorajado.

5 – Terra da Terra Santa é freqüentemente enterrada junto com o falecido, Este é um costume comovente e significativo. Aqueles que desejam cumpri-lo, não devem ser desencorajados. O agente funerário pode facilmente arranjar este item.

6 – O caixão não precisa ser nem muito caro nem barato. Os Sábios não consideram a despesa como um barômetro da homenagem aos mortos. Para alguns seria preferível contribuir com dinheiro para caridade em nome do falecido, em vez de comprarem caixões luxuosos. O custo é uma questão pessoal, e deveria estar de acordo com o orçamento dos sobreviventes. A exigência essencial é que prevaleça a dignidade.

7 – Caixões luxuosos não são de bom gosto. O Presidente Franklin Delano Rossevelt deixou instruções específicas para que "o caixão seja de absoluta simplicidade, de madeira escura, que o corpo não seja embalsamado ou hermeticamente selado, e que o túmulo não seja revestido com tijolos, cimento ou pedras." Da mesma forma, quando os restos mortais do Presidente John F. Kennedy foram transportados num caixão de bronze, antes que arranjos explícitos pudessem ser feitos, a viúva decidiu que o espírito e a vida do Presidente exigiam um caixão simples, e ele foi removido do caixão de bronze e enterrado num caixão de madeira.


LEVAYÁ (CORTEJO)
Costumes na hora de retirar o corpo da casa

1. Existe uma mitsvá de ordem rabínica de acompanhar e participar ativamente do enterro e carregar o morto na hora que se está sendo levado para ser enterrado. Normalmente todas as preparações para o enterro, como cavar a cova, preparar as mortalhas, lavar o corpo, etc., é trabalho da Chevra Kadisha, sendo que as demais pessoas estão isentas deste trabalho. Porém em locais onde não existe uma Chevra Kadisha, é uma obrigação de todos os judeus locais de fazer todas as preparações e todo o enterro, mesmo se for necessário deixar de trabalhar ou anular um estudo de Torá para isto.

2. Ao retirar o falecido da casa onde se encontra, ele deve ser carregado pelos membros da Chevra Kadisha. Neste momento, ninguém pode sair do local antes do morto, pois isto pode causar-lhes um prejuízo. Neste momento os presentes devem dar Tsedacá por vários motivos:

a.A Tsedacá salva da morte;

b. A morte de justos traz o perdão tal como a Tsedacá;

c. A Tsedacá indica união do povo, tal como todos estão agora reunidos para prestar uma homenagem;

d. Pelo mérito da Tsedacá ocorrerá a ressurreição dos mortos. A Chevra Kadisha carrega o corpo um pouco adiante da casa, sendo que então, já pode ser passado de mão em mão. Antes de retirar o corpo da casa, o costume é recitar alguns Salmos e os enlutados recitam o cadish.

3. Se existem dois mortos, estes não devem ser tirados e acompanhados juntos (salvo em caso de emergência, como por ex. na véspera do shabat), sendo que primeiro se retira o que faleceu primeiro, e após seu enterro, retira-se o próximo. Se o processo de putrefação de um deles já iniciou, deve-se dar preferência ao mesmo. Existem outros casos de preferências, devendo sempre consultar um rabino competente.

A Keriyá (rasgar as roupas) e pedido de perdão

4. Antes do cortejo final que levará o caixão ao local do enterro, os enlutados devem rasgar suas vestes. É costume também que neste momento, os membros da Chevra Kadisha peçam perdão ao falecido por qualquer falta de respeito ou falha cometida na preparação do enterro e na Tahará. Como também, os filhos (e demais presentes) devem pedir perdão por qualquer falta cometida durante sua vida ou após sua morte.

O cortejo
5. Deve-se tomar o cuidado para que pelo menos 10 pessoas acompanhem o enterro, mesmo da pessoa mais simples. Se o falecido é estudioso da Torá, um número imenso de pessoas ainda não é demais, sendo que todos devem vir participar de seu féretro. Se está se tratando de alguém que além de estudar também ensinava Torá, não há limite para o número de acompanhantes.

6. Se a pessoa encontra em seu caminho um enterro judaico, deve acompanhá-lo por pelo menos 4 amot (aprox. 2 metros), sendo que se não o fizer é considerado desprezo ao falecido, e uma falha grave, salvo se já o estão acompanhando. Mesmo neste caso, deve-se pelo menos ficar parado até o féretro passar.

7. Mesmo se o morto está sendo levado para um outro local, não para o cemitério, como por ex. se vai ser levado para outro país, deve-se acompanhá-lo pelo menos 4 amot nesta sua última jornada.

8. Muitos tem o costume de que os filhos do falecido não acompanhem o caixão, devendo seguir em frente do mesmo, ou ir direto ao local da sepultura esperar a chegada do mesmo.

9. Existem locais em que as mulheres não participam de enterros, porém mesmo em locais que elas participam, devem tomar o máximo cuidado de não andar entre os homens, como também os homens entre as mulheres, pois isto pode prejudicá-los.

10. A mitsvá é o féretro ser carregado por homens judeus o caminho inteiro não deixando de forma alguma ser carregado por não judeus. De preferência este deve ser carregado por sobre os ombros. Deve-se trocar o caixão de mão em mão para que todos tenham a possibilidade de cumprir esta mitsvá. Em muitas comunidades atuais é costume que os enlutados não carreguem o caixão e não se ocupem com o enterro, principalmente os filhos. Costumamos também não deixar os filhos sequer acompanhar o caixão, andando na frente do mesmo.

11. Se há condições, o corpo deve ser carregado a pé em todo o percurso, desde o local do falecimento até o túmulo. Caso a sepultura esteja localizada em um local mais distante e sendo isto impossível, o corpo pode ser levado de carro. Neste caso, deve-se tomar o cuidado que este seja dirigido por um judeu, ou pelo menos que um judeu esteja dentro do carro acompanhando.

12. Na hora que se vai acompanhar, não se deve cumprimentar ninguém. Isto não pode ser feito também dentro do cemitério, ou próximo do falecido. Como também não se deve conversar no local, somente se os assuntos forem relacionados ao enterro. É apropriado que todos os acompanhantes recitem Tehilim (Salmos) e demais preces, despertando a misericórdia Divina pelo falecido. O costume judaico é recitar neste momento várias vezes o Salmo 91. É uma mitsvá dar tsedacá em prol do falecido.

13. Aqueles que acompanham o corpo não podem ter o tsitsit para fora, este deve estar coberto ou ser colocado para dentro das vestes. [há o costume de colocá-los sempre para dentro antes de visitar o cemitério e só retira-los após a completa saída do cemitério; o motivo é que a alma dos mortos se entristece por não poder mais cumprir esta mitsvá].

Maamadot – as paradas
1. Durante o cortejo, deve-se parar algumas vezes e colocar o caixão no chão. Se o cortejo passa em frente às sinagogas, estas paradas são feitas em frente às mesmas. Pronunciam-se alguns Salmos neste momento, e os enlutados recitam o cadish. Estas paradas visam afastar os maus espíritos que acompanham o corpo que querem impedi-lo de seguir para o descanso final. Por este motivo, em dias festivos, quando o tsiduc hadin não é recitado, não são feitas estas paradas, pois estes espíritos não tem domínio nestes dias.

2. Atualmente, costuma-se fazer sete paradas durante o cortejo no cemitério, próximo à chegada ao túmulo, nas últimas 30 amot (aprox. 15 m), uma parada a cada 4 amot (aprox. 2m). Antes de cada uma destas paradas costuma-se recitar o Salmo 91, também sete vezes, até antes do versículo “Ki malachav...”.

Em cada uma das paradas, acrescenta-se uma palavra deste versículo, encerrando-o na sétima vez. Após a sétima parada, faz-se uma espera um pouco mais longa, para trazer capará ao falecido, e então se recita 3 vezes o versículo (Tehilim LXXVII): “Vehu Rachum yechaper avon velo Yashchit vehirbá lehashiv apó veló yair col chamató” –Este versículo tem 13 palavras, que são equivalentes aos treze Atributos Divinos de misericórdia. Por isto é recitado três vezes, totalizando 39 palavras, pois três vezes os Treze Atributos despertam o Perdão Divino ao falecido. (“E Ele é Misericordioso, vai perdoar o pecado, e revoga Sua ira demasiadamente, e não despertará todo Seu ódio”).

Em seguida, leva-se o caixão direto ao túmulo.
3.Nos dias em que o tsiduc hadin não é recitado não se faz esta paradas.
4.Existem costumes que só se faz estas paradas para falecidos homens, e não para mulheres. Outros costumam fazer para ambos. Deve-se seguir o costume local.


O HESPED - Discurso Fúnebre
1. Consiste em uma grande mitsvá honrar o falecido, homem ou mulher, com discursos à sua altura. Deve-se pedir para alguém competente para fazer um hesped digno. Esta mitsvá cabe aos enlutados e parentes, principalmente dos herdeiros do falecido. Costuma-se honrar os rabinos presentes para falar o hesped, sendo que os enlutados não devem impedi-los, salvo se não for alguém digno, para não diminuir a honra do falecido. Caso o falecido tenha solicitado em vida que não se fale um hesped em sua homenagem, sua vontade deve ser cumprida.

2. O hesped deve ser pronunciado de preferência diante do falecido, podendo ser dito também após o enterro, durante a shivá, ou durante o ano. Deve- se fazer o hesped ao chegar a notícia do falecimento, mesmo após ter passado vários dias após o enterro. Não se faz o hesped após 12 meses do falecimento.

3. Nestes discursos, chamados de hesped, o falecido deve ser lembrado citando seus bons atos. Deve ser falado em voz alta, e sobre algo que quebre os corações dos presentes, para despertar o pesar e o choro. Todo aquele que derrama lágrimas sobre uma pessoa justa, D’us as conta e guarda em seu tesouro Celestial. Por outro lado, todo aquele que tem desleixo e preguiça e não faz um hesped a altura para uma pessoa justa, não terá longevidade.

É proibido exagerar demais nas qualidades do falecido. Todo aquele que fala de qualidades do falecido que este não as tinha, ou que exagera demasiadamente naquilo que ele tinha, causa um prejuízo para si e para o falecido. Por este motivo muitas pessoas preferiam que não fosse feito para eles um hesped. Entre os chassidim costuma-se evitar o hesped. pois temos certeza que não era este o desejo do falecido.

4. Não se deve levar o corpo para dentro da sinagoga ou de um beit midrash (casa de estudos, onde também se reza) pois isto é proibido e causa prejuízo ao falecido, salvo se o falecido for um sábio e um grande conhecedor da Torá. Neste caso, deve-se levar seu corpo para ser velado na sinagoga.

5. Em certos dias festivos é proibido falar o hesped, para não diminuir a alegria da data. A seguir a lista destes dias: Rosh Chodesh, todo o mês de nissan, Pêssach Sheni, Lag Baomer, Chanucá, Purim e Shushan Purim, Purim Catan e Shushan Purim Catan, Isru chag (no dia posterior a Shavuot e Simchat Torá), entre Yom Kipur e Sucot, Tu Bishvat, 15 de Av, véspera de shabat e Yom Tov após meio dia, véspera de Yom Kipur, mesmo antes do meio dia. Nestes dias porém pode-se fazer um hesped para um erudito, conhecedor da Torá, somente perante o corpo.

6. A seguir a lista dos dias que não se pode falar o hesped mesmo sobre um erudito: Shabat, Yom Tov (1º e 2º dias) e chol hamoed.

7. Deve-se evitar falar o hesped nos trinta dias próximo de um Yom Tov, se o falecimento ocorreu antes destes trinta dias.


O ENTERRO

1. O ideal seria colocar o corpo diretamente na terra sem nenhuma interrupção, deitado de costas, e nas laterais, deveria se colocar madeiras e sobre elas uma tábua para impedir que a terra caia sobre sua face. Porém atualmente, o costume em muitas cidades fora de Israel é enterrá-lo em caixão. No entanto, para que ele seja colocado diretamente na terra, costuma-se fazer vários orifícios na parte inferior do mesmo. Geralmente, os membros da Chevra Kadisha fazem estes orifícios na hora da lavagem do corpo.

2.O costume judaico é de adquirir o local do cemitério aonde a pessoa será enterrada com dinheiro próprio (Nossos sábios explicam que após o enterro em local próprio, o corpo fica protegido de forças negativa, que não tem direito de entrar em propriedade particular. A Torá deixa claro, para que ninguém tenha dúvidas no futuro ou venha a questionar, a compra que nosso patriarca Avraham realizou ao fazer questão de comprar o local para enterrar sua esposa Sara, Marat Hamachpela. Este local foi destinado para seu próprio enterro, bem como de seu filho, neto e respectivas esposas. Muitos costumam comprar seu local no cemitério ainda em vida por ser uma segulá – receita – para uma longa vida) mesmo se a pessoa for pobre. De preferência deve adquirir o local ainda em vida, ou pelo menos antes do enterro. Caso os filhos não se encontram no local, pode-se tirar de seus bens para o enterro (contanto que seja uma taxa fixa igual para todos). Deve-se tomar o máximo cuidado para não atrasar o enterro de forma alguma por questões monetárias, para não chegar a transgredir uma proibição da Torá.

3.Os responsáveis pelo pagamento e por todos os detalhes do enterro, em primeiro lugar são os filhos. Caso não teve filhos homens, as filhas, e em seguida todos que o herdam. Como também, a eles cabe a responsabilidade de garantir que o enterro seja feito em local e de forma respeitável, a altura do falecido. O marido é o responsável pelo enterro da esposa.

4.A profundidade da cova deve ter pelo menos pouco mais de 80cm, porém, costuma-se por motivos cabalísticos cavar uma cova onde caiba uma pessoa mediana de pé. Entre um túmulo e outro, se for possível, deve-se ter pouco mais de meio metro, porém muitos cemitérios judaicos atuais fazem paredes bem mais finas, e tem em que se basear.

5.Deve-se enterrar os filhos o mais perto possível de seus pais (dando preferência ao pai antes da mãe) e familiares, sendo que em túmulos da mesma família não há necessidade de afastá-los conforme a medida acima. Como também tem os que costumam colocar a esposa ao lado do marido, sendo que se esta foi casada duas vezes, sabe-se quais dos dois ela mais gostava, ou com qual dos dois ela teve filhos, coloca-se ao lado do mesmo. Se não existe diferença, deve ser enterrada ao lado do segundo. Muitos costumam sempre dar preferência ao segundo marido. No entanto, em muitos cemitérios os homens são enterrados em locais separados das mulheres.
6.As cinzas de corpos que foram cremados por acidente, (em acidentes de carro ou avião por ex.) devem ser enterradas também no cemitério judaico recaindo sobre os parentes todas as leis de luto, o que não ocorre com os que foram cremados propositadamente.

7.Deve se tomar o cuidado de apenas judeus cobrirem o túmulo com terra, sendo que cada um joga um pouco de terra para participar da mitsvá, até preencher o túmulo. Deve-se tomar o cuidado de não passar a pá de mão em mão, (Pois é como que estivesse passando uma desgraça de um para outro) sendo que cada um deixa a no chão após o uso e o próximo pegará a mesma do local deixado pelo primeiro.

8.Ao jogar a terra sobre o túmulo, cada um deve recitar três vezes o versículo “Vehu Rachum...” e vários outros versos evocando a presença Divina junto ao falecido.

Tsiduc hadin e Cadish

1.Ao cobrir o caixão de terra recita-se o “Tsiduc Hadin” (afirmamos neste trecho, nossa fé na Justiça Divina, recitando vários versículos com este tema. O correto seria recitá-lo logo após o falecimento. Porém se espera para recitá-lo na hora do enterro, onde se encontra um público maior. Muitos costumam recitá-lo duas vezes, uma vez antes do corpo abandonar o local do falecimento, quando só os enlutados o recitam, e na hora do enterro, onde recitam também todos o que se ocupam do enterro.) Nos dias que não se recita “Tachanun”, não se recita o “Tsiduc Hadin”. O mesmo é válido para as vésperas de shabat, Yom Tov e Rosh Chodesh após o meio dia, e na véspera de Rosh Hashaná e Yom Kipur, mesmo antes do meio dia. Porém na véspera de outras datas festivas após o meio dia, mesmo que não se recita o “Tachanun”, deve-se recitar “Tsiduc Hadin”. No entanto, este não é recitado a noite.

2. O “Tsiduc Hadin” é recitado sobre falecidos homens, mulheres e crianças a partir de 30 dias. Sobre fetos, ou crianças menores de um mês, ou sobre cinzas, não é recitado.

3. Após recitá-lo costuma-se falar o Salmo 49. Em seguida, após terminar de preencher totalmente a cova de terra, os enlutados tiram os sapatos e recitam um cadish especial: “Dehu atid leitchadata..”. Nos dias em que o “Tsiduc Hadin” não é recitado, este cadish também não o é. Neste caso recita-se apenas o Salmo 49, e em seguida o enlutado recita o Cadish Yatom.

Shurá – a fila de consolo

4. Após o Cadish, faz-se uma fila entre os presentes, de pelo menos dez pessoas, e os enlutados (somente os homens maiores de bar-mitsvá) passam entre as filas, já sem os sapatos, e os presentes consolam o falecido com as palavras: “Hamacom Yenachem etchem betoch shaar avelei tsion viyerushalaim” – “D’us os consolará, junto com os demais enlutados de Tsyion e Jerusalém”. Em seguida o enlutado volta para casa já sem o sapato. Se isto não for possível, deve colocar dentro do sapato um pouco de terra, e ao chegar em casa deve retirá-lo. Muitos costumam trocar os sapatos somente ao chegarem em casa.

[Existe o costume de formar uma fila de mulheres para que as mulheres e moças enlutadas passem entre elas e os homens formem uma fila separada para que apenas os homens e rapazes enlutados passem entre eles. Em ambos casos é pronunciado “Hamacom ...”]


SAÍDA DO CEMITÉRIO
1. Costuma-se após acompanhar um féretro, não voltar pelo mesmo caminho que veio, se for possível. Pelo menos deve-se evitar encontrar-se com as mulheres que estiveram também acompanhando, pois isto não é bom para ambos. Após o enterro, arranca-se um pouco de grama (exceto em Yom Tov e Chol Hamoed) e jogá-la por cima do ombro direito para trás pronunciando a seguinte frase: "Veyatsisu me'ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu" Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”. Isto é feito para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida na época da ressurreição dos mortos (Techiyas Hametim )

2. Antes de voltar para casa, deve-se lavar as mãos três vezes intercaladas tomando o cuidado de não passar a caneca de mão em mão. Como também, costuma-se não enxugar as mãos. Se esteve próximo do morto, ou se foi ao cemitério, não deve entrar em casa antes de lavar as mãos da forma acima

3. Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim – ablução das mãos. Não se costuma passar a caneca de netilat para outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para baixo, indicando que toda vida chegará ao fim. As mãos não devem ser enxugadas em sinal de que a memória do falecido ainda permanece conosco.

4. Após lavar as mãos recita-se o versículo (Yeshaiahu XXV): “Bilá hamavet lanetsach, umachá Ado-nai Elo-him dim’á meal col panim vecherpat amo yassir meal col haarets ki ado-nai diber” – “Abolirá a morte para sempre, e D’us apagará as lágrimas de todas as faces, e a vergonha de Seu povo tirará de toda a terra, pois assim disse D’us”.

5. Costuma-se sentar sete vezes em locais diferentes e recitar o Salmo 91 a cada vez. Isto é válido até mesmo para uma pessoa que não foi ao cemitério, mas apenas acompanhou o féretro.


CLINICA TANATUS Cuidados Pós Morte Headline Animator

CLINICA TANATUS Cuidados Pós Morte

HISTÓRIA DO IML DO DISTRITO FEDERAL

Em 1955, com a aprovação do Regulamento Geral do Departamento Federal de Segu­rança Pública (DFSP), a Divisão de Policia Técnica — DPT foi organizada da seguinte forma:

• Delegacia Especial de Polícia;
• Instituto de Criminalística;
• Instituto Médico-Legal;
• Instituto Félix Pacheco;
• Serviço Fotográfico;
• Escola de Policia;
• Seção de Administração.

O Instituto de Medicina Legal - IML, funcionava no Rio de Janeiro com o nome de Instituto Médico-Legal. A ele competia a prática de perícias médico-judiciárias do DFSP e da Justiça, bem como a realização de investigações científi­cas relativas à medicina legal. Sua estrutura compreendia:

• Seção de Clínica Médico-Legal;
• Seção de Necropsias;
• Seção de Perícias de Laboratório;
• Seção de Administração.

À Seção de Clínica Médico-Legal cabia a realização dos exames que se referissem às especialidades dos médicos legistas (clínicos,estomato-oftalmo-otorrinolaringologistas e neuropsiquiatras), como também às atividades de perícia médico-legal em locais suspeitos de crime e a orientação para as provas fotográficas necessárias às Seções Técnicas.

À Seção de Necropsias cabia a realização das perícias de necropsia; dos exames externos de cadáveres; das colheitas, em todas as necropsias, de material para os exames na Seção de Perícias Laboratoriais e da administração das salas de necropsias.

Seção de Perícias de Laboratório cabia a realização das perícias que se referissem à histopatologia, bacteriologia, sorologia, hematologia, bioquímica e pesquisas de manchas;

Perícias toxicológicas;

Perícias radiológicas (até mesmo nos cadáveres); preparação e conservação de peças anatômicas em natureza e em cera ou desenhos para o “Museu de Medicina Legal”.

A Seção de Administração cuidava de tudo o que se referisse a pessoal,material, orçamento e relações administrativas. Em janeiro de 1956, o IML sofreu algumas alterações em sua estrutura, passando a ter a seguinte organização:

• Seção de Clínica Médico-Legal;
• Seção de Necropsias;
• Seção de Anatomia Patológica e Histologia;
• Seção de Radiologia;
• Seção de Toxicologia;
• Seção de Administração;
• Zeladoria.

2 - A MEDICINA LEGAL EM BRASÍLIA:

Em 1957, foram efetuados em Brasília os primeiros registros de atividades médico-legais, onde um laudo de necropsia estava reduzido a meras informações de idade, causa da morte, data e local do óbito, como se vê abaixo:

Registro 1.Vítima: Benedito Xavier da Silva — idade 45 anos, data do óbito: 20 de abril de 1957. Local: Acampamento do Guará. Causa Mortis: colapso cardíaco. Sepultado em: Formosa, GO.
Os procedimentos legais quanto ao óbito eram efetuados em Planaltina ou em Luziânia, onde os cadáveres eram sepultados.
Até 1957, os mortos encontrados além do córrego Vicente Pires (Núcleo Bandeirante) eram levados para Luziânia (GO) e os do lado de cá (rumo ao Plano Piloto) eram levados para Planaltina uma vez que ainda não havia polícia judiciária no que seria o DF.
O IML começou a funcionar em Brasília em nível informal e muito precariamente. Em meados de 1957, findavam-se as obras do “Hospital Craveiro Lopes”, no Núcleo Bandeirante.
Segundo o relato abaixo, naquela época ocorreu o primeiro caso de Traumatologia Forense, quando um motorista, ao ver o caminhão desgovernar-se, saltou e teve a perna esmagada, e, logo depois, amputada naquele hospital (que nem mesmo havia sido inaugurado) “por uma equipe médica improvisada, mas de alta qualidade técnica”.
O primeiro caso que chamo de Traumatologia Forense foi o de um português.
Ele despencou de uma ladeira que tinha na cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante.
(...). Ali, o caminhão sem freios tombou. Ao saltar, uma das rodas passou sobre a sua perna. (....) A perna dele estava tão ruim que nem sentia mais pulso nos dedos. (...). Não havia sido inaugurado o hospital e nem havia condições cirúrgicas. Se mandasse para Goiânia, era longe e morreria (...) Não havia anestesista. Ensinei um pediatra noções de anestesia e expliquei como deveria ir fazendo. Observando as pupilas, acabei amputando a perna do rapaz, o que me causou uma grande insatisfação. Foi uma coisa de campanha. Era como se estivéssemos numa guerra civil. Esse eu considero o primeiro caso de medicina legaL Não havia IML como tal. Eu fiz o papel de médico legista. Nessa época o médico legista tinha que ser nomeado por um juiz ou um delegado. Eu estava agindo como cirurgião, salvando uma vida, mas praticamente qualquer coisa que eu fizesse era um laudo médico-legal, e tinha valor (...) Ao lado do Hospital, que era de madeira, foi construída uma sala também de madeira que constituiu-se, de fato, o primeiro IML do Distrito Federal.
Os laudos eram solicitados verbalmente pela Polícia, na época, denominada GEB. (...) Começaram a aparecer aventureiros se passando por médico. Um destes que se dizia endocrinologista chegou a tratar do Juscelino (Presidente JK).
Depois descobriu-se que ele era laboratorista (...) Houve casos de se chamar um clínico que não tinha conhecimento de medicina legal e colocava para fazer uma necropsia de baleado, e fazia uma salada entre orifícios de entrada e saída, confundindo o número de projetis.
Em 18 de junho de 1959, o IML foi criado oficialmente em Brasília. Era subordinado à Divisão de Polícia Técnica do Departamento Federal de Segurança Pública — DFSP.
Já em abril de 1960, o laudo de necropsia obteve discreto aperfeiçoamento, incorporando dados de identificação, como: nome dos pais, assinatura do médico e local de nascimento.
O Dr. Ubiratan Ouvinha Peres foi o primeiro Diretor do IML. As condições de trabalho eram tão precárias (inexistência de auxiliares; falta de água, sabão, e energia elétrica), que o próprio Diretor se recusou a fazer uma necropsia naquelas condições. Advertido pelo Delegado de Plantão, demitiu-se do cargo. Por falta de uma legislação específica, o Legista era designado a título precário, por exemplo: Designo, a título precário, o Dr. Solon de Mello e Silva, Chefe do Gabinete Médico Legal, em substituição ao Dr Alberto P. Cardoso, a partir desta data, a fim de prestar serviços a este Departamento como médico legista, realizando perícias médicas, exames cadavéricos e outros serviços, mediante o pagamento da importância de Cr$ 15.000,00 (...). Designo, a título precário, o Perito do Gabinete Médico-Legal, Dr. Célio Menicucci, mediante o pagamento mensal da importância de Cr$ 10.000,00.(...) Os primeiros legistas nomeados foram Armando José de Carvalho, Antônio Bouex, Ubiratan Ouvinha Peres, lsaac Barreto Ribeiro, Solon de Mello e Silva, Hélcio Luiz Miziara e Manuel Cregor.(10) Em 1960, ocorreu um grave soterramento na “Construtora Pederneiras, com sete mortos e, por falta de mesa de necropsia, foram necropsiados pelo Dr. Isaac Barreto Ribeiro ali mesmo no chão do IML durante a madrugada”. Naquela época ainda não existiam modelos próprios de laudos, os quais eram transcritos em livro próprio, e, depois, eram datilografados. Abaixo, uma transcrição do termo de abertura do Livro de Registro de Óbitos:

IAPI — O presente livro, que contém duzentas folhas, tipograficamente numeradas.., e rubricadas.., servirá para o registro de óbitos ocorridos nesta capital e constatados pelo Gabinete Médico-Legal do Departamento Federal de Segurança Pública. Arquelau Augusto Gonzaga, Diretor do Sv. De PM/DFSP.
Em 1961, já havia modelos de laudos mais modernos, com as seguintes características: modelo próprio (impresso) contendo os quesitos a serem respondidos e tendo ao cabeçalho a nomenclatura Ministério da Justiça e Negócios Interiores e Departamento Federal de Segurança Pública; os legistas eram nomeados pelo Delegado, que também assinava o laudo. Em novembro de 1961, o Chefe de Polícia extinguiu a Divisão de Polícia Técnica e criou a Divisão de Polícia Científica, integrando no DFSP a Superintendência da Polícia Metropolitana, composta dos seguintes Órgãos: Superintendência, Setor Urbano, Setor Rural, Divisão de Polícia Científica, que abrangia o Instituto de Criminalística - IC, o Instituto de Identificação — II, e o Instituto Médico-Legal — IML.
Em 13 de março de 1962, foi extinta a Divisão de Polícia Científica e criada a Superintendência de Polícia Técnico-Científica.
Em 18 de abril de 1962, aconteceu a inauguração da nova sede do IML, instalada no Setor Policial Sul, com uma sala de necropsia, uma câmara frigorífica com 6 gavetões, recepção, sala de repouso do médico de plantão e sala do Diretor. Era então Superintendente da Polícia Técnica e Científica o Dr. Antônio Carlos Villanova. O Chefe de Polícia do DFSP era o Tenente-Coronel Carlos Cairoli. Naquela ocasião, Villanova fez o seguinte discurso:
“...Na missão que recebemos, o trabalho a executar, é ainda dos mais árduos, pois estamos ainda apenas no começo, como Brasília, que ainda não completou seus dois anos de idade e, para assegurar à Capital da República a primazia nacional e mesmo panamericana no terreno da polícia técnica, não basta o formidável equipamento de que estaremos dotados até o fim do corrente ano.
A partir de 1963, os laudos de exame começaram a apresentar um modelo próximo do atual: no cabeçalho consta a nomenclatura Instituto Médico-Legal do Departamento Federal de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Negócios Interiores; os Legistas passam a ser nomeados pelo Diretor do IML; exige-se assinatura de dois Legistas; desaparece a assinatura do Delegado.
Em setembro de 1963, já constava solicitação de exames de Verificação de Idade e de Conjunção Carnal. Em novembro de 1964, o DFSP passou por uma reorganização, e foi criada a Divisão de Polícia Técnica, subordinada à Polícia do Distrito Federal — PDF.
Em junho de 1965, foi aprovado o Regulamento Geral do Departamento Federal de Segurança Pública. A Divisão de Polícia Técnica ficou composta de:
• Secretaria;
• Instituto de Medicina Legal;
•Instituto de Criminalística;
• Instituto de Identificação;
• Serviço Fotográfico;
• Setor Escolar.

O IML realizava perícias de natureza médico-legal requisitadas pelas autoridades policiais, judiciárias, administrativas ou órgãos do Ministério Público; e ainda desenvolvia pesquisas científicas relacionadas com a medicina legal.
Era composto de:
Perícia no Vivo;
Perícia no Morto;
Perícia de Laboratório;
e Seção Administrativa.

A Seção de Perícia no Vivo, chefiada por um Médico-Legista, cabia realizar perícias em lesões corporais, exames complementares, de conjunção carnal, de estupro, de atentado ao pudor, de verificação de idade, de aborto e puerpério, de embriaguez, de sanidade física e mental e de infortunística do trabalho. Além disso, realizava também os exames de aptidão física para habilitação de motoristas profissionais ou amadores.

A Seção de Perícia no Morto tinha a atribuição de estabelecer a causa determinante do óbito, em seu duplo aspecto: clínico e jurídico. Podia também realizar embalsamamento. A Perícia de Laboratório compreendia: Seção de Toxicologia, Setor de Anatomia Patológica e Microscópica, Seção de Raios X e Setor de Fotografias.

Em março de 1967, foi criada a Secretaria de Segurança Pública do DF, em cuja estrutura foi inserido o Departamento de Polícia Técnica.
Em agosto desse mesmo ano, foi estabelecida a estrutura e competência básica dos órgãos que lhe eram subordinados, compreendendo:
• Divisão de Criminalística;
• Divisão de Identificação;
• Instituto de Medicina-Legal;
• Divisão Escolar.

Ainda em 1967, foi realizado o primeiro concurso público para Médico-Legista, com 10 vagas, sendo que 8 dos aprovados assumiram imediatamente e 2, um ano depois. Tal concurso, um marco na história da medicina legal, “por ser o primeiro; por ampliar o quadro e pela qualidade profissional dos novos legistas”.

Os 10 candidatos aprovados no 1º concurso público para Médico-Legista foram:

Edmundo Souza, Hermes Rodrigues de Alcântara,
Jofran Frejat, Lúcio Afonso Campello, Márcio Baun di Domenico, Wilson Campos de Miranda, José Maria Rodrigues de Moraes, Euler Costa Vidigal, Ozerides Pedro Graziani e José Felipe dos Santos.

Em 30 de setembro de 1968, o Prefeito do Distrito Federal, Wadjô da Costa Gomide, aprovou o Regimento da Secretaria de Segurança Pública, O Departamento de Polícia Técnica foi constituído de Seção de Expediente e Arquivo, Divisão de Criminalística, Divisão de Identificação, Instituto de Medicina Legal, e Central de Operações. O Instituto de Medicina Legal ficou assim organizado:
• Perícias no Vivo;
• Perícias no Morto;
• Perícias de Laboratório.

O IML “sempre primou por ser um órgão independente. Seus laudos eram confeccionados sem parcialidade e sem interferência de terceiros”.
“Em 1970 a época era dura. Período do Governo Médici. Era uma época em que todo mundo tinha medo. De vez em quando chegavam lá problemas de tudo quanto é ordem: presos políticos, elementos torturados com ponta de cigarro. E tudo isso era narrado no laudo. Era preciso ter muita coragem para tomar tais decisões...”
Em outubro de 1972, durante o Governo de Hélio Prates da Silveira, foi alterado o Regimento da Secretaria de Segurança Pública. O Departamento de Polícia Técnica passou a ser denominado Coordenação de Polícia Técnica, constituída pelo Instituto de Criminalística, Instituto de Identificação e Instituto de Medicina Legal, este com as seguintes seções: Expediente e Arquivo, Perícias no Vivo, Perícias no Morto e Laboratório. Foi incluída como função da Seção de Perícia no Vivo a verificação de paternidade.
Em 1975, no Governo Elmo Serejo, foi aprovado novo Regimento da Secretaria de Segurança Pública. O IML passou a ter a seguinte estrutura:

• Divisão de Perícias Médico-Legais:
Seção de Perícias no Vivo;
Seção de Perícias no Morto;
Seção de Laboratório.

• Divisão de Administração:
Seção de Material e Transporte;
Seção de Conservação;
Seção de Comunicações.

Ao Instituto de Medicina Legal, sob novo Regimento, cabia dirigir, coordenar e controlar a execução das competências das Divisões de Perícias Médico-Legais e de Administração; elaborar e propor normas sobre perícias médico-legais, exames complementares e programação anual de trabalho dos órgãos subordinados.
Em 16 de dezembro de 1978, o Congresso Nacional homenageou o Professor Leonídio Ribeiro, ao dar o seu nome ao Instituto de Medicina Legal, que passou a denominar-se Instituto de Medicina Legal Leonídio Ribeiro — IMLLR. Tratava-se do emérito Professor do IML do Rio de Janeiro, que veio duas vezes daquele Estado lecionar para os médicos do IML de Brasília.
Em julho de 1984, foram criadas na Divisão de Perícias Médico-Legais a Seção de Toxicologia e Análises Clínicas e a Seção de Histologia.
À Seção de Toxicologia e Análises Clínicas coube a realização de exames periciais de tóxicos em geral, em líquidos orgânicos, em vísceras (para determinação de envenenamento e pesquisas de drogas de ação psicotrópica), em alimentos e outras substâncias, visando determinar todas as formas de intoxicações, tais como: agudas, crônicas, acidentais, alimentares, iatrogênicas, profissionais, ambientais, endêmicas, sociais, genéticas, suicidas, ácidas, etc. Efetuava ainda exames toxicológicos em fluidos orgânicos (para determinação e isolamento de drogas de ação psicotrópica); exames imunológicos, bacterioscópicos, bacteriológicos, hematológicos, bioquímicos; além de realizar a identificação de pelos humanos e pesquisa de espermatozóides em esfregaços vaginais e em peças de vestuários.
À Seção de Histologia coube efetuar exames em fragmentos de órgãos retirados de cadáveres durante a necropsia; examinar lâminas ao microscópio (elaborando-se o laudo correspondente); comparar os achados histológicos com os achados microscópicos (propiciando a elaboração do laudo final); fazer microfotografias quando necessário; orientar os legistas nos casos de morte natural e preparar as peles para macrofotografia; fazer estatísticas dos achados anatomopatológicos, divulgando-os aos Órgãos competentes.
Em julho de 1993, foi alterado o nome da carreira de Médico-Legista para Perito Médico-Legista.
Em 1995, o Instituto de Medicina Legal funcionava com a seguinte estrutura:

• Direção;
• Divisão de Perícias Médicas:
• Seção de Perícia no Vivo:
• Perícias internas;
• Perícias externas;
• Seção de Perícias no morto:
• Laboratório de Antropologia Forense;
• Raios-X;
• Seção de Psicopatologia Legal;
• Sistema Integrado de Verificação de Óbito;
• Laboratório;
• Núcleo de Estudos e Pesquisa;
• Serviço de Apoio
• Administrativo:
• Protocolo;
• Datilografia de Laudos;
• Arquivo;
• Transporte.

A partir de 2001, o IML iniciou o processo de informatização, sendo a digitação feita pela Seção de Digitação de Laudos. Em 2002, a informatização aprimorou-se, quando os próprios peritos médico-legistas passaram a digitar seus laudos, os quais, através do sistema Millenium, que integra a Intranet da Polícia Civil do Distrito Federal, passaram a ficar disponíveis on-line para as delegacias após sua homologação.

3- DIRETORES DO IML

• Ubiratan Ouvinha Peres (*)
• Armando José de Carvalho (12/10/61 a 13/12/61)
• José João Comini (14/12/61 a 12/11/62)
• João Ferreira da Silva (13/11/62 a 23/12/63)
• José João Comini (24/12/63 a 4/11/66)
• José Felipe dos Santos (5/11/66 a 21/5/68)
• Lúcio Afonso Campelo da Silva (22/5/68 a 27/8/68)
• Edmundo Souza (28/7/68 a 2/3/70)
• Jofran Frejat (9/3/70 a Dez/1970)
• Donato Rispoli Borges (Dez/1970 a Jan/1971)
• Sávio Pereira Lima (21/1/71 a 24/9/71)
• Jofran Frejat (14/11/73 a 29/3/79)
• José Maria Rodrigues de Moraes (24/4/79 a 16/4/85)
• Milton Rodrigues da Paixão (17/4/85 a 31/1/89)
• Márcio Baum Di Domenico (1/2/89 a 7/12/90)
• Abelardo de Oliveira Brito (17/1/91 a 7/3/94)
• Paulo de Tarso Mendes Diniz ( 8/3/94 a 13/3/95)
• José Eduardo da Silva Reis (14/3/95 a 10/2/99)
• Ricardo Cortes de Oliveira (11/2/99 a 11/5/99)
• Simone Correa Rosa ( 02/06/99 a 27/09/99)
• Paulo de Tarso Mendes Diniz ( 28/9/99 a 29/8/2001)
• Cristiane Alves Costa (30/8/2001 a 25/5/2004)
• José Flávio de Souza Bezerra (26/05/2004 a 03/02/2009)
• Malthus Fonseca dos Santos (atual)

(*) Não encontrado registro oficial, apenas citação no depoimento do Dr. Isaac Barreto Ribeiro.

Citações bibliográficas :

(1) Decreto n º 37.008, 8/3/1955. DOU, 9/3/55.
(2) O Museu de Medicina Legal constituía-se de um acervo de peças anatômicas de interesse científico.
(3) Decreto n º 38.710, 28/1/56 — DOU.
(4) Livro de Registro do IML, Arquivo público da Novacap.
(5) 0 Livro de Registro de óbitos ( 2/4/57 a 21/4/59 ). consta que no mês de fevereiro de 1958 ocorreram 11 óbitos, todos sepultados em Luziânia (GO).
(6) Aidano José Faria (depoimento: novembro/1995).
(7) Hospital Craveiro Lopes recebeu este nome por homenagem de Juscelino Kubitschek a um embaixador português que visitava o canteiro de obras de Brasília.
(8) A equipe médica era composta por: Dr. Isaac Barreto Ribeiro (cirurgião); Dr. Edson Porto (anestesista); e Dr. Cláudio Costa (laboratorista).
(9) Dr. lsaac Barreto Ribeiro (Depoimento, 19/11/94). (10) Isaac Barreto Ribeiro (novembro/1994). Decreto nº 46.237. 18/6/59. Livro de Laudos do IML. Boletim Interno n 0 21, 11/8/1960 - PolIcia Metropolitana.
(11) Portaria n º 224, 21/10/61 — DFSP. Livro do IML, Arquivo Público da NOVACAP.
(12) Portaria n º 28, 1º/11/61 — DFSP. Boletim Interno nº 225, de 1º/11/1961 — DFSP. O Dr. José João Cominj é nomeado Diretor do IML em 3/12/61. Isaac Barreto Ribeiro (Depoimento, novembro/1994).
(13) Portaria nº 18, 12/3/62 — DFSP.
(14) Portaria nº 224, 21/10/19661 — DFSP. Boletim Interno nº 76, 18/4/62 — DPSP.
(15) Lei n º 4.483. 16/11/64 — DFSP.
(16) Decreto n º 56.510, 28/6/1965 — DOU.
(17) Decreto n º 56.511, 28/6/65 — DOU.
(18) Decreto n º 315, 13/3/67 — DOU.
(19) Decreto n º 645, 21/8/67 — DODF.
(20) Decreto n º 825, 30/9/1968 — DODF
(21) Jofran Frejat, ex-Diretor do IML (Depoimento, 21/11/94).
(22) Decreto n º 2.868, 25/3/75 — DODF. Aimé Alcebíades Lamaison.
(23) Lei n º 6.506, 16/12/78 — DOU. Lúcio Afonso Campelo da Silva (Depoimento, 21/11/94).
(24) Decreto 8.082. 17/7/84 — (DODF. Foram criadas também no IML a Divisão de Administração e as Seções de Material e Transporte, Comunicações, Conservação e Laboratório).
(25) Lei nº 8.674, 6/7/93.

BIBLIOGRAFIA :

HISTÓRIA DA POLÍCIA CIVIL DE BRASÍLIA

- ASPECTOS ESTRUTURAIS (1957 a 1995 ) ; Academia de Polícia Civil do DF,

Brasília - DF, 1998.

FONTE PESQUISA:

http://www.pcdf.df.gov.br/pgUnidadesPoliciais/pgInstitutoMedicinaLegal

RISCOS EM SALAS DE TANATOPRAXIA

O risco de Tuberculose em profissionais de necropsia e tanatopraxia

Autor: Sergio Ricardo Honorio

Biossegurança na area de necropsia e pós-necropsia

A proteção da saúde do trabalhador fundamentava-se basicamente na Lei Federal

6514 de 22/12/1977 (que alterou o capítulo V, título II da Consolidação das Leis do

Trabalho aprovada pelo Decreto Lei 54522 de 1/5/1943). Mais recentemente, tem sido

motivo de preocupação e discussão nas várias esferas governamentais, encontrando

amparo em legislações específicas: a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8080 de 19/9/1990)

cita textualmente a saúde do trabalhador no âmbito do Sistema Unificado de Saúde

(SUS) em seu art. 6º, parágrafo 3º.

A doença proveniente de contaminação acidental do empregado, no exercício

de sua atividade, é prevista em lei. Ex.: se um funcionário de hospital, responsável

pela triagem de pacientes, entre eles portadores de doenças infecto-contagiosas,

eventualmente contrair tuberculose, a hipótese estará coberta pelo seguro infortunístico,

ou seja, presume-se que a tuberculose tenha sido adquirida no hospital ou serviço de

saúde e o profissional terá direito aos benefícios previstos em lei.

Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, é a bactéria que provoca a maioria dos casos de tuberculose. Foi descrita pela primeira vez em 24 de março de 1882 por Robert Koch.

Ela é uma micobactéria BAAR (bactéria álcool ácido resistente), parasita intracelular, aeróbia obrigatória, que se divide a cada 16-20 horas. Este é um tempo relativamente longo comparado a outras bactérias que normalmente tem suas divisões contadas em minutos Ela é um pequeno bacilo, fino e encurvado, imóvel, em forma de bastão que pode resistir a desinfetantes fracos e ao ácido gástrico e pode sobreviver em estado latente por semanas e apenas consegue se desenvolver quando se hospeda num organismo.

Como surge esta via de transmissão. Ocorre pelo ar, com aerossóis de particulas liquidas ou solidas em suspensão aérea. Estas suspensões podem conter microorganismos da tuberculose e outros mais. Estes poderão ser inalados no tranalho forense ou nos cuidados pós-necropsia como embalsamamento.

Estudos recentes apontam que durante o acompanhamento de uma necrópsia o risco de infecção não deve ser subestimado. Na sala de necropsia existem restos biológicos como sangue e fraguimentos de vísceras que ficam impregnados em cantos da sala e de materiais usados.

De fato, há relatos tanto da presença do

M. tuberculosis, ainda viável, em vários pontos

da sala de necropsia após 24 horas do

(para revisão vide Burton JL).

Existem episódios de infecção após

a exposição, por 10 minutos, a um cadáver.

Mesmo cadáveres embalsamados podem

apresentar o M. tuberculosis viável por até

60 horas após o embalsamento.

O embalsamador é mais em risco da sala de embalsamamento para a criação de aerossóis no ambiente, porque a bactéria que causa a tuberculose é aeróbio no ar. As partículas criadas facilmente por restos humanos. A simples expulsão de ar ou ventilação pode criar

partículas poderoso aeróbio suficiente para impulsionar a TB ao ar

ambiente. Por embalsamamento elchapoteo criado quando o

esvazia drenam para o dreno é a principal causa de bactérias

aeróbias no vestiário.

Segundo o New England Journal ofMedicine relata que um agente funerário embalsamado contraiu tuberculose com um caso de HIV / TB positiva apenas com a respiração aeróbia. Possivelmente sem uso devido de EPIs(equipamentos de proteção individual).

A probabilidade de transmissão da tuberculose depende de vários

fatores:

o nível de contaminação da fonte,

a intensidade da exposição a essa fonte e do ambiente em que ocorreu a exposição.

Um germe resistente da tuberculose.

A bactéria da tuberculose tem sido isolado em vários lugares em um anfiteatro de 24 depois da necrópsia.

A prevenção esta no uso de EPIs, higienização dos materiais, limpeza constante da sala de necropsia e ou tanatopraxia.

http://www.artigonal.com/medicina-artigos/o-risco-de-tuberculose-em-profissionais-de-necropsia-e-tanatopraxia-2200178.html

Perfil do Autor

Sou ex tecnico de necropsia. Após 15 anos de experiencia na area, atualmente dou aulas conceituais de necropsia. Tambem escrevo artigos em varios sites.

O órgão vomeronasal e a atração sexual

Estudos têm demonstrado que a maior parte das espécies de vertebrados tem um órgão situado na cavidade nasal denominado órgão vomeronasal (OVN). A finalidade do OVN parece ser exclusivamente a de detectar sinais químicos – os ferormônios - envolvidos no comportamento sexual e de marcação de território. Os ferormônios distinguem-se dos hormônios, porque estes são liberados internamente e exercem influência sobre o metabolismo do indivíduo, enquanto que os ferormônios são liberados externamente, com atividade sobre indivíduos da mesma espécie.

Quanto à estrutura química dos ferormônios sexuais, verifica-se a existência de composição muito diversificada, variando a sua natureza com as diferentes espécies. Já foram identificados sob as formas de derivados de ácidos graxos ou terpenos, álcoois, acetatos, hidrocarbonetos (freqüentemente insaturados, com uma ou duas ligações duplas), substâncias aromáticas com grupos funcionais diversos, etc. A maioria deles é constituída por moléculas simples e de peso molecular relativamente baixo.

O OVN humano consiste de duas pequenas bolsas de 2 mm de profundidade, cerca de 1 cm a partir das narinas, abrindo-se em pequenas cavidades ocas com pequenos orifícios em seus centros, de cerca de 0,1 mm de distância. Só para comparação: o OVN do elefante tem 20-25 cm de comprimento!

Imagem: www.cf.ac.uk/biosi/staff/jacob/ teaching/sensory/pherom.html, traduzida

Qual é o segredo da atração? Filósofos, biólogos, sexólogos, antropologistas e outros têm debatido bastante esta questão. Dependendo do ponto de vista, existem muitas respostas, mas nenhuma é única. Uma das mais antigas atrações é provocada pelo cheiro. Tanto os humanos quanto os animais exalam quantidades sutis de ferormônio, detectável (inconscientemente por humanos) pelo sexo oposto, o qual desencadeia uma resposta específica em um parceiro potencial. Dessa forma, para alguns, o amor não começa quando os olhares se encontram, mas sim um pouco mais embaixo, no nariz. "Há circuitos que vão do olfato até o cérebro e levam uma mensagem muito clara: sexo". Nos homens e mulheres, este odor é liberado através das glândulas apócrinas, localizadas nas axilas, ao redor dos mamilos e na virilha. (estes odores não são desagradáveis como o suor). As secreções apócrinas começam na puberdade com o desenvolvimento sexual e são diferentes entre os dois sexos.

Quando o anatomista Dr. David Berliner estava pesquisando a composição da pele humana, observou que, quando deixava abertos frascos contendo extratos de pele, os sentimentos dele e das pessoas à sua volta pareciam mudar - tornavam-se mais cálidos e amistosos. Esses sentimentos diminuíam se os frascos eram tampados. Essas descobertas levaram-no a investigar o potencial que as diferentes substâncias têm para estimular o órgão do "sexto sentido", o OVN, e a pesquisar o uso de ferormônios como perfumes, de modo a dar à natureza uma "mãozinha" no campo dos romances.

Durante o último encontro anual da Sociedade Britânica de Psicologia, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Northumbria, em Newcastle-upon-Tyne, anunciou o resultado de um estudo sobre a influência dos ferormônios na capacidade de atração sexual. O estudo baseou-se na projeção de fotografias de homens para diferentes grupos de mulheres, que avaliavam cada um segundo seu sex-appeal. A classificação "atraente" era mais freqüente quando os cientistas borrifavam o ambiente com ferormônios. Segundo Nick Neave, chefe da pesquisa, os mais beneficiados pelo efeito afrodisíaco do suor foram os homens de aparência mais comum.

Amor ao "primeiro cheiro"

Um tradicional exemplo do estreito vínculo entre olfato e desejo é a síndrome de Kalman, um quadro genético de alteração hormonal que prejudica a puberdade e que está acompanhado por uma ausência congênita do olfato. Com a ajuda de tratamento, esses pacientes chegam a ter níveis normais de hormônios, mas não recuperam o olfato e isso têm efeitos diretos em sua vida afetiva. "No consultório atendo pacientes com problemas de olfato, todos com dificuldades no plano sexual. Uma paciente me disse que desde que perdera o olfato não tinha vontade de tre relações sexuais com o marido", conta o médico García Medina.

Alternativa para problemas sexuais?

O laboratório canadense Pheromone Sciences Corp. isolou e caracterizou os diversos ferormônios extraídos do suor. Uma primeira pesquisa revelou que o composto pode estimular a libido em homens e mulheres. Os pesquisadores esperam que, em um futuro não muito distante, esse derivado de ferormônios possa servir como tratamento efetivo e seguro para determinadas disfunções sexuais. Inclusive como complemento de remédios como o Viagra.

"Alguns derivados dos ferormônios já são usados para casos de frigidez feminina e ajudam na primeira etapa da sexualidade, que é o desejo", afirma García Medina. "Isso pode ter um grande potencial em outros tipos de disfunções sexuais, mas ao mesmo tempo, reacende questões éticas: É lícito interferir dessa forma no comportamento de uma pessoa?"

SISTEMA CIRCULATÓRIO

EFEITOS DA TANATOPRAXIA

Tanatopraxia

Origem: Wikipédia.

A técnica de Tanatopraxia é um método utilizado mundialmente, desta forma o procedimento utilizado no Brasil é semelhante ao que se utiliza na Europa ou nos Estados Unidos, por exemplo.

As formas de estabilizar ou retardar a decomposição de matéria orgânica existente hoje são distintas e cada uma tem características especificas, onde os resultados são igualmente diferenciados.

O avaliador deve primeiramente ler a ata em sua integra, para entender o processo ao qual o corpo foi submetido, se Formolização, Embalsamamento, Tanatopraxia em corpo por morte de Causas Clinicas ou Corpo submetido à Necropsia, processo de mumificação.

Em todos os métodos deve ser observado se o liquido percorreu todo o corpo e foi até as extremidades. A concentração máxima obtida do Formoldeido – Folmol na forma liquida é de 39%, desta forma se diluído novamente durante o processo este percentual diminuirá.

O local utilizado para qualquer uma das técnicas abaixo descritas é laboratório de Tanatopraxia, com aspecto similar a sala de necropsia, contendo paredes, teto e piso revestidos com material impermeável e de fácil limpeza, instalações hidrosanitárias, ou seja, entrada e saída de água e tratamento de esgoto, mesa em inox ou fibra, bomba injetora e se tratando de Tanatopraxia bomba Aspiradora, material de acesso e sutura semelhante aos utilizados em cirurgia, pinças, tesouras, agulhas, cânulas entre outros similares.
Local para coleta e guarda dos dejetos como roupas, bandagens, sobra de fios, algodão, agulhas, laminas de bisturis, pequenos pedaços de tecidos e demais materiais infectos oriundos do procedimento e do laboratório de tanatopraxia.

Formolização: Método rudimentar, onde através da artéria femoral, junto ao triângulo de Scarpa, faz-se incisão de aproximadamente 10 cm, introduzindo através de gravidade cerca de 500 ml de formoldeido diluído em 50% de água por quilo corpóreo do cadáver neste processo o corpo fica com rigidez acentuada, coloração que varia do palha ao cinza nos locais mais próximos a área de injeção, é comum que haja dilatação abdominal uma vez que se introduz quantidade de líquidos no corpo. Tempo médio: 2 horas.

Embalsamamento: Processo utilizado para conservação mais prolongada, exigido em caso de translado Internacional, se utilizado formoldeido a aparência é muito próxima da Formolização, contudo a técnica é abertura da caixa craniana para retirada da massa encefálica, abertura da cavidade toraco-abdominal, com retirada desde a língua até o escroto, devendo ser dado destino aos órgãos e víceras, injeção por partes membros superiores braquial, inferiores femoral, face carótidas, ou injeção através do arco aortico e aorta abdominal; Nota: Por exigência a maioria dos paises não aceita concentração de formol superior a 5%, devendo conter amostra do liquido utilizado em frasco com 50 ml para analise, que deve ficar junto à urna. Tempo médio: 6 horas

Tanatopraxia: Método moderno e eficaz de conservação utiliza-se líquidos conservantes com concentrarão máxima do formol em 8%, injetado através de maquinas apropriadas, com regulagem de pressão e vazão, através de artérias junto ao triangulo de escarpa ou carótida, podendo ser feito multiponto conforme a necessidade de cada caso, em média se utiliza 8000 ml de liquido por corpo, ocorrendo a drenagem do sangue durante o processo de injeção. O cadáver fica com aparência saudável, coloração epidérmica rosada, sem marcas de “livores mortis”, ou seja, roxos nas extremidades e posterior abdominal, tecido epidérmico ganha espécie de celulite, há ganho de massa muscular, ficando pernas e braços mais grossos e flexíveis, boca e olhos fechados, posição do corpo normalmente reto. Abdome normal para negativo, devido à aspiração toraco-abdominal que retira sangue e gases, após este processo que utiliza a abertura de orifício ao lado do processo xifóide (umbigo) ainda há a introdução de cerca de 500 ml de liquido conservante neste local. Tempo médio: 2 horas

Tanatopraxia em corpos submetidos à necropsia Em corpos submetidos à necropsia é necessária a abertura craniana e coraco-abdominal, efetuar-se a evisceração, lavagem e embalagem das víceras e massa encefálica, a injeção Dar-se-a principalmente pelo arco aortico e aorta abdominal, podendo dependendo do caso ser multipontos. Não há aspiração toraco-abdominal nestes casos, não é possível fazer a injeção através do triangulo de escarpa devido a rompimentos que é o sistema circulatório, víceras e órgãos sofrem no exame necroscópico. Tanto o processo de Tanatopraxia quanto o de Formolização devem apresentar estas características na injeção, diferindo apenas aspectos de apresentação final na aparência do corpo. Deve ser notado sutura com espaçamento máximo de 0,5 cm entre pontos, a sutura do DML deve ser toda refeita, boca e olhos fechados, urna limpa e seca assim como o corpo. Tempo médio: 3 horas

Mumificação: Aceito apenas em casos onde o corpo esteja com sistema circulatório rompido pela degeneração, com mais de cinco dias de óbito ao tempo, este processo consiste em aberturas das cavidades cranianas, torácica e abdominal e posterior fechamento, evisceração e embalagem das víceras e órgãos e massa encefálica e recolocação destas no abdome, injeção epidérmica de aproximadamente 5 litros de produto conservante, em no mínimo 60 pontos distintos, com concentração do conservante superior a 10% e inferior a 15%. Em caso de Mumificação deverá o agente de fiscalização acompanhar o processo, de injeção multiponto epidérmico, mesmo que através de vídeo. Após este processo enrola-se o corpo em bandagem embebida em liquido conservante, podendo após este passar filme para garantir que o liquido não se perderá ou venha a sair da urna. Tempo médio: 5 horas

Tanatopraxia é o procedimento de preparação do cadáver para o velório, assim o corpo não sofrerá, pelo tempo solicitado pelos familiares, as decomposições naturais.

Alguns tipos de Instrumentos

Alguns tipos de Instrumentos

Laboratório de Tanatopraxia

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Morte

" Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro. "
Confúcio

TANATÓRIO

O Tanatório Prof. Dr. Oisenyl J. Tâmega e Prof. Dr. Progresso J. Garcia Continuando neste cativante tema, que é a Tanatopraxia, gostaríamos de salientar a rápida aceitação desta técnica pelos diretores e agentes funerários, além da própria população. Atualmente a população solicita que o corpo de seu ente querido seja preparado pela técnica de nome difícil. As empresas funerárias que não apresentam este serviço de higienização do corpo após a morte, pararam no tempo, estão sendo superadas e não têm contribuído com o processo diferencial e evolutivo do Setor Funerário. Podemos hoje, mesmo em fase de consolidação da prática da Tanatopraxia, definir esta técnica como o silêncio da morte que traduz e reflete a vida. Tanatório: Não deve ser um ambiente escondido ou um cubículo da funerária, mas sim um local estrategicamente bem situado na empresa. Apesar de reservado e freqüentado apenas pelos técnicos habilitados à prática da tanatopraxia, o tanatório merece ser o local de destaque da empresa funerária, devendo estar sempre limpo e higienizado. O acesso ao tanatório deve ser fácil pra os veículos e funcionários da empresa, porém proibido para pessoas estranhas. Nunca pode ser permitido que um amigo ou um familiar do falecido esteja presente durante os procedimentos. O tanatório deve ser uma sala milimetricamente construída, com projeto de arquitetura próprio para cada funerária, levando em consideração muitos detalhes como: o tamanho da cidade; a previsão de crescimento do serviço; o fluxo de veículos, de macas e de agentes, o espaço disponível para construção e/ou reforma; a altura e o revestimento do laboratório; a ventilação, exaustão, iluminação, distribuição de tomadas e pontos de água; as alturas das bancadas e armários; o banheiro anexo contendo chuveiro de emergência; sistema de esgoto destinado à fossa séptica própria, além de outros detalhes e cuidados que garantem a colocação correta dos equipamentos e que venham a facilitar a preparação do corpo e a limpeza do laboratório. A necessidade de fartura de água corrente no tanatório é fundamental. Recomendamos que este deva possuir reservatório independente das outras instalações da funerária. O esgoto deve ser lançado, de preferência, em fossa séptica de decantação em carvão ativado. Os resíduos contaminados utilizados na preparação como aventais, luvas, gazes, frascos e roupas eventuais, devem ser descartados em lixo especial e se possível, incinerados. O tanatório ideal deve ser compoto de vários ambientes: Um laboratório de preparação e higienização; O tanatório propriamente dito; Uma sala acoplada para vestir e enfeitar o corpo na urna, após a tanatopraxia; Um vestiário exclusivo para o tanatopraxista e um banheiro equipado com chuveiro especial. O piso do tanatório deve ser frio, de cor clara, antiderrapante e de fácil limpeza; As paredes devem ser revestidas com azulejos brancos bem rejuntados e, no teto deve ser aplicado massa corrida e tinta látex branca. As pias, balcões e prateleiras, se possível, devem ser em aço inoxidável ou granito. Isso é um importante cuidado que facilita a assepsia do laboratório. A mesa ideal para a prática da tanatopraxia deve ser em aço inoxidável, assim como os suportes que mantém o corpo suspenso do fundo da mesa, os quais devem ser removíveis para também facilitar a limpeza. O fundo da mesa deve ser discretamente inclinado e ter fluxo contínuo de água no decorrer da preparação de um corpo. A tubulação hidráulica da mesa deve estar embutida na mesma, com registros de segurança e mangueira com esguicho para lavagem do corpo. Não recomendamos que se faça mesa de alvenaria pois é de difícil limpeza, aumentado o risco de contaminação. O tanatório deve ser bem arejado, com sistema de renovação de ar e, se possível, conter um aparelho de ar condicionado. A iluminação precisa ser intensa, semelhante à luz natural, procurando ser direcionada principalmente para a mesa de tanatopraxia. Após estes rápidos comentários, pode-se notar que esse laboratório tem muitas das características de uma sala de cirurgia e que todos os detalhes devem ser ovservdos para esta atividade possa ser desempenhada corretamente pelo tanatopraxista. Outros aspectos serão aborados em outros tópicos. Obs. Não pertencemos a nenhuma seita ou partido. Estamos falando sempre a mesma linguagem e transferindo informações cientificamente comprovadas para a correta prática da tanatopraxia. É um árduo trabalho, mas continuaremos aglutinados em torno do mesmo ideal que é a valorização do Setor Funerário.
Dentre os diversos aspectos relacionados ao estudo da tanatologia forense,destacam-se pela sua importância,
aqueles relativos ao destino dado ao cadáver, que muitas vezes não são devidamente apreciados pelos profissionais da área médica. Como conseqüência é
muito freqüente que nestas situações surjam dúvidas e questionamentos diversos acerca do modo mais correto de se proceder, devido ao desconhecimento das normas e dispositivos legais que disciplinam a matéria.
Habitualmente em nosso país, constatada a morte de uma pessoa e atendidas as formalidades e prazos legais, procede-se a inumação do corpo.
No entanto, há ocasiões em que faz-se necessária a adoção de medidas que retardem a instalação e a progressão dos processos putrefativos, a fim de que seja possível o translado do cadáver ou protelação do sepultamento.
Em alguns estados, observa-se, de longa data, que tem cabido aos Institutos Médicos Legais a função de proceder de forma exclusiva a tarefa de formolizar e embalsamar cadáveres, como se tal atribuição integrasse os procedimentos periciais a que estes órgãos estão destinados.
Desta forma tem-se observado em nosso meio, que vem se utilizando de método de tanato-conservação, visando
estritamente o cumprimento dos dispositivos legais existentes, prestando este à comunidade, atendendo não apenas os casos de corpos periciados no Instituto, mas também de pessoas falecidas sob assistência médica,
em hospitais ou residências, e que tendo que transladados para sepultamento em localidades distantes, em outros estados ou até mesmo no exterior, necessitam ser levados Clinicas Particulares para a realização da formolização do corpo.
Tal procedimento, devido ao grande número
de atividades habitualmente realizadas nestas empresas, implica necessariamente em demora na disposição do cadáver aos familiares, causando-lhes sofrimento adicional, que desta forma se vêm privados de parte do período destinado ao velório e às homenagens que
pretendem render ao seu ente querido.
Destaca-se ainda, outro pormenor de grande importância, que é o fato, de que têm surgido recentemente, técnicas mais modernas e sofisticadas, que se destinam não apenas à conservação do cadáver, mas também a sua
reconstituição estética e cosmetológica que normalmente não estão disponíveis em algumas empresas que realizam estes procedimentos.

Constituição Federal
art. 200. Ao Sistema Único de Saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei:
I - Controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e substâncias de interesse para a saúde, e participar da produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos, hemoderivados e outros insumos;

II - Executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica, bem como as de saúde do trabalhador;

Código Penal Brasileiro

Impedir ou perturbar enterro ou cerimônia funerária: pena - detenção, de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou
multa.

Parágrafo único. Se há emprego de violência, a pena é aumentada de um terço, sem prejuízo da correspondente à
violência.

art. 210. Violar ou profanar sepultura ou urna funerária: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

art. 211. Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele: Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.

art. 212. Vilipendiar cadáver e suas cinzas: Pena - detenção de 1 (um) a (três) anos, e multa.

art. 267. Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos: Pena - reclusão de 10 (dez) a 15 (quinze) anos.

§ 1º Se do fato resulta a morte, a pena é aplicada em dobro.

§ 2º No caso de culpa, a pena é de detenção, de 1 (um) a 2 (dois)anos , ou , se resulta morte, de 2 (dois) a 4 ( quatro) anos.

art. 268. Infringir determinação do poder público, destinada a

impedir a introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena - detenção, de 1

(um) mês a 1 (um) ano, e multa.

Parágrafo único. A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

Código de Processo Penal

art. 158. Quando a infração deixar vestígios será indispensável a realização do exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do acusado.

Código Civil Brasileiro

art. 10. A existência da pessoa natural termina com a morte.
Presume-se esta, quanto aos ausentes, nos termos dos artigos 481 e 482.

Lei das Contravenções

art. 67. Inumar ou exumar cadáver, com infração das disposições

Código Nacional de Saúde

art. 13. Em caso de óbito suspeito de ter sido causado por doença transmissível, a autoridade sanitária competente promoverá o exame cadavérico, podendo realizar a viscerotomia, a necropsia e tomar outras medidas que se fizerem necessárias à elucidação do
diagnóstico.

art. 16. Quando necessário, a autoridade sanitária requisitará auxílio da autoridade policial para execução integral das medidas referentes à profilaxia das doenças transmissíveis.

art 69. Só poderão transitar em território nacional os veículos terrestres, marítimos, fluviais e aéreos que obedeçam às exigências sanitárias.

Normas Técnicas Especiais para a Defesa Sanitária do País (Dec. 57.632/66)

art. 4º. Somente poderão transitar no território nacional os veículos terrestres, marítimos, fluviais, lacustres e aéreos que se encontrarem em satisfatórias condições sanitárias e não transportarem pessoas doentes ou suspeitas de doença transmissível, salvo os que se destinam a esta finalidade.

Lei dos Registros Públicos

art. 77. Nenhum enterramento será feito sem certidão do oficial de registro do lugar do falecimento, extraída após a lavratura do acento do óbito, em vista do atestado médico,se houver no lugar, ou em caso contrário, de duas pessoas qualificadas que tiverem presenciado ou verificado a morte.

Lei 9434 de 4 de fevereiro de 1997 - Lei de Transplantes de orgãos.

art. 8. Após a retirada de partes do corpo, o cadáver será condignamente recomposto e entregue aos parentes do morto ou seus responsáveis legais para sepultamento.

Decreto nº 2.268 de 30 de junho de 1997

art. 21. Efetuada a retirada, o cadáver, será condignamente recomposto, de modo a recuperar, tanto possível, sua aparência anterior, com cobertura das regiões com ausência de pele e enchimento, com material adequado, das cavidades resultantes da ablação.

Decreto-Lei nº 363, de 3 de setembro de 1945

art. 3º. O Serviço de Verificação de Óbitos determinará a causa mortis e expedirá os respectivos atestados de óbitos:
a) dos indivíduos falecidos sem assistência médica;
dos indivíduos falecidos com assistência médica, sempre que for necessário apurar a exatidão do diagnóstico.

Instrução da Aviação Civil

(IAC) nº 2211-0790, que trata do transporte de cadáveres por via aérea, de 31 de julho de 1990

1.1 O transporte de cadáveres a bordo de aeronaves comerciais só poderá ser efetuado se observado o disposto nesta NOSER.

1.2 Os cadáveres embalsamados serão equiparados à carga comum, podendo ser transportados em viagens comuns de passageiros, tanto nacionais como internacionais.

1.3. O transporte de cadáveres em aeronaves comerciais com passageiros se fará, obrigatoriamente, nos porões.

1.4. Os cadáveres que apenas tenham sofrido preparo para
conservação só poderão ser transportados em aeronave de carga ou especialmente fretados e em território nacional.

1.5 Os cadáveres que se destinam a outros países só poderão ser

transportados se estiverem embalsamados, com a documentação de exportação em ordem.

II Transporte Doméstico

2.1. O transporte de cadáveres correrá por inteira responsabilidade do proprietário ou explorador da aeronave, que deverá portar os seguintes documentos:

3. Laudo médico de embalsamamento ou conservação, expedida por hospital autorizado.

2.2. O laudo médico de embalsamamento deverá ser exigido quando o transporte previsto ocorrer após 48 horas da ocorrência do óbito e este tiver sido
provocado por doença contagiosa, doença suscetível de quarentena, de contaminação, com potencial de infecção constatado ou causas desconhecidas.

Norma Técnica sobre Lixo Hospitalar (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

“Em todo o hospital deverão ser previstos espaços e equipamentos necessários à coleta higiênica e eliminação dos lixos de natureza séptica e

asséptica. O lixo de natureza séptica, no qual se incluem fragmentos de tecidos e outras unidades do Centro Cirúrgico e do Centro Obstétrico, deverá sempre ser tratado por incineração”.

Portaria nº 053 de 1º de março de 1979, do Ministério do
Interior

....Todos os resíduos sólidos portadores de agentes patogênicos, inclusive os de estabelecimentos hospitalares e congêneres .... deverão ser,adequadamente, acondicionados econduzidos em
transporte especial, nas condições estabelecidas pelo órgão estadual de controle da poluição e preservação ambiental e, em seguida, obrigatoriamente incinerados”.
Todas autoridades policiais competentes que, ao expedirem a autorização para a execução do embalsamamento ou da simples formolização do cadáver,
requisitem o exame de necropsia a ser procedido em ambos os casos;

Para melhor entendimento da questão, abordaremos inicialmente alguns conceitos fundamentais que serão discutidos e comentados visando fundamentar as opiniões expressadas neste trabalho, objetivando
esclarecer as principais dúvidas que freqüentemente se apresentam, nas diversas circunstâncias, que ocorrem quando da tomada de decisões a respeito do destino a ser dado aos cadáveres.
O cadáver constitui-se em uma espécie de projeção ultra-existencial da pessoa.

O Congelamento é meio habitualmente utilizado na conservação temporária de cadáveres em hospitais e necrotérios com o objetivo de retardar a decomposição cadavérica até a conclusão dos trabalhos periciais, exames complementares, a identificação e a entrega do corpo aos familiares para sepultamento, ou o envio à faculdades de medicina, dos não reclamados, de acordo
com as normas legais vigentes.
O chamado método criobiológico, desenvolvido nos Estados Unidos da América é processo de custo
bastante elevado que tem por objeto impedir a autólise. Após várias etapas o corpo é finalmente mantido em
temperatura de -195ºC.

Formolizar - significa preparar ou desinfetar com formol. Segundo Hermes Rodrigues de Alcântara em “Perícias Médico-Judiciais”, a formolização seria um
tipo de embalsamamento incompleto em que não se praticaria a evisceração.

Já o embalsamamento, que vem de em o bálsamo, consiste no principal processo de conservação dos corpos; prevenção da decomposição natural dos cadáveres lograda antigamente por meio de bálsamos e resinas e atualmente por injeção intra-arterial de substâncias altamente
anti-sépticas.

Segundo o Dicionário Contemporâneo de Língua Portuguesa, Caldas Aulete embalsamar significa perfumar, impregnar de aromas; introduzir em um cadáver substâncias balsâmicas ou quaisquer outros preparados para o livrar da podridão.

O embalsamamento é conhecido desde a mais remota antigüidade tendo encontrado o mais elevado grau de refinamento no antigo Egito, em razão principalmente da crença na imortalidade e ressurreição física.

Outras culturas do mundo antigo também a praticavam, destacando-se os índios Paracas do Peru, os Guanchos das Ilhas Canárias, os Jívaros do Equador e Peru e também no Tibete. Os babilônios, sumerianos e
gregos raramente o praticavam e os romanos apenas eventualmente para preservação temporária. Os judeus não o praticavam. Com o advento do cristianismo, tais práticas, assim como a cremação foram abandonadas, por serem consideradas como costume pagão e por implicar na mutilação do corpo. Consta, no entanto, que Carlos Magno teve seu corpo embalsamado. Na Renascença Leonardo da Vinci, que conforme registros dissecou pelo menos 50 cadáveres para estudo teria desenvolvido método de injeção venosa para a preservação antecipando desta forma os modernos métodos de tanatocon-servação.

Posteriormente teria cabido a Willian Hunter, anatomista escocês, (1718-83) a realização do primeiro embalsamamento, mediante técnica moderna de introdução de substâncias conservantes por via arterial e cavitária. Mas foi somente durante a Guerra Civil Americana que o método de embalsamamento endoarterial
passou a ter aceitação popular tendo sido utilizado largamente para propiciar o
regresso d os corpos de soldados mortos naquele conflito às regiões de origem. Atualmente tais técnicas, que se encontram bastante aprimoradas, são utilizadas comumente em diversos países das Américas e
na Europa.

Várias são as finalidades que conduzem à realização das modernas práticas de embalsamamento ou tanatopraxia, quais sejam:

1. Sanitárias
As substâncias químicas utilizadas no processo são excelentes desinfetantes. Após a morte o sistema imune é incapaz de combater bactérias ou outros microorganismos, portanto o embalsamamento atuaria como meio eficaz na contenção de disseminação de doenças contagiosas. Tal afirmação é no entanto discutível visto
que em alguns países existem restrições na aplicação destas técnicas em casos de doenças contagiosas.

2. Preservação.
As diversas substâncias empregadas atuam retardando a
progressão da putrefação cadavérica, permitindo desta forma translado do cadáver, o velório pela família, a visitação pública, e as honras fúnebres.

3. Restauração do corpo.
Permite restabelecer no cadáver uma fisionomia que assegure aos seus familiares vivificarem o seu luto de forma menos traumática. Atualmente, já é possível ao técnico embalsamador retirar cadavér os traços de sofrimento e dor resultantes do processo da morte, se existentes, conferindo-lhe um semblante que muito se assemelha ao que tinha nos bons momentos da vida.

4. Respeito ao morto.
A decomposição é temporariamente suspensa, permitindo que o corpo se mantenha com aparência respeitável até a hora do sepultamento.

Atualmente, existem diversas técnicas de embalsamamento
endoarterial, no qual são injetadas no corpo várias substâncias conservantes, anti-sépticas, fungicidas e corantes, propiciando assim um retardamento na progressão dos fenômenos putrefativos.

Várias são as fórmulas empregadas para este fim, sendo as mais citadas pelos tratadistas as seguintes:

Líquido de Kaiserling (formol a 40% 1.600 ml; acetato de potássio 240 g; nitrato de potássio 80 g; água 8.000 ml); a utilizada no Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro (formol a 40% 3.000 ml; álcool absoluto 2.000 ml; glicerina 1.000 ml; ácido fênico 100 ml; tintura de cromo 2 ml; mercúrio cromo q.s. para corar), e ainda as de Pais Leme, Laskowski, Lastrowsky, Tanner de Abreu e inúmeras outras.

Existe, ainda, o chamado “método espanhol”, que se baseia na liberação de gases a partir de substâncias colocadas em uma espécie de colchão, sobre o qual o cadáver é colocado sendo o caixão fechado, só podendo ser reaberto após um prazo que varia de 20 a 70 dias, quando segundo os tratadistas consultados constatam-se excelentes resultados na sua conservação. Este método dispensa a abertura do corpo e a evisceração, tendo no entanto a desvantagem de só se concluir após prazos que em geral ultrapassam o desejado pelos familiares.

Instituto Français de Tanatopraxie, segundo contido em Médicine Légale, Dérobert; preconiza método conservador, ou seja a utilização de um líquido fixador injetado na artéria carótida ou femoral, ao mesmo tempo que se retira através de uma veia satélite o sangue do cadáver, e de um líquido a ser injetado nas cavidades. O

fluído fixador chamado Thanatyl A (arterial) é composto de borato de sódio 3,9 g; glicerina 8,3ml; metanol 7,0 ml; solução original de formaldeido 55,0 ml; solução amarante (amarantino) 12,0 ml; água destilada 100,0
ml, emprega-se este líquido na diluição de 10%. O fluído de cavidade Thanatyl (cavidade) é composto de metanol 49 ml; propilenoglicol 2,5 ml; solução oficial de formaldeido 49 ml, sendo empregada pura. Na prática se perfunde 10l da solução A por via arterial, mediante o emprego de uma bomba manual ou elétrica drenando-se concomitantemente o sangue do cadáver pelo acesso venoso, dando-se por encerrada a infusão quando cessa de sair sangue e começa a sair a solução injetada. O tratamento das cavidades compreende uma aspiração, com a ajuda de um trocarte, dos líquidos contidos nas mesmas, mediante punções em vários locais. A seguir injeta-se nas cavidades torácicas e abdominal, aproximadamente dois litros da solução , para um corpo de 70 kg. Em casos de cadáveres autopsiados, as vísceras são lavadas em água e depois banhadas na solução C, a seguir injeta-se a solução 2, através
das seis artérias principais. Findo o procedimento seguemse os cuidados cosmetológicos.

Precauções de ordem sanitária.
Alguns tratadistas recomendam que o ato de embalsamamento seja precedido de aprovação da autoridade sanitária, porém a maioria considera tal
medida desnecessária. No entanto, a autoridade sanitária deverá sempre ser comunicada em casos de morte por doença cuja notificação seja compulsória, em doenças quarentenárias, ou sujeitas à vigilância, estadual, nacional ou internacional, e ainda em epidemias. Da mesma forma, como já acima referido, as substâncias utilizadas no processo deverão ser aquelas
aprovadas para uso no território nacional, pelas autoridades sanitárias do país.
A legislação espanhola proíbe o embalsamamento em casos de morte provocada por doenças infectocontagiosas tais como cólera, peste, febre amarela, tifo exantemático, meningite febre, tifóide, septicemia, tuberculose, gangrena gasosa, carbúnculo, tétano e raiva (Ordens do Ministério do Governo de 02/12/45 e de 17/03/52).
Providências de ordem técnica.
Necessário finalmente discutir se o embalsamamento deve obrigatoriamente ser realizado por médico ou por profissional técnico especialmente treinado para este fim. A maioria dos tratadistas brasileiros considera que o embalsamamento é um ato médico, portanto a ser
realizado por médico legalmente habilitado. Em parecer aprovado pelo Conselho Federal de Medicina, em sessão
plenária de 20 de maio de 1988, concluiu que
“... embora não exista legislação específica, mas apenas genérica, as finalidades e formalidades dos procedimentos em exame (formolização e embalsamamento) demonstram claramente que é um ato
médico. Consequentemente, outros profissionais somente podem atuar como auxiliares do médico responsável pelo embalsamamento ou formolização, mas sempre sob a supervisão e direção do mesmo médico. A Legislação espanhola acima citada também limita a realização de
tais procedimentos a médicos no exercício legal da profissão. Consideramos portanto que os Wstabelecimentos particulares que se proponham
a realizar embalsamamentos disponham de médicos responsáveis além de técnicos de nível médio, devidamente treinados para esta finalidade. No
entanto, somos de opinião que métodos de tanatopraxia que não impliquem em abertura de cavidades, com retirada de vísceras, ou que sejam aplicados após a
realização da autópsia completa, possam ser praticados por técnicos de nível médio ou superior com formação específica em tanatopraxia, seguindo orientação médica.
As instalações destinadas à realização de embalsamamentos e outras técnicas referidas neste parecer, deverão ter sua planta física e equipamentos
devidamente aprovados pela Vigilância Sanitária do Município e pelo Instituto Médico Legal.

Precauções de ordem legal.

Dentre as providências de ordem legal a serem tomadas em casos de embalsamamentos, formolizações ou tanatopraxias está a de que todo o procedimento somente será realizado após autorização expressa e por escrito dos familiares ou do representante legal do falecido.

Entendem alguns tratadistas ser necessário o assentimento da autoridade policial, devidamente instruída com o atestado de óbito.

Tratando-se de morte violenta ou suspeita, ou com antecedente patológico desconhecido, com ou sem assistência médica, deverá sempre ser realizada a autópsia. Esse exame, também é recomendado sempre
que o método de embalsamamento empregado compreender a retirada de vísceras do cadáver, pois, nestes casos, ocorreria a destruição de parte das provas necessárias a um ulterior diagnóstico de causa mortis a ser feito mediante eventual exumação
Nos casos de embalsamamento intra-arterial, que não incluam a abertura de cavidades e evisceração, esse procedimento é dispensável, pois, ao contrário, haveria preservação por tempo maior que o habitual da integridade do corpo. Saliente-se ainda que, em todo procedimento de tanatoconservação, uma ata deverá ser elaborada registrando-se todas as etapas do processo, incluindo-se aí a relação de todas as substâncias e fórmulas utilizadas e aplicadas no cadáver, não sendo
admissível, a nosso ver, a utilização de fórmulas secretas e não licenciadas pela vigilância sanitária do
Estado ou Município. Em casos de translado do corpo será necessária a expedição de uma guia de transporte pelo Instituto Médico Legal. Sempre que o cadáver for enviado para o estrangeiro, no ato do fechamento do caixão deverão estar presentes representantes da Polícia e Receita Federal.

Quem pode realizar a tanato-conservação?
O Estado, quando houver interesse público.
b) Empresas particulares contratadas pelos familiares do morto, sob supervisão do I.M.L. É necessário estabelecer, nesse campo da tanatopraxia, a distinção entre o que é obrigação do Estado, através de seus órgãos (Instituto Médico Legal) e o que deve ficar com a
iniciativa privada. O Instituto Médico Legal é um órgão técnico da Secretaria de Segurança Pública, inserido na estrutura da Polícia Cívil, que é a polícia judiciária, encarregada da investigação criminal e do inquérito
policial. Portanto, o I.M.L. tem como atribuição fundamental a realização de perícias médico-legais da esfera criminal. O embalsamamento não se constitui de
maneira alguma em ato pericial, não havendo necessidade de que seja realizado por médico legista, nem tampouco nas dependências do I.M.L. Em parecer formulado e aprovado pelo plenário do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará o Professor Clóvis Meira, Catedrático de Medicina Legal da Universidade Federal do Pará afirma “Dentre as atribuições do médico-legista, como já vimos, não se encontra como privativa a de fazer embalsamamentos, mesmo porque não se trata de ato pericial”.

Referências Bibliográficas

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2. Almeida, M.de; Muñoz, D.R. In: Bioética Segre, M.; Cohen, C. São Paulo, Edusp,1995.p.117-26

3. Caldas, A. Dicionário contemporâneo de língua portuguesa.5.ed. Rio de Janeiro, Delta, 1964.

4. Carvalho, H.V.C. et al.Compêndio de medicina legal.
Reimpr. São Paulo, Saraiva, 1992.

5. Croce, D., Croce Jr., D. Manual de medicina legal.São Paulo, Saraiva, 1995.

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7. Dicionário terminológico de ciências médicas. 15.ed.
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18. Silva, J.A.F. da. Direito funerário penal. Porto Alegre, Livraria do Advogado, 1992. ARTIGO COM ALGUMAS INFORMAÇÕES SOBRE OS PROCEDIMENTOS DE CONSERVAÇÃO / TRANSPORTE / REMOÇÃO / OBRIGAÇÕES / DEVERSES / LEIS SOBRE O RAMO NA QUAL TRABALHAMOS..
( Muito bom artigo )

ORIGEM DO TEXTO:

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